quinta-feira, 14 de julho de 2022

Término em Tabula Rasa :: Parte 1/1 (Hoje)


Disclaimer

De repente, eu me vi com crises de ansiedade, problemas de memória e uma tristeza tão forte que drenava a motivação para me tirar da cama ou trabalhar. Com ataques destrutivos de meus próprios pensamentos intrusivos, também era sufocado com aquela dor da angústia comprimindo todo o ar de meus pulmões.

O motivo de tudo isso é mais clichê que a epopeia de Gilgamesh: Término de um relacionamento que atravessou a última década, com seus pontos altos e baixos que caminharam até esse texto que você lê.

E esse post será o ponto inicial,  talvez o ponto final também. É aqui onde atualizarei, conforme minha sanidade permitir, os títulos dessas postagens para comportar essa nova saga inteira, com início meio e fim.

E finalmente antes que eu possa detalhar em futuros posts como foi essa saga, e o andamento de minha mais nova desilusão desse velho repositório, acho que vale a pena deixar um tímido sobreaviso: Não há do que se esperar a continuação de uma história quando o que acontece nessa história não vem da sua cabeça. Não é como se houvesse alguma força motivadora que me traz para esse blog, e nem que haja interesse de minha parte em transformar o passado em açoites do presente. É apenas uma uma história, que como qualquer outra possui personagens, inspirações, e as velhas metáforas que ajudam a preservação de minha pobre alma.

Tabula Rasa

Eu só recebi um diagnóstico "mais oficial" de que tinha fobia social por volta de meus 24 anos, e com ajuda de terapia, medicamento e boa dose força de vontade eu consegui fazer algo que julguei impossível até então, que era me relacionar afetivamente com alguém. Essa pessoa não só me completava como também era perfeita em todos os aspectos que eu podia imaginar. Eu senti pela primeira vez que era amado e jurei para mim mesmo que caso o amor dependesse apenas de mim, duraria para sempre. Lendo essa última frase, você sendo mais inteligente do que eu, sabe que esse raciocínio foi o que levou a maior desilusão da minha vida até esse momento.

Então, preciso começar a contar essa história assumindo que tudo o que você sabe de mim é que tenho algum tipo de transtorno de personalidade que me faz ser tão introvertido ao ponto de não conseguir me relacionar bem com as pessoas. Tenho alguns amigos, tenho um trabalho e até saio de casa para resolver alguma coisa, mas no geral, a minha introversão é limitante no aspecto afetivo. Ter conseguido namorar e casar é uma saga tão especial pra mim quanto às referentes à Dança de Salão que já contei aqui no blog uma vez.

Uma vez dentro do arcabouço formalizado pelo casamento, você se torna convicto de que encontrou uma pessoa que será testemunha de sua vida e você da vida dela; acompanhando uma trajetória de bons e maus momentos com uma data de término desencadeada pela morte de um dos conjugues. O engraçado é que essa morte a ser orquestrada pela natureza da vida humana também coloca esse fato em um futuro tão distante que sua mente não é capaz de processar. O problema é quando o futuro é trazido aos dias atuais, criando um cenário em que sua mente não era capaz de prever e se preparar com antecedência. E não estou afirmando em nenhum momento que a morte precisa ser literal com a vida sendo ceifada pelo rompimento da existência de alguém, pois também existe o tipo de morte causado pelo rompimento da motivação que mantinha um casal unido e a comunhão do casamento efetivada.

O que tem haver falar de fobia social, fim de um casamento e a Tabula Rasa que enuncia essa postagem? A resposta curta e objetiva pode ser resumida em uma palavra: "consequência". E a resposta mais detalhada e explicativa vou contar agora nas quatro consequências que seguem:

1ª Consequência: Introversão como Resposta

Se a dificuldade para interagir com outras pessoas é um tipo de mecanismo de defesa que é ativado de forma inconsciente por mim para me proteger de qualquer dano emocional que uma pessoa qualquer possa me causar, então é de se esperar que eu tenha uma vida inteira em solidão porque esse mecanismo vai sempre estar à frente de minhas ações para me impedir de se relacionar com qualquer pessoa em um nível que ultrapasse o superficial desarranjo que já comentei em outro post sobre as amizades.

2ª Consequência: Romper de sua própria prisão

Quando aquele mecanismo de defesa começa a te impedir de ter uma vida normal e te fazer sentir a vida ser mais pesada do que realmente deveria, é quando alguma parte de sua consciência cansa de ser esmagada pela natureza e tenta ganhar espaço. Ela faz isso da forma que consegue para reduzir pelo menos um pouco da solidão, introversão e insociabilidade. E assim, numa reviravolta [quase] inexplicável, onde toda a dose de força de vontade que eu tinha e motivação me fizeram romper a barreira de minha própria essência para fugir daquela prisão que minha mente tinha feito para mim.

No começo, com ajuda de amigos, terapia, remédios, motivação, força de vontade e um pouquinho de sorte, comecei a descobrir como funcionava os relacionamentos afetivos. Me permiti a entender como funcionava a paixão e deixar o amor surgir naturalmente para quem assim eu sentia a confiança mútua de que o sentido de uma vida plena estava dentro daquele recanto de felicidade. Estar feliz era sinônimo do puro rompimento de minha prisão, e por isso, me deixei levar até onde tudo aquilo pudesse seguir.

3ª Consequência: Zona de Conforto 

Se você está feliz, sente-se bem sucedido na vida em todos os aspectos, então naturalmente pode se dizer que aquilo é uma zona de conforto verdadeira. E sendo assim, a motivação que te fez abandonar uma vida desconfortável para te levar até ali obviamente não vai querer te fazer sair de lá. É assim que as pessoas entram em zonas de conforto. Mas muitas delas estão insatisfeitas e não querem mudar, e pra mim isso é um tipo de Zona de Conforto perigosa. Mas e quando é o contrário, e você está satisfeito, porque então iria querer sair da zona onde chegou? 

A resposta é simples: Você não quer, e tudo bem se esse "não querer" depende apenas de você. O problema é que todo esse texto que lê não diz respeito apenas à minha pessoa,  e isso já diz muito sobre onde quero chegar. Naturalmente não existe uma zona de conforto tão grande que seja abrangente demais para comportar duas pessoas com histórias e vidas diferentes numa mesma dança sem que haja pausas para descanso. De certa forma, o simples desarranjo de uma melodia em que um deseja tocar um ritmo diferente do outro significa que aquela música já não existe mais. Agora são duas músicas diferentes, e entender isso significa ter a sabedoria para saber quando melhor do que uma pausa, é parar por completo.

4ª Consequência: Tabula Rasa

Quando a música parou de tocar, eu me dei conta que ter saído daquela zona de conforto significava voltar automaticamente ao estágio inicial de minha vida, onde ainda não havia nada escrito. Só que agora havia, pois eu estava voltando para trás com uma bagagem de história e experiência que me fizeram ser uma pessoa diferente.

Mas ao mesmo tempo, voltar para onde não havia nada escrito, que é justamente o que significa "Tabula Rasa", também significa que agora existe um novo caminho para ser percorrido com muito mais sabedoria do que houve antes. E com isso, voltar a escrever em um velho blog de desilusões sobre tudo o que ainda não foi escrito mas que ao mesmo tempo já foi, me parece estrategicamente um bom novo ponto de partida para outra saga aqui no blog com bons frutos para novas desilusões desse repositório de todas minhas desilusões 

5ª Consequência: Somar e Dividir

Juntando os pontos anteriores, acho que é possível resumir essa história em uma pessoa com um transtorno de personalidade que conheceu outra pessoa (que mais tarde também entendeu que possuía outro transtorno de personalidade). Daí, é como você fazer um bolo colocando os dois principais ingredientes estragados; o amor é sufocado conforme o forno é aquecido. Mas todo forno é aquecido aos poucos, e o nome disso num relacionamento que vai mal se chama desgaste. Chega um momento em que você já sabe que o final é óbvio; ou as coisas mudam, ou as coisas mudam.

Tentamos terapias de casal, estratégias de convivência e muitas outras conversas procurando por uma solução que na verdade não existia mais. Chegou um momento em que separar se tornou a única alternativa, e tudo bem ser assim. Lutamos para somar, e desatinamos a dividir.

 

Cronologia 

Para além desse repositório, eu tenho um diário pessoal também, e por isso, postagens mais recentes podem eventualmente serem publicadas com datas retroativas para melhor consistência cronológica dos fatos, e não de data de postagem. O que seguirá na ordem das postagens será o número de partes que eu necessitar escrever, que seguirá sempre atualizada para compor a melhor forma de compreensão dos fatos.

Atualmente, toda essa história se resume nessa única parte. Mas também, quais outras partes poderiam vir do final que já foi escrito? Nesse spoiler que já trouxe, mesmo uma história sem final feliz ainda assim tem desarranjos interessantes que em algum nível me serviram de aprendizado. Como por exemplo porque não voltar a falar sobre as velhas linha de crenças pessoais que fazem um ateu se converter, e um religioso perder a fé? Ou talvez eu pudesse falar de como as experiências são galgadas para que no fim sejamos pessoas melhores. Falar sobre a vida e morte que entermeia outros transtornos de personalidade? Quem sabe criar um conto rápido sobre as redes socias e o analfabetismo digital? Sei que tem muita coisa que faria esse velho blog abandonado ter desilusões suficientes para manter vivo um bom repositório.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Vida Circular

Lembro-me de um dia qualquer, onde sentado com alguns amigos, ouço uma reflexão que até aquele momento só tinha aplicado a coisas pontuais como a chuva, nascimentos e supernovas. Mas por algum motivo estranho, embora eu soubesse de tantos pequenos ciclos envolvendo a vida que nos cerca, acredito que nunca parei para pensar que esse mesmo ciclo pode atingir qualquer camada e circunstância que queira aplicar.

Basta checar o noticiário para ver que todas as notícias tem uma cara nova envolvendo a realidade atual, mas que na verdade, já ocorreram outras vezes em realidades anteriores. Não é a mesma notícia, é claro, mas pense apenas na camada dos fatos aplicados, com um pouco mais de abstração do que estiver lendo. Certamente verá naqueles fatos sem lapidação alguma um tipo de realidade alternativa de alguma coisa que já foi transcendida no passado. E entre cada uma dessas diferentes realidades, tudo o que uniu aquelas notícias foram dois fatores: tempo e ciclo.

O tempo é a parte mais óbvia. Basta ficarmos de braços cruzados ou correr uma maratona que ele continuará lá, inexoravelmente. Dá pra ver fotos e ler anotações antigas, ou angustiar-se com o peso do futuro que não conhece. Mas o tempo não se importa com isso, ele não deixa você fugir dele em momento algum. O tempo não se importa com sua vida, porque ele simplesmente é a carcaça onde todas as realidades coexistem. Ou para não parecer pejorativo, vou trocar o termo “carcaça” e dizer que ele é uma caixa onde tudo está dentro dessa caixa.

Em qualquer momento você pode se perguntar do que é feita a realidade, de onde vive, o que come e como se reproduz. Sendo o repórter que investiga e traz essas respostas, só posso falar por mim nesse momento. Esse é um blog de desilusões, então é claro que o ponto de vista nenhum pouco parcial de quem escreve entende que a versão deturpada da realidade é feita de decepções, vive dentro do peito, medindo um tamanho grande o suficiente para te deixar sem ar, sem fome e angustiado. A realidade se alimenta da sua alma, pois do contrário, qual outra explicação teria para nenhum alimento mais me saciar? Daí, com aquilo crescente em seu âmago, multiplica cada vez mais, e assim essa mesma realidade se reproduz.

Agora, para não me estender demais, vou fechar o assunto que comecei, dizendo que todas as camadas e circunstâncias que quiser aplicar é feita pelo fator tempo e pelo ciclo. Se o tempo é como se fosse uma caixa que aprisiona a tudo e a todos, então dentro dela é despejada água, onde cada molécula da água contém uma realidade diferente.

Um fluxo de água que irá chegar no fundo da caixa algum dia, mas antes de findar sua existência, estará em um belo passeio ao redor de muitas outras moléculas, cada qual sendo você em toda sua realidade, e podendo com isso navegar, interagir, acelerar ou frear dentro do limite que aquele fluxo de água sendo despejado permite.



Sabe o que acontece quando a água bate no fundo da caixa? Ela não tem para onde ir e reverbera entre todos os cantos. Quase nenhuma molécula ali percebe que por algum motivo estranho está apenas rodando em círculos, porque ninguém percebeu o óbvio dessa caixa. Ela não é feita para comportar um fluxo infinito de água, e por isso, tal como uma pia imunda da cozinha, possui um furo, que pela sabedoria popular costuma se chamar de "ralo", e dai os termos de que a vida de alguém foi para o ralo já fecham bem essa anedota.

Mas não quero perder o foco agora: Apenas imagine por um segundo a realidade (cada molécula desse fluxo de água) dando voltas logo após chegar no fundo nessa caixa, que somente agora você sabe que possui um furo onde todos irão inevitavelmente cair um dia; sem saber da existência do ralo, você passaria horas e horas girando ao que na ignorância de sua visão de mundo é infinito, mas no big picture, é apenas um ciclo.

Eu acho que disse que cada molécula pode ter seu próprio ritmo, não? Algumas mais lentas e outras mais rápidas, algumas inclusive aparecem de mãos dadas e outras se desfazem no meio do caminho. Algumas se cruzam, e outras nunca mais. Tudo isso é a realidade, e todas as realidades coexistem em um mesmo ciclo que orbita o mesmo ralo.

No mais, sinto que mais um ciclo se fecha para mim. E com ele, talvez a vã esperança de que um novo se abra. Bem vindo de volta, após tantos anos, meu blog das desilusões e dos tempos em que era abraçado apenas com minha maldita fobia social.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A Guerra dos 2000 anos


Tem muita coisa no mundo que é difícil de entender, mas acho que os conflitos que acontecem lá no meio árabe chegam a ser impossíveis de uma compreensão. E digo isso não simplesmente baseando no fato pessoal de que sei pouco do assunto, mas sim por ter visto muita gente especialista no assunto que facilmente se confronta em discussões acirradas. E para iniciar, vale começar com um debate do programa Roda Viva que entrevistaram Benny Morris, onde várias perguntas e esclarecimentos foram feitos. Mas, se você assim como eu não entendeu muito do que foi dito, então vou tentar explicar de outro modo mais didático.


Política, Religião ou Estupidez?


Basicamente todos esses atributos se juntam de forma impressionante nesse assunto. Se quiser entender um pouco sobre a visão histórica de como a política surgiu no nosso planeta, vale assistir esse vídeo. Só para resumir, é importante lembrar que os antigos reis e governantes sempre que podiam usavam da crença do povo para exercer seu poder. Se o povo acredita que um rio é importante, então o bom rei é aquele que protege esse rio, e o mal rei é aquele que o destrói. Mas o rei poderoso é aquele que o povo acredita que faz esse rio fluir.

Há mais de dois mil anos atrás, quando toda essa bagunça estava apenas começando, aconteceram alguns fatores importantes que repercutem até os dias de hoje. O primeiro fator é a unificação de muitas tribos que haviam naquelas regiões em grandes impérios. É inegável o fato de que Roma, por exemplo, cresceu acoplando vários povos em si, e por isso ao mesmo tempo em que se tornava gigantesca, também se tornava um berço de ideologias diferentes entre grupos na própria região.

Ou seja, viver na Roma não era nenhum pouco parecido com viver no paraíso. Tem uma excelente série de vídeos no youtube que aborda praticamente todos os pontos da Roma Antiga, com mais de 4 horas divididos em temas. Clica aqui e assiste lá um pouco por dia que vale a pena.

Cristão, Judeu ou Muçulmano?

Nessa época já havia o cristianismo. E já havia o conceito da Terra Santa que perdura até os dias de hoje. Só para ficar claro e simples, vamos dividir toda aquela região árabe em três religiões predominantes, que resumem ao Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Todas elas se baseiam em interpretações diferentes que ramificam do mesmo Deus. Há uma discussão entre teológicos nos dias de hoje se Alah e Jeová são ou não o mesmo Deus. Tem islâmico que defende que sim e que não, sem entrar em consenso comum, assim como cristãos, que podem interpretar que Deus é único para o mundo todo e que por tanto, Alah é o mesmo Deus mas os islâmicos não sabem disso. E aí, esse jogo de interpretações e a discussão polêmica gera apenas a divisão ainda mais clara entre essas religiões.

Para resumir a confusão toda: Jerusalém, que é chamada de Terra Santa, gera tanta briga porque esse conflito ideológico coloca os três pontos de vista em um mesmo lugar: Os cristãos vêm a área como sagrada porque foi lá onde Jesus foi crucificado, na igreja do Santo Sepulcro. Para os judeus, a cidade de Jerusalém é importante devido ao Templo de Salomão, onde foi guardado a Arca da Aliança, que após ser destruído, reconstruído e novamente destruído, hoje sobrou apenas o Muro das Lamentações. E por fim, os muçulmanos tem apreço por Jerusalém devido a mesquita de Al-Aqsa que é onde Maomé subiu aos céus.

Se você der uma olhadinha com calma no mapa daquela região, vai ver que as três religiões competem a mesma cidade em diferenças pequenas de distância, mas diferenças gigantescas de ideologias. Atualmente os cristãos não brigam mais pelo Santo Sepulcro (na verdade até tem uma bancada católica lá, mas sua influência é pequena) e isso é bom porque tira um pouco de todo o combustível que queima naquela região.

Só que toda essa confusão não é apenas ideológica, como também política. E agora que você já ficou claro das diferenças simplificadas de cada religião, acho que dá pra voltar um pouco mais na história para entendermos a raiz de todo o mal. E olha que vou tentar simplificar bastante, porque essa história é mais complexa do que parece.

Para ajudar a contextualizar um pouquinho mais sobre a Terra Santa que já citei, acho que vale um vídeo rápido da History Channel para abrir um pouco mais o assunto:



Qual foi a primeira religião?


Eu não vou ser polêmico, prometo. É claro que falar de religião já é naturalmente polêmico, e por tanto, vou evitar expor minha opinião sobre o assunto tratando apenas das referências históricas e teológicas que temos para pautar esse assunto. Mas, caso você queira polêmica, então assista a trilogia dos filmes Zeitgeist lançada em 2007 e diga a sua separação entre ficção e realidade daquilo que ver.

De qualquer modo, como as três religiões tem seus princípios em Abraão, então é difícil determinar qual a primeira, ou quem influenciou quem. Um dia, com fé eu faço um post para explicar a origem e história das religiões. Em resumo, daria para dizer - com certa cautela - que primeiro foram os judeus, que criaram uma vertente para o cristianismo  e só depois do século VII que o islão ganhou força. Em um escopo da UFRGS nesse link dá pra ter uma ideia geral disso e uma outra visão específica das religiões abraâmicas pode ser vista aqui.

Com esse ponto de partida da antiguidade, podemos ir lendo textos, artigos e estudos que nos levam a conclusão de que Roma sempre fez uma certa perseguição religiosa aos Judeus (já que na época o cristianismo era irrelevante e a ideia do islamismo era nula). E é fácil entender o desgosto de Roma com os Judeus, uma vez que Roma era politeísta e a ideia do monoteísmo era mal vista naquele cenário todo. E esse cenário todo precisa ser demonstrado com imagens, porque se não fica ainda mais difícil acompanhar qualquer tipo de raciocínio.

Então, vou por aqui uma imagem coloridinha das chamadas 12 tribos de Israel, como é estudado nas faculdades de teologia hoje em dia. Esse mapa mostra essa região árabe, e para fins de referência, onde há Manassés e Efraim, ali naquele miolo está Jerusalém. Dá para confrontar um pouco essa versão do mapa, com outras dezenas pelo Google, onde cada historiador vai fazer sua divisão aproximada do que seria a realidade da época. E convenhamos que é impossível ter uma validade total disso, porque as fronteiras entre as tribos não eram tão claras e delimitadas como vemos nos contornos cartográficos de um mapa.

E o importante aqui é apenas entender que isso, seja lá o que isso for, era Israel. E hoje em dia não mudou muita coisa, já que temos Egito de um lado, Jordânia de um outro Síria mais acima e as 12 tribos agora formam o estado de Israel. Mas imagine essas tribos numa época em que a divisão dos territórios não era tão didática quanto é hoje.

Vou colocar aqui na sequência um outro mapa, que é da expansão do Império Romano naquela época, e talvez com isso as coisas comecem a ficar um pouquinho mais claras.


Roma foi crescendo em volta do Mar Mediterrâneo, com sua influência política, tecnologias, cultura e etc. Na medida de seu crescimento, é natural que muitas civilizações próximas acabaram sendo incorporadas, ou caso lutassem, sucumbindo ao poder gigantesco dos exércitos romanos. Israel não tinha condições de vencer Roma, e acabou ficando ali, no gosto maltratado pelo desgosto.

Não tem como afirmar que isso foi o estopim de tudo, mas dá para afirmar que muitos fatores negativos começaram a tornar aquela região problemática. Para resumir a confusão, podemos citar que Roma resolve cobrar impostos de Israel, e depois, lá pelos anos 70 d.C. já havia os judeus de Israel que esperavam pela vinda do messias, depois o cristianismo acabou ganhando um pouco mais de influência, e por volta dessa época foi escrito o evangelho de João, que culpava a morte de Jesus pelos Judeus, de modo um pouco mais indireto. Pronto. Altas confusões nas eras antigas.

Os conflitos foram realmente causados por multi-fatores. A época das Cruzadas trouxe mais sangue e revolta, e o crescimento da Igreja Católica e a influência política deram mais lenha na fogueira da confusão. Por isso é tão complicado entender tudo aquilo. Nesse meio tempo Roma caiu, o Império Bizantino cresceu, depois acabou com a Queda da Constantinopla, e enquanto isso, Pedro Álvares Cabral ainda era um bebê que brincava na praia sem saber que com seus trinta e poucos anos descobriria o Brasil.

Por aqui tudo é paz e alegria, se comparar com esse jogo interminável de erros que ocorreu ano após ano, e século após século lá pelos meios árabes. Em citei o Brasil, só para situar que por volta de 1500 havia muita recriminação dos Judeus pelos Cristãos. E isso em toda Europa, já que com tanta perseguição, eles acabaram tendo que se espalhar e se refugiar pelo mundo como podiam.

Vou deixar um vídeo muito bom do Pirulla dando uma visão geral de todas essas entrelinhas complicadas que por si só já tornariam esse texto ainda mais gigantesco.




Resumindo o Irresumível 


O ser humano já foi nômade, já viveu em tribos, e já demonstrou em vestígios históricos que sua estupidez e gênio violento são a raiz mais primitiva de seus corações. Parece poético, mas é triste quando você olha para o passado e vê os vestígios de coisas terríveis que aconteceram incessantemente até os dias de hoje.

Como Richard Dawkins descreve em seu livro "O Gene Egoísta", há muitas evidência de que tanto nós como qualquer outro animal da terra sempre priva pela sua sobrevivência em primeiro lugar. E essa sobrevivência inclui a prioridade por alimento, um território onde possa armazenar esses recursos e o fortalecimento de quem pensa igual a você. Não é um acaso que todos as civilizações antigas tenham formado suas cidades em torno de mares ou rios como fonte de água e comida fácil. Viver é o lema de todo mundo.

E viver significou impor o poder político a custo de muito sangue derramado. Antes de todos os séculos que seguem no período medieval, é importante falar um pouquinho sobre a Era Feudal. Pois nesse período, as terras eram o que mais importava para as pessoas. Daí, imagine o que acontece quando o preconceito faz com que os judeus percam o direito às terras? Nessa onda de azar, não houve muita alternativa para os judeus se não procurarem trabalhos alternativos que na época não valiam nada devido ao sistema feudal. Depois na idade média isso se reverteu um pouco, então o vai e vem da esperança x poder nunca morre.

No cenário atual, tudo isso reflete em números bem compreensíveis. O Cristianismo, por ter influenciado a Europa e as grandes navegações, representa hoje quase 1/4 da população mundial. Em números:

  • O Cristianismo conta com 2,3 bilhões de cristãos.
  • O Islamismo conta com 1,5 bilhão de muçulmanos.
  • O Judaísmo conta com 13,4 milhões de judeus. 

É muita gente nessa história toda. E muita gente dividida por ideologias diferentes dizendo que sua religião é a certa e a outra é a errada. Mas é lógico que todas as brigas que acontecem lá no oriente médio não apenas apenas pelo viés religioso. Sobre todo esse pano de fundo que já iniciei aqui, já teríamos um dos maiores problemas da humanidade. Só que a estupidez humana parece não ter limite, e isso nos leva aos últimos 100 anos, que provam o como uma situação complicada pode sempre piorar ainda mais.

O Último Século


Do meu ponto de vista leigo sobre a antropologia, eu me atrevo a dizer que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), aconteceu por causa de birrinha de egos. Quase a mesma coisa que acontecia nos milênios anteriores, mas só que sem a desculpa de que naquela época éramos menos civilizados do que nos dias de hoje.

Daí que a Alemanha perdeu a Primeira Guerra, e anos mais tarde era justamente a Alemanha que iria desencadear a Segunda Guerra. E aí, você pode parar esse texto por alguns instantes e pensar "mas no que isso tem haver com toda a história da palestina?". Pois é, a gente tem que lembrar que o partido nazista de Hittler fazia uma perseguição aos judeus. Só que essa perseguição não é um simples jogo de sorte e azar de uma religião e outra.

Os judeus haviam crescido um pouco mais em influência pelo mundo nessa época, e isso fez com que eles despertassem ódio em muita gente, por simples motivo religioso. Surgiam então os anti-semitas, que alimentavam ainda mais esse ódio de mais de 2000 anos atrás. Quando a Segunda Guerra aconteceu, Hittler usou essa perseguição aos judeus como desculpa para expandir os territórios da Alemanha e ter a dominação mundial. Coisa de vilão clichê, eu sei. Mas o interessante nessa história é que o fim da guerra não foi o fim do ódio.

Tanto que o surgimento da Organização das Nações Unidas (ONU), teve como primeira pauta na tentativa de trazer a paz para o mundo ver o que iria ser feito com todo esse ódio. "Como resolver o ódio que ainda existe?", perguntaram alguns caras tentando encontrar uma resposta à essa questão complicada. E a resposta para isso foi basicamente desenhar no mapa uma área onde apenas os judeus ficariam, uma outra para os muçulmanos (que já vivam na região) e o ponto de maior confronto, que era Jerusalém não pertenceria a nenhum dos povos.


Essa divisão não deu certo, porque a raiva sempre é maior do que a razão. Apesar de que cada um tinha lá suas razões, então é difícil dizer quem é o certo ou errado ali, mas é fácil de entender que deixar os dois povos no mesmo lugar não tinha como dar certo. Dê uma olhada no mapa e tente entender onde fica a Palestina, e onde fica Israel. É tudo junto e misturado, cada povo com ideologias diferentes que lutam para estarem no mesmo lugar. Só por aí dá pra entender que essa guerra não tem como acabar até que um dos lados acabe totalmente com o outro.

Os últimos dias


E com o passar dos anos, começaram a surgir grupos terroristas, e essa parte da história todos nós já conhecemos. O que eu acho importante comentar, é a questão de como o estado de Israel tem se fortalecido militarmente, e com todo o apoio dos Estados Unidos, ele apenas consegue ser a grande potência naquele meio árabe. Com isso os palestinos precisam se refugiar para não morrer, e a faixa de Gaza (principal lugar dos refugiados) se torna o inferno na terra.

Vou deixar, por fim, um link para elucidar essa ideia geral resumindo as 10 principais perguntas feitas sobre todo esse conflito sem fim. Acho que vale a pena você clicar aqui. E confesso, que pensar sobre tudo isso me deu um grande desgaste e tristeza, porque eu vejo como o ser humano consegue partilhar de sua estupidez ao invés do bem comum.


Antes, entrava-se na briga apenas duas ou três civilizações porque isso era tudo o que o conhecimento humano se resumia na época. Hoje em dia pode se englobar tudo porque o conhecimento humano se resume a conhecer todos os cantos do planeta. E essas ameaças de uma terceira guerra mundial já aconteceram em vários momentos incluindo os últimos anos. Ou seja, a ilusão da paz é só o deleite dos insônios. Só que o assunto aqui eu acho que já não cabe mais nesse post. Na real, nada mais cabe nesse post.


Esse é um assunto que nunca ficará ultrapassado. Simplesmente porque a história não muda, e a guerra também não acaba.

Entre Raiva e Tristeza → Um dos posts anteriores sobre comportamento
Paradigma das Guerras → Um dos péssimos posts sobre guerras
Mundo Virulento → O apocalipse pode vir por vírus
A tríade proibida → Mais sobre religião, política e futebol

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Entre a Raiva e a Tristeza

Se você planejou uma viagem de ônibus para praia no final de semana, e no final de semana chover e você não puder ir, então aquilo gera tristeza. Por outro lado, se você planejou uma viagem e descobre que não pode entrar no ônibus porque lhe venderam uma passagem falsa, aquilo gera raiva. Perceba que nos dois exemplos o sentimento foi diferente, mas o desencadeador foi um só: o imprevisto.

Ou seja, tudo aquilo que sai diferente de como planejamos desencadeia uma frustração, que pode gerar raiva ou tristeza. Depois comento sobre o agente desencadeador da alegria e empolgação, mas para não confundir os tópicos, quero focar na parte mais incômoda nos nossos sentimentos. E para concluir esse raciocínio, queria apenas que entendesse o quanto nossa vida é atrelada a passagem do tempo. Já dizia lá no filme-não-lembro-qual que o Tempo é a cura para tudo. O tempo também delinía nosso dia a dia, e tudo o que fazemos corre sobre ele. E enquanto andamos - ou corremos - sobre o passar do tempo, existem algumas atitudes que tomamos quase sempre, como comer, dormir, pensar e planejar o que fazer.

Sempre que planejamos o que fazer, na verdade estamos criando uma expectativa sobre como o futuro irá acontecer. Se você cria uma expectativa sobre o próprio casamento e não casa, então terá que lidar com uma tristeza bem grande nas horas que pensar sobre o assunto. Se cria uma expectativa sobre o que vai comer quando abrir a geladeira e descobre que comeram tudo antes de você, terá que lidar com a raiva. E novamente, o ponto onde quero chegar é que todos os nossos sentimentos de raiva e tristeza (e muitos outros) se baseam no resultado dessa expectativa gerada, de modo que sentir alegria é ver tudo dar certo, sentir tristeza é ver dar errado e não poder fazer nada além da aceitação da falha, e sentir raiva é simplesmente ver dar errado e achar que pode resolver aquilo, ainda que não saiba como.

Raiva


Em fato, a neurociência já explica que quando sentimos raiva, aumentamos a produção de alguns hormônios - como a adrenalina - que forçam nosso cérebro a procurar a solução mais rápida possível. Difícilmente a solução mais rápida será a mais racional e eficaz, e dependendo de seu intelecto, a mais rápida pode ser simplesmente xingar ou bater. Como eu disse, xingar e bater é uma forma de usar a adrenalina que foi gerada e embora seja irracional e não resolva nada, seu cérebro pode achar que vai resolver o problema simplesmente batendo no infeliz. Afinal de contas, bater é apenas uma forma socializada do instinto primitivo de matar. Não é atoa que muitos dizem que vão matar alguém quando estão com raiva dele. Matar é a forma primitiva de se resolver um problema, pois é assim que todos os problemas são solucionados: quando o matamos, quando o removemos. Solucionar um problema é chegar ao fim dele.

É lógico que daria para abranger muito mais ao falar da raiva em si, seja dentro da neurociência ou fora dela. Ainda na neurociência, e nesse mesmo fato de que a raiva é apenas uma produção hormonal processada pelo cérebro, lembre-se que todas as suas ações durante um estado de raiva são tomadas para que essa carga extra hormonal seja eliminada. E a forma de como você fará isso dependerá de suas estabilidade emocional, que ainda vou abordar com mais calma em algum post perdido por aqui.

Tristeza

Se eu quisesse simplesmente falar de hormônios para descrever a tristeza, eu poderia comentar sobre a influencia do cortisol e o estresse que o mesmo gera, de modo que esse estresse age diretamente numa área do cérebro chamada hipocampo, que quando desregulada te deixa emocionalmente abalado - e nesse caso, negativamente. Só que eu acho que isso seria repetição demais do mesmo argumento da raiva, e nada de novo seria acrescentado.

Acho que ficou claro esse ponto, certo? Você sentirá raiva toda vez que um planejamento seu der errado e você acreditar que há uma solução para aquilo. Vou colocar aqui um conhecido - ou nem tão conhecido - modelo de Kübler Ross, que ao analisar pacientes terminais, ele conseguiu separar todos os estágios que os parentes e familiares passavam ao lidar com situações extremas como a morte. E isso pode muito bem ser encaixado nesse parêntes que abri sobre a raiva e a trieza, do qual irei contextualizar aqui:

  1. Negação: Primeiramente nós negamos o acontecimento. Ou seja, uma falha em nosso plano não vai ser reconhecida no primeiro segundo, e negaremos aquilo. Imagine quando cai a internet e você fica acessando uma página achando que ela magicamente vai abrir. E aí, como você está dentro do estágio da negação, provavelmente também irá tentar reiniciar o navegador, tentar outros navegadores e coisas simples que nada mais são do que tentativas de solucionar o problema inicial, uma vez que você o nega.
  2. Raiva: Quando nossas tentativas falham, vem a frustração. E por isso sentimos a raiva, como já expliquei aqui. A coisa deu errado, e o meio mais lógico e racional não funcionou, então se prepare para voltar dentro de um intelecto primitivo e perder a razão com coisas sem sentido. "Porque está acontecendo isso?" é o que você se pergunta e vai agir para resolver aquilo no modo mais automático possível. Matar, matar, matar...
  3. Negociação: Se por algum motivo sua raiva e a adrenalina e o lado primitivo não conseguir resolver o problema, então você cairá no estágio que eu considero o mais importante, que é quando seu lado racional volta e então é capaz de pensar em tudo de um modo amplo. É aqui que a ajuda de terceiros é bem vinda, e que outras opniões e sugestões de lidar com o problema vão ser ouvidas. Imagine um cidadão que acabou de ser assalado. Imediatamente após ele balançar a cabeça e dizer "isso não pode ter acontecido comigo", ele ficará com raiva pelos bens que perdeu e só então verá o que fazer em seguida. Onde registrar um boletim de ocorrência, quais documentos retirar segunda via, etc. E nesse estágio, você está "normal" e apto para lidar com o problema.
  4. Depressão: Se durante a fase da negociação o problema foi resolvido, então não chegaremos até aqui. Na maioria dos casos as coisas terminam por aqui mesmo, já que quando pensamos melhor a respeito a gente chega na melhor solução. Porém, se não houver uma solução e quando pensamos melhor descobrimos que não há nada a ser feito, então ficamos tristes. E a tristeza, como já disse, é apenas sua reação diante da frustração que não pode ser resolvida. Aqui você pode lidar com a esperança, recorrer ao lado espiritual ou alternativas que nunca pensou antes, mas certamente ficará cada vez mais triste conforme notar que nada da certo e que o futuro é irreversível.
  5. Aceitação: Finalmente, se o estágio anterior não o levou a morte - como era a aplicação do inicial modelo de Kübler Ross, então naturalmente haverá uma aceitação. Que é conviver com aquilo e aceitar o desfecho que não tem como ser mudado. E o interessante desse ponto, é que tudo parte de nossa perspectiva sobre como será a realidade, e quando a frustração ocorre diferente da realidade, então nosso estado muda, e aí vem raiva, tristeza e emoções que nos tiram de nosso estado emocional padrão.
É legal pra gente conhecer, mas não precisa tomar como verdade absoluta, e se quiser um contraponto, pode ver nesse vídeo aqui.

Conclusão 

Raiva e Tristeza são apenas frustrações. A tristeza é uma espécie de aceitação da sua frustração. Normalmente pessoas que são mais manipuladoras e enfáticas naquilo que fazem tendem a ser mais nervosas. Pessoas ansiosas também, pois a ansiedade é uma espécie de viver na linha do tempo.

E eu sei que esse texto ficou talvez meio aquém e meio óbvio, já que não há nada tão revelador assim para se dizer sobre esses dois sentimentos negativos. Mas tenha em mente que isso é só um esboço, pois a gama de sentimentos que um ser humano pode ter é absurdamente complexa para se encontrar em um texto de um blog como esse, principalmente se tratando de um blog que é um repositório de desilusões.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Copa do Murdo


Nada mais fácil do que perder a credibilidade com um erro de ortografia escancarado logo no título. Mas eu prometo que esse erro será justificado até o final do texto. E enquanto ele não se explica, eu te convido a conhecer um pouco de algumas conspirações legais para se falar dessa copa.


Resumo da Ópera


Eu nunca fui muito fã de futebol, e o que eu sei e acompanhei provavelmente se deve a herança de companhia ao meu pai. Mesmo reconhecendo que os jogos de futebol são muito antigos, e que certamente estão enraizados em nossa cultura, ainda assim eu não consigo ter aquela paixão por esse esporte. Não sei se é por esse motivo, ou por outros aos quais vou elucidar no decorrer desse texto, mas eu tenho uma leve impressão que falarei um monte de asneira em mais uma desilusão aleatória que visa mais confundir do que esclarecer.

Como bem dizem que um vídeo vale mais do que mil palavras, vou deixar o vídeo com um excelente compilado de polêmicas que eu acho que vale a pena, e de quebra, já me situam onde eu quero chegar no segundo ponto desse post.


Mas não se preocupe que o foco desse post está muito longe de falar sobre curiosidades da copa. Eu só estou garantindo aproveitar o espaço para falar sobre o assunto e encerrá-lo logo de início, mas depois eu prometo que paro. Mas enquanto o ritmo ainda é a parte de coisas interessantes e legais, tem um compilado legal da Folha que você pode ver clicando aqui. Ou então, se seu objetivo é a diversão, acho que vale a pena assistir cada um dos vídeos do Canal 4 Coisas, que fez um bom compilado dos piores momentos da Copa. Vai clicando aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

Futebol e Pessoas


Caso você tenha alguma curiosidade mórbida para saber sobre as origens do futebol, eu te aconselharia esse link aqui. Eu disse curiosidade mórbida porque se você ir seguindo as referências históricas, vai passear não só pela Grécia Antiga, mas também por China e povos indígenas da América do Sul. E todos eles terão em comum um alto teor de violência que me faz sentir uma certa vergonha de nossos antepassados. Certas tribos indígenas por exemplo, apostavam a vida da equipe derrotada, e a bola em jogo eram cabeças.

Mas eu não quero deixar o tom desse post tão pesado assim, afinal de contas isso é coisa de muitos anos atrás e hoje em dia vivemos numa era de paz e tranquilidade. Na realidade, a grande proposta da Copa do Mundo é simplesmente promover a paz entre os povos, não é verdade? Bom, e embora a parte teórica seja essa, o grande decorrer da história mostra que muito mais o futebol é formado por pessoas do que por um simples esporte. E pessoas você sabe como é, a essência de nossos antepassados parece que ainda está lá, angariada em algum lugar.

Hoje em dia, a função de uma copa do mundo é muito mais política do que qualquer outra coisa que possa parecer. E olha que essa não é a parte da conspiração ainda. A parte política da coisa existe porque há uma certa parte burocrática que eu desisti de tentar entender. Mas, de qualquer modo, se esse ponto de curiosidade sobre como funciona a escolha de um país para eleger a copa interessar, aconselho clicar aqui, e te pedir para que me avise se por um acaso mudar sua opinião sobre o quão esportivo imagina ser tudo isso.

Mas é lógico que se você for pensar daquela forma mais simplista, sobre as vantagens de um país sediar a copa (que não vou discutí-las por ser polêmico), então é lógico que um presidente deseja trazer a copa para seu país por uma intenção política. E é aí que começa a entrar a parte conspiratória dessa história toda.

#VaiTerCopa, Aqui no Brasil


Antes dessa Copa iniciar, muito estava se falando, e muito protesto estava sendo prometido, onde bandeiras de "Não Vai ter Copa" era defendidas por muitas pessoas. Muita gente injustiçada com o superfaturamento da copa, e toda a corrupção envolvida nisso. O vídeo do Otário Anonimous um dia antes da Copa dizendo "Vai Ter Copa" sim, foi uma boa reviravolta para explicar a parte das falcatruas envolvidas no processo, mas também dizer o porque não adianta chorar pelo leite derramado.



Não vou comentar das repercussões que esse vídeo teve, embora eu reconheça que o vídeo de apoio do Felipe Neto tenha sido bem interessante. É um tipo de vídeo que vale a pena caso você queira torcer pelo Brasil e se divertir com os jogos que virão pela frente. Agora, se você, assim como eu, quer mais alguns motivos para odiar a copa e não ver mais nenhum dos jogos, então fique confiante para as conspirações que falarei a seguir. Mas antes eu preciso fazer um tópico só para falar de algo que me incomodou muito logo nessa abertura da Copa.

Abertura da Copa do Mundo no Brasil


E com tanta polêmica em vista, é fácil começar encontrando quem fale bem e mau da copa. Cada um com seus motivos, e para ser sincero, é sempre bom tomar cuidado com qualquer que seja o lado que você esteja. Para quem discorda de tudo e quer apenas ver motivos para criticar e protestar, lembre-se que ativismo de sofá é tão ineficaz quanto sair xingando só porque não gostou. Beira a infantilidade e não resolve. Por outro lado, sair concordando com tudo tem grandes chances de realmente fazê-lo ser enganado mais facilmente, principalmente ao passo que assim como eu, você é um ser humano que está sujeito aos efeitos caóticos da chamada influência social informativa, que eu até o momento em que escrevia esse post achava que o nome correto era dissonância cognitiva, só por causa do excelente vídeo que vi usando esse termo.



Deixando esse blá-blá-blá que não leva a nada, eu acho que vou começar a apontar as principais críticas que essa Copa começou a receber, logo pela abertura. A abertura inteira foi muito criticada, principalmente porque não acrescentou quase nada de novo. Mas é necessário um pouco de cautela ao derramar toda a raiva da Copa logo na abertura, porque o processo de criação envolve vários trâmites com a Fifa, que inclui sua aprovação e burocracia, e depois um pouco mais de aprovação e burocracia. Finalmente, quando os ensaios são feitos, temos que extrair o que sobrou do dinheiro que não foi desviado e aí sim sim, no processo final de aprovação e burocracia da Fifa a abertura é feita. Então eu acho que é tudo muito complexo para se fazer uma crítica simplista e pouco elaborada.

Então, meu ponto de apoio é criticar pontos isolados dentro dessa abertura, como por exemplo aquele boicote da ciência, onde não mostraram mais do que 3 segundos daquele jovem paraplégico dando um chute inicial da copa. Teve bastante gente reclamando disso, em sites como o Tecnoblog e MeioBit e muitos outros por aí. Eu fiquei pensando que o principal motivo do boicote era só por causa da ignorância padrão que a TV sempre tenta passar às pessoas. Mas aí, no meio desse meio devaneio, achei mais uma conspiração para empacotar junto de outras conspirações à favor da desmoralização da Copa.

Na real, o dr. neurologista Miguel Nicolelis, que está fazendo seu projeto Andar de Novo, tem uma grande bancada de inimigos espalhados por aí. Gente que ficou sabendo que ele, assim como qualquer outro neurologista pesquisador, faz testes em animais para aprimorar seus projetos. Pronto, só com essa informação em mente e você já entende o porque o mar se abre entre aqueles que praguejam contra o cara. E olha que ele tem lá seus méritos. Tanto que ele tem até uma chance real de ganhar um prêmio Nobel que atualmente está mais raro do que achar político honesto.

Mas eu acho que já me estendi demais falando disso. Vou deixar um vídeo com muito mais revolta no ar do Cauê Moura falando de um compilado geral dos podres da copa que podem te ajudar a ver as coisas por um outro ponto de vista. Mas o mais legal que eu achei desse vídeo, nem foi em si dos pontos que ele comentou, e sim desse link, que é um manual de boas maneiras que todos os torcedores devem seguir dentro do estádio. E os torcedores parecem ser tratados como crianças, dizendo que eles não podem falar palavrão e nem fazer barulho. Praticamente isso, mas em outras palavras. E pra fechar a lista com as sacanagens da Fifa, dá uma olhadinha nesse outro link aqui e veja só os tipos de ingressos que eles andaram vendendo pro povo.

Conspiração


Se tratando de uma Copa do Mundo, que tipo de conspiração daria para esperar vir daqui?
Pra ser sincero, eu não gosto muito de conspirações, mas tem algumas em que eu realmente gostaria que fossem verdades, e outras que eu fico com raiva de quem pensa que é verdade. Ou seja, se você quer perder um amigo ou ganhar um amigo, falar de conspiração é a receita certa, porque certamente o seu interlocutor vai julgar toda sua inteligência com base na sua crença conspiratória, e caso esteja no mesmo time de crença dele, então você será amigo, caso contrário, fará parte de um mortal desprezível que deve caminhar sozinho para o além.


Se você gosta de teorias da conspiração, passa aqui nesse link e aumente seu repertório com umas 50 boazinhas (ou nem tanto). Mas não saia acreditando em tudo logo de cara, porque lembre-se também que o ser humano é facilmente corrompido a acreditar no mundo conspiratório. Se quiser saber o porque as pessoas acreditam tanto em teorias e mais teorias, por mais bizarras que sejam, acho que esse link pode te esclarecer. Ele fala de um experimento bem interessante feito com pombos de um cidadão aí chamado B.F Skinner.

E olha só, enrolei dois parágrafos e nem falei nada sobre quais as conspirações que estavam rolando pela copa. Eu poderia simplesmente deixar esse link aqui que faz um compilado de 10 histórias que circulam por aí. Ou então, eu poderia relembrar a última copa e dizer que as previsões assustadores daquele Polvo Paul e do maluquinho do Orkut só se confirmaram porque os resultados estavam previstos. E assim fica fácil conspirar, né?


Mas é justamente desse tipo de conspiração - a que lida com a previsão de que o Brasil já ganhou - é que eu queria expor aqui. E sabe o que é o mais legal disso tudo? É que essa conspiração pode ser levada à sério não só pelo lado político (que é o lado que o Cajuru expõe), mas também pelo lado científico, que eu vi explicado de modo excelente em um dos últimos Nerdologias que também dizem, mas pautado em previsão científica, que o Brasil vai ganhar essa copa. Vou deixar os dois vídeos na sequência, pois valem a pena.





E recentemente, o nerdcast lançou um episódio falando sobre a copa que ficou muito bom. Acho que vale a conferida lá também. E se quiser mais uma opinião avulsa sobre o assunto, eu acho que vale a pena mencionar mais um vídeo, que é de um comentarista esportivo chamado Marcos Caetano, pois assim ele pode dar um ponto de vista também favorável para a copa, depois de tantos outros ruins que já foram apresentados aqui.

E a conclusão que fica é que embora as pessoas gostem de acreditar em teorias de conspiração, elas não são tão fáceis de se mostrarem verdadeiras. Qualquer um que tenha estudado sociologia eu creio que pode dar uma explicação muito mais interessante e elaborada do que eu em um simples blog como esse. Mas mesmo assim é legal, fala a verdade? Principalmente porque os resultados é que fazem esse tipo de coisa se tornar ainda mais conspiratório do que parece. Vai que o Brasil ganha, aí sabe o que acontece?

Conspirando ainda mais...


Se o Brasil ganhar, pode esperar por alguns problemas a caminho. Na verdade, o que formenta a ideia inicial da conspiração de que a copa foi comprada é justamente o seguinte: imagine que o ex presidente Lula, quando quis trazer a Copa pro Brasil em 2014, ele já sabia exatamente que seria o ano para conseguir uma reeleição à presidente Dilma. Daí, ele acreditava que na política do pão e circo, bastava alegrar o povo com uma copa do mundo que isso motivaria o povo e faria com que a popularidade da presidência subisse ainda mais, e assim, tudo triunfaria conforme o previsto. E essa parte não é bem conspiração, já que não é fácil deduzir esse tipo de estratégia política até para quem não entende quase nada de política (como eu).

O imprevisto no meio da caminhada aconteceu porque ninguém iria imaginar a onda dos protestos do ano passado. E esse aeon de "O Gigante Acordou" parece que surtiu um efeito colateral muito grande, porque todo o processo da copa não foi bem visto pela maioria das pessoas. Todo mundo estava criticando o investimento absurdo feito em estádios enquanto a saúde ou a educação ficavam para escanteio. Pelé foi considerado o novo poeta calado com aquela sua declaração pífea dizendo que não se faz uma copa com hospitais. Enfim, deu uma boa reviravolta, que eu acredito que não estava nos planos estratégicos iniciais.

O que realmente faz todo o sentido do mundo é que para o poder atual do governo é importante que o Brasil ganhe a copa, pois isso causaria uma espécie de efeito de esquecimento nas pessoas, que estariam felizes com a vitória e reverberando uma conquista. Agora se o Brasil perde a copa, então esse efeito vem justamente do modo oposto, onde as pessoas pensam: "foi gasto tanto dinheiro nessa copa, e nem ganhamos". Ou seja, aí o calo aperta. Por isso que surgiu a conspiração, e novamente frisando, isso não significa que a conspiração seja verdadeira, apenas que ela tem motivos para ser criada, e que é por isso que tem gente repetindo ela por aí.

Mas e qual a sua opinião sobre tudo isso? Tem algum sentido alguma coisa do que eu falei? Apesar que pouco deve importar, pois nossa imagem fora do país não anda muito boa mesmo...




E eu já ia esquecendo de dizer o porque o título desse post está errado né? Pois é, na verdade era pra ser um trocadilho com a palavra "Murderer", mas eu vi que não fez o menor sentido e nessas horas era melhor ter ficado na ideia de que foi simplesmente um erro ortográfico. Mas eu não acho que a Copa é algo assassino, mas sim que o fato da FIFA querer comprar o direto de uso da palavra COPA DO MUNDO seja sim um assassino à nossa derradeira língua portuguesa.

Uma Revolução do Brasil → uma visão superficial dos protestos de 2013
Conspirando contra RFIds → Mais um post sobre conspirações
Carnaval → Uma opinião aleatória sobre o carnaval
Corrida dos Ratos → Uma ideia do porque a gente é pobre
Na sua opinião, quem será o campeão dessa copa?