quinta-feira, 14 de julho de 2022

Término em Tabula Rasa :: Parte 1/1 (Hoje)


Disclaimer

De repente, eu me vi com crises de ansiedade, problemas de memória e uma tristeza tão forte que drenava a motivação para me tirar da cama ou trabalhar. Com ataques destrutivos de meus próprios pensamentos intrusivos, também era sufocado com aquela dor da angústia comprimindo todo o ar de meus pulmões.

O motivo de tudo isso é mais clichê que a epopeia de Gilgamesh: Término de um relacionamento que atravessou a última década, com seus pontos altos e baixos que caminharam até esse texto que você lê.

E esse post será o ponto inicial,  talvez o ponto final também. É aqui onde atualizarei, conforme minha sanidade permitir, os títulos dessas postagens para comportar essa nova saga inteira, com início meio e fim.

E finalmente antes que eu possa detalhar em futuros posts como foi essa saga, e o andamento de minha mais nova desilusão desse velho repositório, acho que vale a pena deixar um tímido sobreaviso: Não há do que se esperar a continuação de uma história quando o que acontece nessa história não vem da sua cabeça. Não é como se houvesse alguma força motivadora que me traz para esse blog, e nem que haja interesse de minha parte em transformar o passado em açoites do presente. É apenas uma uma história, que como qualquer outra possui personagens, inspirações, e as velhas metáforas que ajudam a preservação de minha pobre alma.

Tabula Rasa

Eu só recebi um diagnóstico "mais oficial" de que tinha fobia social por volta de meus 24 anos, e com ajuda de terapia, medicamento e boa dose força de vontade eu consegui fazer algo que julguei impossível até então, que era me relacionar afetivamente com alguém. Essa pessoa não só me completava como também era perfeita em todos os aspectos que eu podia imaginar. Eu senti pela primeira vez que era amado e jurei para mim mesmo que caso o amor dependesse apenas de mim, duraria para sempre. Lendo essa última frase, você sendo mais inteligente do que eu, sabe que esse raciocínio foi o que levou a maior desilusão da minha vida até esse momento.

Então, preciso começar a contar essa história assumindo que tudo o que você sabe de mim é que tenho algum tipo de transtorno de personalidade que me faz ser tão introvertido ao ponto de não conseguir me relacionar bem com as pessoas. Tenho alguns amigos, tenho um trabalho e até saio de casa para resolver alguma coisa, mas no geral, a minha introversão é limitante no aspecto afetivo. Ter conseguido namorar e casar é uma saga tão especial pra mim quanto às referentes à Dança de Salão que já contei aqui no blog uma vez.

Uma vez dentro do arcabouço formalizado pelo casamento, você se torna convicto de que encontrou uma pessoa que será testemunha de sua vida e você da vida dela; acompanhando uma trajetória de bons e maus momentos com uma data de término desencadeada pela morte de um dos conjugues. O engraçado é que essa morte a ser orquestrada pela natureza da vida humana também coloca esse fato em um futuro tão distante que sua mente não é capaz de processar. O problema é quando o futuro é trazido aos dias atuais, criando um cenário em que sua mente não era capaz de prever e se preparar com antecedência. E não estou afirmando em nenhum momento que a morte precisa ser literal com a vida sendo ceifada pelo rompimento da existência de alguém, pois também existe o tipo de morte causado pelo rompimento da motivação que mantinha um casal unido e a comunhão do casamento efetivada.

O que tem haver falar de fobia social, fim de um casamento e a Tabula Rasa que enuncia essa postagem? A resposta curta e objetiva pode ser resumida em uma palavra: "consequência". E a resposta mais detalhada e explicativa vou contar agora nas quatro consequências que seguem:

1ª Consequência: Introversão como Resposta

Se a dificuldade para interagir com outras pessoas é um tipo de mecanismo de defesa que é ativado de forma inconsciente por mim para me proteger de qualquer dano emocional que uma pessoa qualquer possa me causar, então é de se esperar que eu tenha uma vida inteira em solidão porque esse mecanismo vai sempre estar à frente de minhas ações para me impedir de se relacionar com qualquer pessoa em um nível que ultrapasse o superficial desarranjo que já comentei em outro post sobre as amizades.

2ª Consequência: Romper de sua própria prisão

Quando aquele mecanismo de defesa começa a te impedir de ter uma vida normal e te fazer sentir a vida ser mais pesada do que realmente deveria, é quando alguma parte de sua consciência cansa de ser esmagada pela natureza e tenta ganhar espaço. Ela faz isso da forma que consegue para reduzir pelo menos um pouco da solidão, introversão e insociabilidade. E assim, numa reviravolta [quase] inexplicável, onde toda a dose de força de vontade que eu tinha e motivação me fizeram romper a barreira de minha própria essência para fugir daquela prisão que minha mente tinha feito para mim.

No começo, com ajuda de amigos, terapia, remédios, motivação, força de vontade e um pouquinho de sorte, comecei a descobrir como funcionava os relacionamentos afetivos. Me permiti a entender como funcionava a paixão e deixar o amor surgir naturalmente para quem assim eu sentia a confiança mútua de que o sentido de uma vida plena estava dentro daquele recanto de felicidade. Estar feliz era sinônimo do puro rompimento de minha prisão, e por isso, me deixei levar até onde tudo aquilo pudesse seguir.

3ª Consequência: Zona de Conforto 

Se você está feliz, sente-se bem sucedido na vida em todos os aspectos, então naturalmente pode se dizer que aquilo é uma zona de conforto verdadeira. E sendo assim, a motivação que te fez abandonar uma vida desconfortável para te levar até ali obviamente não vai querer te fazer sair de lá. É assim que as pessoas entram em zonas de conforto. Mas muitas delas estão insatisfeitas e não querem mudar, e pra mim isso é um tipo de Zona de Conforto perigosa. Mas e quando é o contrário, e você está satisfeito, porque então iria querer sair da zona onde chegou? 

A resposta é simples: Você não quer, e tudo bem se esse "não querer" depende apenas de você. O problema é que todo esse texto que lê não diz respeito apenas à minha pessoa,  e isso já diz muito sobre onde quero chegar. Naturalmente não existe uma zona de conforto tão grande que seja abrangente demais para comportar duas pessoas com histórias e vidas diferentes numa mesma dança sem que haja pausas para descanso. De certa forma, o simples desarranjo de uma melodia em que um deseja tocar um ritmo diferente do outro significa que aquela música já não existe mais. Agora são duas músicas diferentes, e entender isso significa ter a sabedoria para saber quando melhor do que uma pausa, é parar por completo.

4ª Consequência: Tabula Rasa

Quando a música parou de tocar, eu me dei conta que ter saído daquela zona de conforto significava voltar automaticamente ao estágio inicial de minha vida, onde ainda não havia nada escrito. Só que agora havia, pois eu estava voltando para trás com uma bagagem de história e experiência que me fizeram ser uma pessoa diferente.

Mas ao mesmo tempo, voltar para onde não havia nada escrito, que é justamente o que significa "Tabula Rasa", também significa que agora existe um novo caminho para ser percorrido com muito mais sabedoria do que houve antes. E com isso, voltar a escrever em um velho blog de desilusões sobre tudo o que ainda não foi escrito mas que ao mesmo tempo já foi, me parece estrategicamente um bom novo ponto de partida para outra saga aqui no blog com bons frutos para novas desilusões desse repositório de todas minhas desilusões 

5ª Consequência: Somar e Dividir

Juntando os pontos anteriores, acho que é possível resumir essa história em uma pessoa com um transtorno de personalidade que conheceu outra pessoa (que mais tarde também entendeu que possuía outro transtorno de personalidade). Daí, é como você fazer um bolo colocando os dois principais ingredientes estragados; o amor é sufocado conforme o forno é aquecido. Mas todo forno é aquecido aos poucos, e o nome disso num relacionamento que vai mal se chama desgaste. Chega um momento em que você já sabe que o final é óbvio; ou as coisas mudam, ou as coisas mudam.

Tentamos terapias de casal, estratégias de convivência e muitas outras conversas procurando por uma solução que na verdade não existia mais. Chegou um momento em que separar se tornou a única alternativa, e tudo bem ser assim. Lutamos para somar, e desatinamos a dividir.

 

Cronologia 

Para além desse repositório, eu tenho um diário pessoal também, e por isso, postagens mais recentes podem eventualmente serem publicadas com datas retroativas para melhor consistência cronológica dos fatos, e não de data de postagem. O que seguirá na ordem das postagens será o número de partes que eu necessitar escrever, que seguirá sempre atualizada para compor a melhor forma de compreensão dos fatos.

Atualmente, toda essa história se resume nessa única parte. Mas também, quais outras partes poderiam vir do final que já foi escrito? Nesse spoiler que já trouxe, mesmo uma história sem final feliz ainda assim tem desarranjos interessantes que em algum nível me serviram de aprendizado. Como por exemplo porque não voltar a falar sobre as velhas linha de crenças pessoais que fazem um ateu se converter, e um religioso perder a fé? Ou talvez eu pudesse falar de como as experiências são galgadas para que no fim sejamos pessoas melhores. Falar sobre a vida e morte que entermeia outros transtornos de personalidade? Quem sabe criar um conto rápido sobre as redes socias e o analfabetismo digital? Sei que tem muita coisa que faria esse velho blog abandonado ter desilusões suficientes para manter vivo um bom repositório.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Vida Circular

Lembro-me de um dia qualquer, onde sentado com alguns amigos, ouço uma reflexão que até aquele momento só tinha aplicado a coisas pontuais como a chuva, nascimentos e supernovas. Mas por algum motivo estranho, embora eu soubesse de tantos pequenos ciclos envolvendo a vida que nos cerca, acredito que nunca parei para pensar que esse mesmo ciclo pode atingir qualquer camada e circunstância que queira aplicar.

Basta checar o noticiário para ver que todas as notícias tem uma cara nova envolvendo a realidade atual, mas que na verdade, já ocorreram outras vezes em realidades anteriores. Não é a mesma notícia, é claro, mas pense apenas na camada dos fatos aplicados, com um pouco mais de abstração do que estiver lendo. Certamente verá naqueles fatos sem lapidação alguma um tipo de realidade alternativa de alguma coisa que já foi transcendida no passado. E entre cada uma dessas diferentes realidades, tudo o que uniu aquelas notícias foram dois fatores: tempo e ciclo.

O tempo é a parte mais óbvia. Basta ficarmos de braços cruzados ou correr uma maratona que ele continuará lá, inexoravelmente. Dá pra ver fotos e ler anotações antigas, ou angustiar-se com o peso do futuro que não conhece. Mas o tempo não se importa com isso, ele não deixa você fugir dele em momento algum. O tempo não se importa com sua vida, porque ele simplesmente é a carcaça onde todas as realidades coexistem. Ou para não parecer pejorativo, vou trocar o termo “carcaça” e dizer que ele é uma caixa onde tudo está dentro dessa caixa.

Em qualquer momento você pode se perguntar do que é feita a realidade, de onde vive, o que come e como se reproduz. Sendo o repórter que investiga e traz essas respostas, só posso falar por mim nesse momento. Esse é um blog de desilusões, então é claro que o ponto de vista nenhum pouco parcial de quem escreve entende que a versão deturpada da realidade é feita de decepções, vive dentro do peito, medindo um tamanho grande o suficiente para te deixar sem ar, sem fome e angustiado. A realidade se alimenta da sua alma, pois do contrário, qual outra explicação teria para nenhum alimento mais me saciar? Daí, com aquilo crescente em seu âmago, multiplica cada vez mais, e assim essa mesma realidade se reproduz.

Agora, para não me estender demais, vou fechar o assunto que comecei, dizendo que todas as camadas e circunstâncias que quiser aplicar é feita pelo fator tempo e pelo ciclo. Se o tempo é como se fosse uma caixa que aprisiona a tudo e a todos, então dentro dela é despejada água, onde cada molécula da água contém uma realidade diferente.

Um fluxo de água que irá chegar no fundo da caixa algum dia, mas antes de findar sua existência, estará em um belo passeio ao redor de muitas outras moléculas, cada qual sendo você em toda sua realidade, e podendo com isso navegar, interagir, acelerar ou frear dentro do limite que aquele fluxo de água sendo despejado permite.



Sabe o que acontece quando a água bate no fundo da caixa? Ela não tem para onde ir e reverbera entre todos os cantos. Quase nenhuma molécula ali percebe que por algum motivo estranho está apenas rodando em círculos, porque ninguém percebeu o óbvio dessa caixa. Ela não é feita para comportar um fluxo infinito de água, e por isso, tal como uma pia imunda da cozinha, possui um furo, que pela sabedoria popular costuma se chamar de "ralo", e dai os termos de que a vida de alguém foi para o ralo já fecham bem essa anedota.

Mas não quero perder o foco agora: Apenas imagine por um segundo a realidade (cada molécula desse fluxo de água) dando voltas logo após chegar no fundo nessa caixa, que somente agora você sabe que possui um furo onde todos irão inevitavelmente cair um dia; sem saber da existência do ralo, você passaria horas e horas girando ao que na ignorância de sua visão de mundo é infinito, mas no big picture, é apenas um ciclo.

Eu acho que disse que cada molécula pode ter seu próprio ritmo, não? Algumas mais lentas e outras mais rápidas, algumas inclusive aparecem de mãos dadas e outras se desfazem no meio do caminho. Algumas se cruzam, e outras nunca mais. Tudo isso é a realidade, e todas as realidades coexistem em um mesmo ciclo que orbita o mesmo ralo.

No mais, sinto que mais um ciclo se fecha para mim. E com ele, talvez a vã esperança de que um novo se abra. Bem vindo de volta, após tantos anos, meu blog das desilusões e dos tempos em que era abraçado apenas com minha maldita fobia social.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A Guerra dos 2000 anos


Tem muita coisa no mundo que é difícil de entender, mas acho que os conflitos que acontecem lá no meio árabe chegam a ser impossíveis de uma compreensão. E digo isso não simplesmente baseando no fato pessoal de que sei pouco do assunto, mas sim por ter visto muita gente especialista no assunto que facilmente se confronta em discussões acirradas. E para iniciar, vale começar com um debate do programa Roda Viva que entrevistaram Benny Morris, onde várias perguntas e esclarecimentos foram feitos. Mas, se você assim como eu não entendeu muito do que foi dito, então vou tentar explicar de outro modo mais didático.


Política, Religião ou Estupidez?


Basicamente todos esses atributos se juntam de forma impressionante nesse assunto. Se quiser entender um pouco sobre a visão histórica de como a política surgiu no nosso planeta, vale assistir esse vídeo. Só para resumir, é importante lembrar que os antigos reis e governantes sempre que podiam usavam da crença do povo para exercer seu poder. Se o povo acredita que um rio é importante, então o bom rei é aquele que protege esse rio, e o mal rei é aquele que o destrói. Mas o rei poderoso é aquele que o povo acredita que faz esse rio fluir.

Há mais de dois mil anos atrás, quando toda essa bagunça estava apenas começando, aconteceram alguns fatores importantes que repercutem até os dias de hoje. O primeiro fator é a unificação de muitas tribos que haviam naquelas regiões em grandes impérios. É inegável o fato de que Roma, por exemplo, cresceu acoplando vários povos em si, e por isso ao mesmo tempo em que se tornava gigantesca, também se tornava um berço de ideologias diferentes entre grupos na própria região.

Ou seja, viver na Roma não era nenhum pouco parecido com viver no paraíso. Tem uma excelente série de vídeos no youtube que aborda praticamente todos os pontos da Roma Antiga, com mais de 4 horas divididos em temas. Clica aqui e assiste lá um pouco por dia que vale a pena.

Cristão, Judeu ou Muçulmano?

Nessa época já havia o cristianismo. E já havia o conceito da Terra Santa que perdura até os dias de hoje. Só para ficar claro e simples, vamos dividir toda aquela região árabe em três religiões predominantes, que resumem ao Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Todas elas se baseiam em interpretações diferentes que ramificam do mesmo Deus. Há uma discussão entre teológicos nos dias de hoje se Alah e Jeová são ou não o mesmo Deus. Tem islâmico que defende que sim e que não, sem entrar em consenso comum, assim como cristãos, que podem interpretar que Deus é único para o mundo todo e que por tanto, Alah é o mesmo Deus mas os islâmicos não sabem disso. E aí, esse jogo de interpretações e a discussão polêmica gera apenas a divisão ainda mais clara entre essas religiões.

Para resumir a confusão toda: Jerusalém, que é chamada de Terra Santa, gera tanta briga porque esse conflito ideológico coloca os três pontos de vista em um mesmo lugar: Os cristãos vêm a área como sagrada porque foi lá onde Jesus foi crucificado, na igreja do Santo Sepulcro. Para os judeus, a cidade de Jerusalém é importante devido ao Templo de Salomão, onde foi guardado a Arca da Aliança, que após ser destruído, reconstruído e novamente destruído, hoje sobrou apenas o Muro das Lamentações. E por fim, os muçulmanos tem apreço por Jerusalém devido a mesquita de Al-Aqsa que é onde Maomé subiu aos céus.

Se você der uma olhadinha com calma no mapa daquela região, vai ver que as três religiões competem a mesma cidade em diferenças pequenas de distância, mas diferenças gigantescas de ideologias. Atualmente os cristãos não brigam mais pelo Santo Sepulcro (na verdade até tem uma bancada católica lá, mas sua influência é pequena) e isso é bom porque tira um pouco de todo o combustível que queima naquela região.

Só que toda essa confusão não é apenas ideológica, como também política. E agora que você já ficou claro das diferenças simplificadas de cada religião, acho que dá pra voltar um pouco mais na história para entendermos a raiz de todo o mal. E olha que vou tentar simplificar bastante, porque essa história é mais complexa do que parece.

Para ajudar a contextualizar um pouquinho mais sobre a Terra Santa que já citei, acho que vale um vídeo rápido da History Channel para abrir um pouco mais o assunto:



Qual foi a primeira religião?


Eu não vou ser polêmico, prometo. É claro que falar de religião já é naturalmente polêmico, e por tanto, vou evitar expor minha opinião sobre o assunto tratando apenas das referências históricas e teológicas que temos para pautar esse assunto. Mas, caso você queira polêmica, então assista a trilogia dos filmes Zeitgeist lançada em 2007 e diga a sua separação entre ficção e realidade daquilo que ver.

De qualquer modo, como as três religiões tem seus princípios em Abraão, então é difícil determinar qual a primeira, ou quem influenciou quem. Um dia, com fé eu faço um post para explicar a origem e história das religiões. Em resumo, daria para dizer - com certa cautela - que primeiro foram os judeus, que criaram uma vertente para o cristianismo  e só depois do século VII que o islão ganhou força. Em um escopo da UFRGS nesse link dá pra ter uma ideia geral disso e uma outra visão específica das religiões abraâmicas pode ser vista aqui.

Com esse ponto de partida da antiguidade, podemos ir lendo textos, artigos e estudos que nos levam a conclusão de que Roma sempre fez uma certa perseguição religiosa aos Judeus (já que na época o cristianismo era irrelevante e a ideia do islamismo era nula). E é fácil entender o desgosto de Roma com os Judeus, uma vez que Roma era politeísta e a ideia do monoteísmo era mal vista naquele cenário todo. E esse cenário todo precisa ser demonstrado com imagens, porque se não fica ainda mais difícil acompanhar qualquer tipo de raciocínio.

Então, vou por aqui uma imagem coloridinha das chamadas 12 tribos de Israel, como é estudado nas faculdades de teologia hoje em dia. Esse mapa mostra essa região árabe, e para fins de referência, onde há Manassés e Efraim, ali naquele miolo está Jerusalém. Dá para confrontar um pouco essa versão do mapa, com outras dezenas pelo Google, onde cada historiador vai fazer sua divisão aproximada do que seria a realidade da época. E convenhamos que é impossível ter uma validade total disso, porque as fronteiras entre as tribos não eram tão claras e delimitadas como vemos nos contornos cartográficos de um mapa.

E o importante aqui é apenas entender que isso, seja lá o que isso for, era Israel. E hoje em dia não mudou muita coisa, já que temos Egito de um lado, Jordânia de um outro Síria mais acima e as 12 tribos agora formam o estado de Israel. Mas imagine essas tribos numa época em que a divisão dos territórios não era tão didática quanto é hoje.

Vou colocar aqui na sequência um outro mapa, que é da expansão do Império Romano naquela época, e talvez com isso as coisas comecem a ficar um pouquinho mais claras.


Roma foi crescendo em volta do Mar Mediterrâneo, com sua influência política, tecnologias, cultura e etc. Na medida de seu crescimento, é natural que muitas civilizações próximas acabaram sendo incorporadas, ou caso lutassem, sucumbindo ao poder gigantesco dos exércitos romanos. Israel não tinha condições de vencer Roma, e acabou ficando ali, no gosto maltratado pelo desgosto.

Não tem como afirmar que isso foi o estopim de tudo, mas dá para afirmar que muitos fatores negativos começaram a tornar aquela região problemática. Para resumir a confusão, podemos citar que Roma resolve cobrar impostos de Israel, e depois, lá pelos anos 70 d.C. já havia os judeus de Israel que esperavam pela vinda do messias, depois o cristianismo acabou ganhando um pouco mais de influência, e por volta dessa época foi escrito o evangelho de João, que culpava a morte de Jesus pelos Judeus, de modo um pouco mais indireto. Pronto. Altas confusões nas eras antigas.

Os conflitos foram realmente causados por multi-fatores. A época das Cruzadas trouxe mais sangue e revolta, e o crescimento da Igreja Católica e a influência política deram mais lenha na fogueira da confusão. Por isso é tão complicado entender tudo aquilo. Nesse meio tempo Roma caiu, o Império Bizantino cresceu, depois acabou com a Queda da Constantinopla, e enquanto isso, Pedro Álvares Cabral ainda era um bebê que brincava na praia sem saber que com seus trinta e poucos anos descobriria o Brasil.

Por aqui tudo é paz e alegria, se comparar com esse jogo interminável de erros que ocorreu ano após ano, e século após século lá pelos meios árabes. Em citei o Brasil, só para situar que por volta de 1500 havia muita recriminação dos Judeus pelos Cristãos. E isso em toda Europa, já que com tanta perseguição, eles acabaram tendo que se espalhar e se refugiar pelo mundo como podiam.

Vou deixar um vídeo muito bom do Pirulla dando uma visão geral de todas essas entrelinhas complicadas que por si só já tornariam esse texto ainda mais gigantesco.




Resumindo o Irresumível 


O ser humano já foi nômade, já viveu em tribos, e já demonstrou em vestígios históricos que sua estupidez e gênio violento são a raiz mais primitiva de seus corações. Parece poético, mas é triste quando você olha para o passado e vê os vestígios de coisas terríveis que aconteceram incessantemente até os dias de hoje.

Como Richard Dawkins descreve em seu livro "O Gene Egoísta", há muitas evidência de que tanto nós como qualquer outro animal da terra sempre priva pela sua sobrevivência em primeiro lugar. E essa sobrevivência inclui a prioridade por alimento, um território onde possa armazenar esses recursos e o fortalecimento de quem pensa igual a você. Não é um acaso que todos as civilizações antigas tenham formado suas cidades em torno de mares ou rios como fonte de água e comida fácil. Viver é o lema de todo mundo.

E viver significou impor o poder político a custo de muito sangue derramado. Antes de todos os séculos que seguem no período medieval, é importante falar um pouquinho sobre a Era Feudal. Pois nesse período, as terras eram o que mais importava para as pessoas. Daí, imagine o que acontece quando o preconceito faz com que os judeus percam o direito às terras? Nessa onda de azar, não houve muita alternativa para os judeus se não procurarem trabalhos alternativos que na época não valiam nada devido ao sistema feudal. Depois na idade média isso se reverteu um pouco, então o vai e vem da esperança x poder nunca morre.

No cenário atual, tudo isso reflete em números bem compreensíveis. O Cristianismo, por ter influenciado a Europa e as grandes navegações, representa hoje quase 1/4 da população mundial. Em números:

  • O Cristianismo conta com 2,3 bilhões de cristãos.
  • O Islamismo conta com 1,5 bilhão de muçulmanos.
  • O Judaísmo conta com 13,4 milhões de judeus. 

É muita gente nessa história toda. E muita gente dividida por ideologias diferentes dizendo que sua religião é a certa e a outra é a errada. Mas é lógico que todas as brigas que acontecem lá no oriente médio não apenas apenas pelo viés religioso. Sobre todo esse pano de fundo que já iniciei aqui, já teríamos um dos maiores problemas da humanidade. Só que a estupidez humana parece não ter limite, e isso nos leva aos últimos 100 anos, que provam o como uma situação complicada pode sempre piorar ainda mais.

O Último Século


Do meu ponto de vista leigo sobre a antropologia, eu me atrevo a dizer que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), aconteceu por causa de birrinha de egos. Quase a mesma coisa que acontecia nos milênios anteriores, mas só que sem a desculpa de que naquela época éramos menos civilizados do que nos dias de hoje.

Daí que a Alemanha perdeu a Primeira Guerra, e anos mais tarde era justamente a Alemanha que iria desencadear a Segunda Guerra. E aí, você pode parar esse texto por alguns instantes e pensar "mas no que isso tem haver com toda a história da palestina?". Pois é, a gente tem que lembrar que o partido nazista de Hittler fazia uma perseguição aos judeus. Só que essa perseguição não é um simples jogo de sorte e azar de uma religião e outra.

Os judeus haviam crescido um pouco mais em influência pelo mundo nessa época, e isso fez com que eles despertassem ódio em muita gente, por simples motivo religioso. Surgiam então os anti-semitas, que alimentavam ainda mais esse ódio de mais de 2000 anos atrás. Quando a Segunda Guerra aconteceu, Hittler usou essa perseguição aos judeus como desculpa para expandir os territórios da Alemanha e ter a dominação mundial. Coisa de vilão clichê, eu sei. Mas o interessante nessa história é que o fim da guerra não foi o fim do ódio.

Tanto que o surgimento da Organização das Nações Unidas (ONU), teve como primeira pauta na tentativa de trazer a paz para o mundo ver o que iria ser feito com todo esse ódio. "Como resolver o ódio que ainda existe?", perguntaram alguns caras tentando encontrar uma resposta à essa questão complicada. E a resposta para isso foi basicamente desenhar no mapa uma área onde apenas os judeus ficariam, uma outra para os muçulmanos (que já vivam na região) e o ponto de maior confronto, que era Jerusalém não pertenceria a nenhum dos povos.


Essa divisão não deu certo, porque a raiva sempre é maior do que a razão. Apesar de que cada um tinha lá suas razões, então é difícil dizer quem é o certo ou errado ali, mas é fácil de entender que deixar os dois povos no mesmo lugar não tinha como dar certo. Dê uma olhada no mapa e tente entender onde fica a Palestina, e onde fica Israel. É tudo junto e misturado, cada povo com ideologias diferentes que lutam para estarem no mesmo lugar. Só por aí dá pra entender que essa guerra não tem como acabar até que um dos lados acabe totalmente com o outro.

Os últimos dias


E com o passar dos anos, começaram a surgir grupos terroristas, e essa parte da história todos nós já conhecemos. O que eu acho importante comentar, é a questão de como o estado de Israel tem se fortalecido militarmente, e com todo o apoio dos Estados Unidos, ele apenas consegue ser a grande potência naquele meio árabe. Com isso os palestinos precisam se refugiar para não morrer, e a faixa de Gaza (principal lugar dos refugiados) se torna o inferno na terra.

Vou deixar, por fim, um link para elucidar essa ideia geral resumindo as 10 principais perguntas feitas sobre todo esse conflito sem fim. Acho que vale a pena você clicar aqui. E confesso, que pensar sobre tudo isso me deu um grande desgaste e tristeza, porque eu vejo como o ser humano consegue partilhar de sua estupidez ao invés do bem comum.


Antes, entrava-se na briga apenas duas ou três civilizações porque isso era tudo o que o conhecimento humano se resumia na época. Hoje em dia pode se englobar tudo porque o conhecimento humano se resume a conhecer todos os cantos do planeta. E essas ameaças de uma terceira guerra mundial já aconteceram em vários momentos incluindo os últimos anos. Ou seja, a ilusão da paz é só o deleite dos insônios. Só que o assunto aqui eu acho que já não cabe mais nesse post. Na real, nada mais cabe nesse post.


Esse é um assunto que nunca ficará ultrapassado. Simplesmente porque a história não muda, e a guerra também não acaba.

Entre Raiva e Tristeza → Um dos posts anteriores sobre comportamento
Paradigma das Guerras → Um dos péssimos posts sobre guerras
Mundo Virulento → O apocalipse pode vir por vírus
A tríade proibida → Mais sobre religião, política e futebol