terça-feira, 1 de novembro de 2011
O Paradoxo da Confiança
Imagine uma aventura qualquer envolvendo uma dupla qualquer. Diremos que essa dupla é formada por um homem e uma mulher aleatórios. Por ser uma aventura, então vamos avançar ao climax dessa história e considerar os vilões perseguindo o casal heróico por uma estrada. Os motivos aqui pouco importam, mas para fins de contextualização, vamos imaginar os caras-maus com alguns carros potentes, fazendo de tudo para tentar se aproximar mais dos bonzinhos, e se isso acontecer será o fim, pois eles estão furiosos e não querem conversa.
O casal está em algum carro, deixando a adrenalina correr mais do que eles, ao ponto que alguma musica de ação toca no fundo. Agora imagine que essa estrada termina em um desfiladeiro. Sim, clichê, eu sei. Mas ainda não é esse o ponto.
De repente, ela é a primeira a avistar o desfiladeiro e imediatamente avisa o homem para que o mesmo pare o carro. Ele tem uma escolha de acreditar nela ou não, simples assim. O simples poderia ser um pouco mais complicado, se ele respondesse da seguinte forma:
_Consigo ver daqui, mas também consigo ver uma ponte cruzando o desfiladeiro. Você consegue ver?
_Não. - ela diria com sinceridade, e para não arriscar a vida de ambos em algum tipo de miragem, ela recomenda que parasse o carro mesmo assim, para que não corram riscos.
Até o momento, o jogo de confiança de ambos se mantém instável, cada um com seus argumentos baseados em uma incerteza. Eis que ele o homem retruca:
_Temos mais um motivo para acelerar o carro, pois caso a ponte realmente não exista, então usaremos a velocidade para saltar de um lado do abismo até o outro, e enfim estaremos sãos e salvos.
_Mas você não sabe a distância do disfiladeiro! - retruca a moça tingindo-se de pavor. Pare o carro, por Deus!
O lado sútil e diplomata da mulher dessa história simplesmente acha que continuar naquela estrada é loucura, e seu desespero à cega diante da convicção oposta do mocinho.
Novamente são escolhas. Parar o carro e se ver obrigado a encarar inimigos dispostos a lhe matar, ou então, tentar uma atravessia arriscada daquele desfiladeiro cuja falha também levaria a morte.
Onde entraria a confiança? A quem se daria a razão da confiança diante de algo que é incerteza para ambos? Se fosse uma análise lógica, então a mulher provaria sua confiança se aceitasse a atravessia pelo abismo, já que ele oferece uma alternativa de sucesso e ela não.
Mas isso poderia ser uma decisão mais trágica. Bastaria ela dizer:
_Eu sei uma forma de lidar com os inimigos. Tenho certeza que podemos reverter a situação com uma proposta irrecusável a eles. Não tenho tempo para explicar agora, mas lhe peço que pare o carro e deixe tudo comigo.
Ele retruca por um instante:
_Mas eu também tenho certeza de que conseguiremos saltar o penhasco e nos livrar para sempre de nossos inimigos.
Como saber qual é a decisão que levaria ao sucesso? Par ou ímpar, talvez? Mas, seja lá o que aconteça no futuro, é um fato que ambos terão que lidar com o trágico paradoxo da confiança: Se a decisão tomada levar ao sucesso, será que a outra decisão poderia ser melhor? Ou caso haja um fracasso, será que foi culpa daquele que não confiou no outro, ou do outro que acreditou naquele?
Como todos os paradoxos desse mundo, a resposta não é fácil. Mas eu facilitarei o final dessa história: Caso o resultado fosse um fracasso, ambos estariam mortos, e até a morte não confiaram em ninguém. Caso resultado fosse um sucesso, a confiança para com o dono da idéia aumentaria, e em uma ocasião futura - talvez na continuação dessa aventura clichê - a confiança poderia ser mais cega, e com isso, criar um fracasso.
Mas vamos considerar, por outro lado, que estamos aqui falando de uma história clichê, não é? E nessas histórias, como sabemos, o casal heróico não morre no final. Então, o fracasso poderia não levar nenhum dos dois à morte, e sim à algum outro problema para resolverem. Será que, caso a travessia do penhasco falhasse e ambos se machucassem, a mulher culparia o homem pelo erro, que a principio foi relutado por ela? E se fosse o contrário: o plano infalível da mulher não fosse tão infalível assim... poderia o homem crucificá-la pela decisão tomada?
Acho que a dificuldade que muitos tem para assumir os erros iria levar essa história à uma discussão sem sentido. Ou pior: a falta de compreensão alheia nos reprime em nosso egoísmo, e com isso, ambos se tornam cegos o suficiente para notarem que no meio daquela estrada mortal, havia uma placa apontando o atalho para a cidade.
E aí, a mãe de algum deles diria no final: "Eu te avisei..."
Esse post é a primeira parte de um próximo tema que pretendo abordar, sobre as desilusões das certezas. E confiar, ou deixar de confiar, é exatamente a mesma coisa sobre alimentar uma certeza ou deixá-la se destruir por dúvidas. Enquanto eu me destruo com dúvidas, você pode se destruir com algumas certezas, como por exemplo: o filme contágio pode ser real, o amor é belo (mentira, ele pode ser ruim), e outras coisas. Se chegou a ler isso, você pode dar essa certeza postando um comentário. Não se preocupe: não duvidarei caso o fizer. =D
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Salve os Insetos, Salve o Mundo.
Que tal pelo menos três motivos para saber como os insetos "salvarão" o mundo? Deixando de lado a parte da moda e beleza de alguns, nada disso muda o fato de que eles podem te salvar no futuro. Sério.
Um dos heróis favoritos que fizeram parte de minha infância foi Kamen Rider, que eu sempre tentava encontrar uma ligação com aqueles chinelos Rider. O máximo de ligação que encontrei foi: "pessoas usam chinelos para matar insetos". Irrelevâncias a parte, esse post é um pequeno resumo sobre a provável inversão de valores atuais envolvendo os animais comuns, os animais humanos e osheróis insetos. Se você ainda não entendeu a estranha relação desses tópicos, já adianto que tem muita gente importante de olho nesses aspectos para uma possível salvação do planeta. Em outras palavras, Kamen Rider acabou de se tornar muito mais legal do que na época de exibição na Tv.
O Fim da Fome Mundial
Certos países acham natural comer insetos. Mesmo aqui no Brasil, comer içás (tanajuras) era comum décadas atrás e ainda é em certas regiões do país. Para quem não ligou o nome à coisa, içás são formigas que tem como sonho de infância voarem. Eu não sinto vontade de comer formiga porque a cultura atual influenciou meus gostos de modo a depravar qualquer tipo de inseto com sabor gastronômico.
Dê uma lida no artigo "Comer inseto faz mal?" da revista super interessante e veja algumas receitas para abrir seu apetite. (sim, isso foi ironia minha!)
Bom, mas até aí dizer que os insetos podem acabar com a fome do mundo inteiro parece pretensioso demais, não é? Na verdade não. Pois por terem uma taxa de multiplicação elevada e gastarem menos recursos para criação, é mais fácil (e barato) distribuir insetos de graça para quem tem fome do que muitos outros produtos industrializados. E se você quiser saber se essa idéia/moda está causando algum impacto real, é simples: Faça periodicamente uma pesquisa no google por "sociedade protetora dos insetos" (inclusive entre aspas) e fique atento quando o número de páginas de resultados sair das míseras três atuais e explodir em manifestos pelo mundo inteiro em pról dos direitos insetivos.
O Fim do Aquecimento Global
Mesmo que alguns Insetos possam ter um valor nutri-titiv-adequado, vale a pena lembrar que essa transição de cardápio não é rápida. Até que matadouros de insetos substituam os matadouros de bois e porcos, levaria um longo tempo, e dificilmente seria um substituto, ao menos que todos os outros animais entrassem em extinção ou as pessoas tomassem consiência que a vida de um animal deveria ser considerada como uma vida e não como um objeto de indústria.
Mas, avaliando o outro lado dessa história, os impactos ao longo dos anos seriam bons. Pelo menos foi o que eu li aqui, que dizia inclusive do poder dos insetos para salvar o mundo do aquecimento global.
O fato é que para se manter uma produção desses animais grandes, como gados, por exemplo, o gasto é alto. E o gasto é alto principalmente para o planeta, que sofre com queimadas em troca de novos pastos, e gás carbônico expelido por máquinas e animais, e outras coisas que não ajudam em nada a inverter a tal preocupação do início desse século.
Eu ainda sou contra a criação de qualquer tipo de vida com intuitos de sacrifícios. Sejam animais ou insetos. Mas, se isso fosse inevitável, então certamente valeria apenas apostar em algo que não exija tanto do planeta. Ou, em outra hipótese mais radical, um voto para o canibalismo. #NOT.
Geração infinita de Energia
Enquanto fazia uma pesquisa por insetos, acabei comprovando (mais uma vez) aquela velha teoria de que temos muito a aprender com os outros seres vivos do planeta. E nesse caso, vou copiar e colar esse pequeno trecho que tirei desse link.
Na verdade, isso me lembra o caso daquele garoto que, ao observar as plantas, teorizou que talvez a forma de como as folhas e galhos das árvores eram dispostos poderiam não ser daquele jeito por um mero capricho da natureza. E, tentando criar um pequeno dispositivo que imitasse uma árvore, ele conseguiu com êxito descobrir uma forma de melhor aproveitamento da captação de energia solar.
O mais interessante dessa matéria é que ela também reforça aquela história do número de ouro e a razão áurea, que eu comentei por cima em um post sobre dança do salão (que ligação bizarra, ein?).
Cura para Aids?
Esse foi o único item que mais me pareceu ser somente um hoax mal distribuído pela internet, onde diziam da possibilidade de existir uma certa substância nas baratas que poderiam ser benéficas no tratamento do HIV. Talvez você até já tenha recebido tal texto ou lido sobre o mesmo em algum site de notícias duvidoso, que vou replicar agora:
Eu até tentei pesquisar o quão verdadeira poderia ser essa informação, mas não vi nada sobre o assunto na Agência Nova China, e logo depois disso, uma busca pelo tal Instituto Médico de Yunnan não me trouxe muitas informações à respeito. Só descobri que Yunnan realmente está localizado lá no sudoeste da China, mas até aí, boatos continuam sendo boatos.
Conclusão
Se os dinossauros deixaram sua era para a habitação de raças menores como a nossa, nada impede que outras raças ainda menores povoem o planeta no futuro. Até porque, acredito que mesmo que não houvesse um meteoro para exterminar com osrepitilianos gigantes, ainda assim a seleção natural iria matá-los porque o equilibrio entre presa e predador rapidamente iria acabar se os carnívoros multiplicassem com a velocidade que vinham se multiplicando.
Daí, depois que os humanos terminarem de esgotar todos os recursos naturais, quanto menor for o tamanho de sua raça, mais facilidade terá de sobreviver, já que precisará de menos recursos para se manter. Ainda assim, mesmo que outras raças entrassem, somente as bactérias e os insetos estão aí evoluindo e permanecendo inteiros eras após eras.
Um dos heróis favoritos que fizeram parte de minha infância foi Kamen Rider, que eu sempre tentava encontrar uma ligação com aqueles chinelos Rider. O máximo de ligação que encontrei foi: "pessoas usam chinelos para matar insetos". Irrelevâncias a parte, esse post é um pequeno resumo sobre a provável inversão de valores atuais envolvendo os animais comuns, os animais humanos e os
O Fim da Fome Mundial
Certos países acham natural comer insetos. Mesmo aqui no Brasil, comer içás (tanajuras) era comum décadas atrás e ainda é em certas regiões do país. Para quem não ligou o nome à coisa, içás são formigas que tem como sonho de infância voarem. Eu não sinto vontade de comer formiga porque a cultura atual influenciou meus gostos de modo a depravar qualquer tipo de inseto com sabor gastronômico.Dê uma lida no artigo "Comer inseto faz mal?" da revista super interessante e veja algumas receitas para abrir seu apetite. (sim, isso foi ironia minha!)
Bom, mas até aí dizer que os insetos podem acabar com a fome do mundo inteiro parece pretensioso demais, não é? Na verdade não. Pois por terem uma taxa de multiplicação elevada e gastarem menos recursos para criação, é mais fácil (e barato) distribuir insetos de graça para quem tem fome do que muitos outros produtos industrializados. E se você quiser saber se essa idéia/moda está causando algum impacto real, é simples: Faça periodicamente uma pesquisa no google por "sociedade protetora dos insetos" (inclusive entre aspas) e fique atento quando o número de páginas de resultados sair das míseras três atuais e explodir em manifestos pelo mundo inteiro em pról dos direitos insetivos.
O Fim do Aquecimento Global
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| Inseto mais barulhento da terra, e ainda assim, um humilde herói |
Mas, avaliando o outro lado dessa história, os impactos ao longo dos anos seriam bons. Pelo menos foi o que eu li aqui, que dizia inclusive do poder dos insetos para salvar o mundo do aquecimento global.
O fato é que para se manter uma produção desses animais grandes, como gados, por exemplo, o gasto é alto. E o gasto é alto principalmente para o planeta, que sofre com queimadas em troca de novos pastos, e gás carbônico expelido por máquinas e animais, e outras coisas que não ajudam em nada a inverter a tal preocupação do início desse século.
Eu ainda sou contra a criação de qualquer tipo de vida com intuitos de sacrifícios. Sejam animais ou insetos. Mas, se isso fosse inevitável, então certamente valeria apenas apostar em algo que não exija tanto do planeta. Ou, em outra hipótese mais radical, um voto para o canibalismo. #NOT.
Geração infinita de Energia
Enquanto fazia uma pesquisa por insetos, acabei comprovando (mais uma vez) aquela velha teoria de que temos muito a aprender com os outros seres vivos do planeta. E nesse caso, vou copiar e colar esse pequeno trecho que tirei desse link.
Pesquisadores da Penn State University, nos Estados Unidos, descobriram que o formato dos olhos das moscas é perfeito para captação de energia solar. As córneas das moscas varejeiras, aquelas mais nojentas de todas, são os melhores, pois eles são compostos de diversas lentes côncavas de formato hexagonal. Eles captam muito mais luz do que uma simples superfície plana.
Na verdade, isso me lembra o caso daquele garoto que, ao observar as plantas, teorizou que talvez a forma de como as folhas e galhos das árvores eram dispostos poderiam não ser daquele jeito por um mero capricho da natureza. E, tentando criar um pequeno dispositivo que imitasse uma árvore, ele conseguiu com êxito descobrir uma forma de melhor aproveitamento da captação de energia solar.O mais interessante dessa matéria é que ela também reforça aquela história do número de ouro e a razão áurea, que eu comentei por cima em um post sobre dança do salão (que ligação bizarra, ein?).
Cura para Aids?
Esse foi o único item que mais me pareceu ser somente um hoax mal distribuído pela internet, onde diziam da possibilidade de existir uma certa substância nas baratas que poderiam ser benéficas no tratamento do HIV. Talvez você até já tenha recebido tal texto ou lido sobre o mesmo em algum site de notícias duvidoso, que vou replicar agora:
De acordo com a Agência Nova China, cientistas do Instituto Médico de Yunnan, no sudoeste do país asiático, afirmam ter encontrado nas baratas componentes químicos que podem auxiliar na luta contra a aids, pois possuem efeitos similares aos do AZT. Os testes conduzidos em laboratório mostraram que a descoberta pode ser realmente eficaz, porém o grupo ainda não garante se os insetos poderão ser usados para produção de medicamento.
Eu até tentei pesquisar o quão verdadeira poderia ser essa informação, mas não vi nada sobre o assunto na Agência Nova China, e logo depois disso, uma busca pelo tal Instituto Médico de Yunnan não me trouxe muitas informações à respeito. Só descobri que Yunnan realmente está localizado lá no sudoeste da China, mas até aí, boatos continuam sendo boatos.Conclusão
Se os dinossauros deixaram sua era para a habitação de raças menores como a nossa, nada impede que outras raças ainda menores povoem o planeta no futuro. Até porque, acredito que mesmo que não houvesse um meteoro para exterminar com os
Daí, depois que os humanos terminarem de esgotar todos os recursos naturais, quanto menor for o tamanho de sua raça, mais facilidade terá de sobreviver, já que precisará de menos recursos para se manter. Ainda assim, mesmo que outras raças entrassem, somente as bactérias e os insetos estão aí evoluindo e permanecendo inteiros eras após eras.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O nosso único cúmplice
Um post bem longo, e chato. Esteja avisado. Para quem não gosta de ler, obrigado por ler essa linha e parar aqui.
...
Queria apenas compartilhar uma idéia. Uma visão um pouco diferente de nós mesmos, e que como tenho certeza, é a relação mais forte e importante que temos ao longo da vida. Conhecemos pessoas, aprendemos habilidades novas e até mudamos nossa personalidade com o passar dos anos. Mas, o que é a tal "essência" que dizem nunca mudar? Como mais uma analogia perdida no mundo, queria separar a nossa consciência e a nossa inconsciência para entender algumas coisas.
Então, vamos considerar que você é um cidadão, que desde quando veio ao mundo, é formado apenas por uma consciência que deseja fazer aquilo que quer, ou que nem sabe ao certo o que quer. Você sozinho não poderia ir muito longe, e por isso vive em algum meio social. Mas, se não houvesse ninguém ao seu redor, ainda assim estaria vivendo?
A resposta não é simples, pois a solidão pode ser encarada de muitas formas, seja por nós mesmos, por pesquisas isoladas ou a ciência de um modo geral. Afinal de contas, não podemos nascer sozinhos, mas experimentamos a solidão em muitos momentos. Alguns sentem-se mal quando sós, e outros, mesmo entre multidões continuam se sentindo sós.
Mas esse não é exatamente o ponto que quero abranger aqui. O meu ponto, como disse no início, é sobre a nossa "essência". Uma parte dentro de cada um nós que sempre vive sozinha, e que é responsável por determinar cada passo de como é o presente e como será no futuro. Estou falando, obviamente, daunimente subconsciência.
Ela é toda confusa, e até a hoje ninguém conseguiu extrair todas as respostas dela. Hormônios e substâncias malucas que deixam alguém assim ou assado? Doses descontroladas de estrogênio ou testosterona que fazem transversões naturais de sexualidade? Pois é, para mim tudo isso seria muito mais simples se a teoria da estante das emoções fosse verdadeira.
Para exemplificar, vamos partir de uma idéia muito simples: Como eu disse, você é você. (dã?) Mas seu subconsciênte é algo totalmente separado, que inclusive mora na sua própria casa e paga as próprias contas e tem suas crises e necessidades específicas. A única diferença para as demais pessoas desse mundo, é que ele é um grande amigo bibliotecário que trabalha só para você. E não, ele não se chama kindle, ibooks, e nem google, ainda. Por enquanto ele vive somente para atender exclusivamente, e em tempo integral, sua pessoa. Uma espécie deescravo seu amo. Vamos dizer que ele seja, o seu melhor e único amigo para a vida toda.
O Dono da Biblioteca
Esse bibliotecário não tem poderes de previsão de futuro, e por isso ele tenta lhe dar conselhos com base nos livros que você mais lê e gosta.Muitas vezes Às vezes ele erra, e as vezes, acerta. Só que existe um pequeno porém: Além de bibliotecário, esse amigo imaginário também organiza uma estante de livros para você, e com o tempo ele começa a lhe impor o que você tem que ler e o que tem que deixar de ler.
Vamos só fazer um parenteses: Para ficar claro, por mais metalinguístico que seja explicar a metáfora dentro da metáfora, todo o material literário equivale a soma de suas experiências. Tudo o que vê, sente, cheira, escuta e intui se tranformam em uma coisa sólida e material que, naturalmente, são os tais livros que se adquire (ou compra?) pelas ruas, pelo caminho que é mais longe e menos familiar do que o próprio lar. Pode até demorar um pouco para somar os primeiros materiais, mas eles somam, ainda bem cedo, e quase sempre pela chuva de influências nas mãos que te levam fora do berçário.
Até agora nenhuma novidade, afinal de contas, quando você ainda é criança isso é natural. Todo mundo tenta impor coisas àquela mente inocente, e até seu amigo - tão inocente e ignorante quanto tu - também fica lhe impondo idéias do que fazer. Na minha teoria, ele não suporta olhar ao redor e ver a estante pegando pó, e por isso, sai fazendo milhares de perguntas e gritando para você puxar um bloquinho de anotações e explorar tudo onde puder.
Quanto mais coisa se aprende, mais rápido e poderosa fica a estante, e já que tudo em excesso é ruim, isso também não deixa de ser diferente: Seu bibliotecário pessoal que encher a biblioteca de coisas legais pra você, mas ele mesmo não tem muito tempo pra ficar aprendendo com tudo aquilo, já que por desconhecer muita coisa, é mais fácil ele fazer uma cara de zé ninguém e ir deixando tudo lá no fundo. Eu espero, sinceramente, que exista muita sorte para que pelo menos ele seja bem organizado e seletivo quando precisar achar algo lá. No começo, só com historinhas da Turma da Mônica é fácil e divertido criar uma coleção com todos os exemplares.
Mas ninguém está parado no tempo, e o tempo, passa. As brincadeiras e todas as coisas que você ganhou e levou para a biblioteca já começam a pegar pó, e pouco a pouco são encaixotadas, as vezes até escaneadas e amazenadas na internet para uma busca rápida posterior, mas na maioria das vezes, o tal bibliotecário é que fica com o trabalho pesado. Enquanto ainda não há muito sobre o que refletir da vida, cabe ao bibliotecário ficar levando caixas de um lado pra outro, fazendo uma limpeza rápida para jogar alguma coisinha fora, e enfim... Na fase da adolescência você está muito mais por conta própria, jogando todas as porcarias de livros que acha pelo caminho e dando pro coitado do bibliotecário.
Sabe de uma coisa, acho que na adolescência o mais fácil mesmo é ir pegando as coisas e depois montar um pacote e despachar nos correios. Hoje em dia a gente ainda envia um email pra ele, cheio de links pra download, e o coitado lá que se vire para organizar tudo depois. Ele é eficiente e bondoso até demais, na minha opinião. O problema é quando você tropeça e volta lá pra dar um oi ao seu velho e inseparável amigo.
Não é atoa que depois de atingir a vida adulta as mudanças se tornam mais difíceis. Nesse ponto, sua estante já está bem abarrotada de coisas, e seu bibliotecário pessoal começa a ter dificuldades para organizar tudo. Milhares de aprendizados, enciclopédias e anotações soltas no meio de páginas avulsas. Sabe o que é mais grave, principalmente ao entrar na fase adulta? É que quando você traz um livro novo para ele, seu humor está sempre diferente. Às vezes você acha um papelzinho na rua e entrega pro bibliotecário com um sorriso bobo no rosto. Às vezes, aparece com uma cara de nojo, em outras, vêm com umas revistinhas de piadas toscas que tem vergonha de mostrar pra ele. Isso quando são só revistinhas de piadas. No meio de tanta coisa legal e inútil que você vai acumulando, tem vezes que o livro que traz nas mãos vem junto de tristeza ou raiva.
Ah, as emoções. Uma criaturinha tão fofa quando nasce que no dia-a-dia age como santo. Então um pouco de paixão e aquela criatura, já crescida, volta pra infância. Se engasga com pouco de ganância e cria arrogância. Essa criatura estranha, que ao ter o ego amaciado vira uma heroína ou vilã. E quando chega a fúria? Dúvido ser capaz de pensar que algum dia ela foi boazinha; parece que nasceu pelo orifício errado. As emoções, mesmo que passageiras, são capazes de mudar tanto alguém, que gera surpresa àqueles ao seu redor. Ou, não necessariamente só àqueles ao seu redor...
Óbviamente, o tal bibliotecário, que é muito seu amigo, se assusta. Ele vê você chorando, e não entende ao certo o porque de tantas lágrimas, mas então, ali ele nota o livro que deixou para ele em cima do balcão. Se esse bibliotecário fosse mais esperto, ele poderia jogar o tal livro ruim fora e pegar um daqueles de piadinhas pra tentar te animar. Mas ele não faz isso, e sabe porquê? Porque ele também quer ler o conteúdo daquele livro com muito mais afinco que você, pois ele acha que somente assim pode te ajudar. Somente sabendo o que causa uma doença é que ele imagina ser capaz de propor a cura. Ele quer dar uma de sabichão e pesquisar os sintomas no Google. E sabe onde raios tem algo errado nisso? ELE NÃO É MÉDICO!
Esse seu amigo, pode ser o mais inteligente de todos, pode até ter lido vários livros de medicina, mas ele é um bibliotecário e não um médico. Ele pode tentar enfiar doses de remédio placebo na sua veia enquanto fica lá olhando nos catálogos e procurando por motivos que ele acha que são os responsáveis por tal coisa. Ele acha que sempre vai ter um conselho pronto para resolver todos seus problemas.
Mas o maledito não consegue. E pior do que isso, ele fica com receios de que você traga novos livros ruins para sua biblioteca, e os começa a empurrar para ler novamente, como que se dissesse: "Já tenho esse aqui, não precisa me trazer outro parecido". Um dos dois, certamente ainda preso na parábola do tempo, não compreende que algo que aconteceu uma vez não necessariamente vai acontecer denovo. Falando nisso, acho que os dois são incoerentes nesse ponto: Porque um quer empurrar a história fracassada para que tal erro cometido sirva como aprendizado, mas o outro, mais inconsequente que o primeiro, quer provar para si mesmo que a história fracassada do momento é mais importante do que aquela já lida. E aí sofre-se tudo novamente. Lá se vãos os dois discutir a teoria a derrota, embora - felizmente - ainda acredito que grande maioria consiga discutir os assuntos lidos sem necessariamente revivê-los novamente. Reviver um sentimento bom é uma coisa, mas reviver um sentimento ruim? Sinceramente isso é próximo demais da loucura doentia e destrutiva.
Bom, onde estávamos? Ah, sim, eu dizia que às vezes seu amiguinho, mesmo querendo seu bem, acaba piorando as coisas, e até baixando sua confiança. Chega um momento a la Tyler Durden, que um vira para o outro e diz: "Belém, belém, nunca mais fico de bem. E corta aqui".
E como é de se esperar, cada bibliotecário pessoal tem sua personalidade própria. Geralmente, por alguma coincidência, sei lá, ele se parece muito com você. Mas, mesmo com gostos parecidos (e alguns bem questionáveis) ele pode ser mais agressivo, mais submisso, mais tolerante... enfim, ele tem lá suas variações de humor também.
Mas atenção: Não confunda a mudança de humor com a mudança de emoção. O seu humor pode mudar para um estado odioso, mas o combustível acaba tão rápido quanto começou. Agora uma emoção de ódio, por se alimentar dela mesma e de uma situação ao redor, não se extingue tão fácil. O mesmo vale para emoções boas; alguém que acordou apaixonado fica bobo num dia, mas quem está apaixonado fica bobo todos os dias.
Como eu dizia, os bibliotecários acordam bobos... na verdade, eles tem um humor bem variável de acordo com o seu, mas não necessariamente uma personalidade parecida. Eles podem, como eu já havia dito, serem eternamente brincalhões, medrosos, compreensíveis... enfim, isso não é exatamente você que escolhe. Até tenho uma teoria sobre isso, mas deixamos para outra hora para não deixar esse post ainda mais confuso e longo do que já está.
Acho - com alguns entretantos - que o melhor tipo de bibliotecário é aquele mais tranquilo e tolerante, pois ele confia mais em você e não se importa muito em ficar relendo cada livro que tráz para bisbilhotar tudo o que anda aprendendo. Ouvi dizer que alguns até saem junto contigo para aprenderem experiências ao mesmo tempo, embora isso seja raridade.
A maioriasendentária fica sentado atrás de um balcão esperando pelo seu retorno ao anoitecer para colocar o papo em dia. Pelo que já percebi, quanto mais agitada é a vida de uma pessoa, menos ela tem tempo para colocar essa conversa em dia, e menos dependente dos conselhos do bibliotecário ela se torna. Ser impulsivo, agir por instinto, seguir a razão e a emoção ao mesmo tempo. Tem muita gente que é assim, e deixa o coitado do bibliotecário parecendo pronto para acertar as contas no setor de RH.
Agora as pessoas mais cuidadosas também são um problema muito sério. Elas andam um pouco, geralmente não muito longe, e voltam várias vezes por dia para ver como está o bibliotecário. Na verdade, elas voltam mesmo para pedir conselhos, pois confiam mais nele do que nelas mesmas. Esse tipo de gente, que por fora parece normal, por dentro é um novelo de lã completamente emaranhado. Elas buscam tantas visitas à biblioteca que enlouquecem com tanta informação, e muitas vezes, informação velha e ultrapassada, já que só se coloca livro novo na biblioteca quando se traz de longe. Mas elas não vão longe, e esse é o problema...
Será que todo mundo sabe como anda prestando as contas com seu bibliotecário? Será que ele, depois de tanto tempo de convívio, realmente gosta de você? Eu posso dizer que para algumas pessoas, ele já desistiu de ser prestativo faz tempo. Para outras, ele se esconde quando vê você chegar, e quando vê que não tem jeito, solta um resmungo baixo: "Lá vem ele denovo! Aff!"
E então, como acha que está indo a sua amizade com o bibliotecário? Ah, e nem adianta perguntar pra ele, porque o coitado já vive ocupado demais em organizar todos seus livros e ainda te conselhar quando está sozinho. Então tente avaliar por si só, longe dele, como está esse "relacionamento". Só se lembre de uma coisa: Faça o que fazer, ou pense o que estiver pensando, jamais, e em hipótese alguma, o tenha como seu inimigo. Ele é o único que sabe verdadeiramente como te destruir para sempre.
...
Esse post, na verade não era para ser tão gigante. Ele faz parte de um texto antigo que eu tinha escrito intitulado "estante de emoções", que é beem mais curto do que esse. Outro dia, quem sabe, eu posto aqui. E só um detalhe sobre o texto: A teoria do bibliotecário não tem nada a ver com problemas de múltipla personalidade, como por um instante pode parecer. Por mais maluco que seja, toda essa idéia seria referente à uma pessoa "normal".
Se discorda de algo - eu espero que sim - por favor, comente. Ou, caso concorde com alguma coisa, então diga como acredita que seja sua relação com o subconsciente, ou mesmo se já parou para pensar nisso. Aliás, se você leu esse texto extremamente grande e cansativo, por favor me diga, para que possa agradecê-lo (ou desculpá-lo) pelo tempo postergado.
...
Queria apenas compartilhar uma idéia. Uma visão um pouco diferente de nós mesmos, e que como tenho certeza, é a relação mais forte e importante que temos ao longo da vida. Conhecemos pessoas, aprendemos habilidades novas e até mudamos nossa personalidade com o passar dos anos. Mas, o que é a tal "essência" que dizem nunca mudar? Como mais uma analogia perdida no mundo, queria separar a nossa consciência e a nossa inconsciência para entender algumas coisas.
Então, vamos considerar que você é um cidadão, que desde quando veio ao mundo, é formado apenas por uma consciência que deseja fazer aquilo que quer, ou que nem sabe ao certo o que quer. Você sozinho não poderia ir muito longe, e por isso vive em algum meio social. Mas, se não houvesse ninguém ao seu redor, ainda assim estaria vivendo?
A resposta não é simples, pois a solidão pode ser encarada de muitas formas, seja por nós mesmos, por pesquisas isoladas ou a ciência de um modo geral. Afinal de contas, não podemos nascer sozinhos, mas experimentamos a solidão em muitos momentos. Alguns sentem-se mal quando sós, e outros, mesmo entre multidões continuam se sentindo sós.
Mas esse não é exatamente o ponto que quero abranger aqui. O meu ponto, como disse no início, é sobre a nossa "essência". Uma parte dentro de cada um nós que sempre vive sozinha, e que é responsável por determinar cada passo de como é o presente e como será no futuro. Estou falando, obviamente, da
Ela é toda confusa, e até a hoje ninguém conseguiu extrair todas as respostas dela. Hormônios e substâncias malucas que deixam alguém assim ou assado? Doses descontroladas de estrogênio ou testosterona que fazem transversões naturais de sexualidade? Pois é, para mim tudo isso seria muito mais simples se a teoria da estante das emoções fosse verdadeira.
Para exemplificar, vamos partir de uma idéia muito simples: Como eu disse, você é você. (dã?) Mas seu subconsciênte é algo totalmente separado, que inclusive mora na sua própria casa e paga as próprias contas e tem suas crises e necessidades específicas. A única diferença para as demais pessoas desse mundo, é que ele é um grande amigo bibliotecário que trabalha só para você. E não, ele não se chama kindle, ibooks, e nem google, ainda. Por enquanto ele vive somente para atender exclusivamente, e em tempo integral, sua pessoa. Uma espécie de
O Dono da Biblioteca
Esse bibliotecário não tem poderes de previsão de futuro, e por isso ele tenta lhe dar conselhos com base nos livros que você mais lê e gosta.
Vamos só fazer um parenteses: Para ficar claro, por mais metalinguístico que seja explicar a metáfora dentro da metáfora, todo o material literário equivale a soma de suas experiências. Tudo o que vê, sente, cheira, escuta e intui se tranformam em uma coisa sólida e material que, naturalmente, são os tais livros que se adquire (ou compra?) pelas ruas, pelo caminho que é mais longe e menos familiar do que o próprio lar. Pode até demorar um pouco para somar os primeiros materiais, mas eles somam, ainda bem cedo, e quase sempre pela chuva de influências nas mãos que te levam fora do berçário.
Até agora nenhuma novidade, afinal de contas, quando você ainda é criança isso é natural. Todo mundo tenta impor coisas àquela mente inocente, e até seu amigo - tão inocente e ignorante quanto tu - também fica lhe impondo idéias do que fazer. Na minha teoria, ele não suporta olhar ao redor e ver a estante pegando pó, e por isso, sai fazendo milhares de perguntas e gritando para você puxar um bloquinho de anotações e explorar tudo onde puder.
Quanto mais coisa se aprende, mais rápido e poderosa fica a estante, e já que tudo em excesso é ruim, isso também não deixa de ser diferente: Seu bibliotecário pessoal que encher a biblioteca de coisas legais pra você, mas ele mesmo não tem muito tempo pra ficar aprendendo com tudo aquilo, já que por desconhecer muita coisa, é mais fácil ele fazer uma cara de zé ninguém e ir deixando tudo lá no fundo. Eu espero, sinceramente, que exista muita sorte para que pelo menos ele seja bem organizado e seletivo quando precisar achar algo lá. No começo, só com historinhas da Turma da Mônica é fácil e divertido criar uma coleção com todos os exemplares.
Mas ninguém está parado no tempo, e o tempo, passa. As brincadeiras e todas as coisas que você ganhou e levou para a biblioteca já começam a pegar pó, e pouco a pouco são encaixotadas, as vezes até escaneadas e amazenadas na internet para uma busca rápida posterior, mas na maioria das vezes, o tal bibliotecário é que fica com o trabalho pesado. Enquanto ainda não há muito sobre o que refletir da vida, cabe ao bibliotecário ficar levando caixas de um lado pra outro, fazendo uma limpeza rápida para jogar alguma coisinha fora, e enfim... Na fase da adolescência você está muito mais por conta própria, jogando todas as porcarias de livros que acha pelo caminho e dando pro coitado do bibliotecário.
Sabe de uma coisa, acho que na adolescência o mais fácil mesmo é ir pegando as coisas e depois montar um pacote e despachar nos correios. Hoje em dia a gente ainda envia um email pra ele, cheio de links pra download, e o coitado lá que se vire para organizar tudo depois. Ele é eficiente e bondoso até demais, na minha opinião. O problema é quando você tropeça e volta lá pra dar um oi ao seu velho e inseparável amigo.
Não é atoa que depois de atingir a vida adulta as mudanças se tornam mais difíceis. Nesse ponto, sua estante já está bem abarrotada de coisas, e seu bibliotecário pessoal começa a ter dificuldades para organizar tudo. Milhares de aprendizados, enciclopédias e anotações soltas no meio de páginas avulsas. Sabe o que é mais grave, principalmente ao entrar na fase adulta? É que quando você traz um livro novo para ele, seu humor está sempre diferente. Às vezes você acha um papelzinho na rua e entrega pro bibliotecário com um sorriso bobo no rosto. Às vezes, aparece com uma cara de nojo, em outras, vêm com umas revistinhas de piadas toscas que tem vergonha de mostrar pra ele. Isso quando são só revistinhas de piadas. No meio de tanta coisa legal e inútil que você vai acumulando, tem vezes que o livro que traz nas mãos vem junto de tristeza ou raiva.
Ah, as emoções. Uma criaturinha tão fofa quando nasce que no dia-a-dia age como santo. Então um pouco de paixão e aquela criatura, já crescida, volta pra infância. Se engasga com pouco de ganância e cria arrogância. Essa criatura estranha, que ao ter o ego amaciado vira uma heroína ou vilã. E quando chega a fúria? Dúvido ser capaz de pensar que algum dia ela foi boazinha; parece que nasceu pelo orifício errado. As emoções, mesmo que passageiras, são capazes de mudar tanto alguém, que gera surpresa àqueles ao seu redor. Ou, não necessariamente só àqueles ao seu redor...
Óbviamente, o tal bibliotecário, que é muito seu amigo, se assusta. Ele vê você chorando, e não entende ao certo o porque de tantas lágrimas, mas então, ali ele nota o livro que deixou para ele em cima do balcão. Se esse bibliotecário fosse mais esperto, ele poderia jogar o tal livro ruim fora e pegar um daqueles de piadinhas pra tentar te animar. Mas ele não faz isso, e sabe porquê? Porque ele também quer ler o conteúdo daquele livro com muito mais afinco que você, pois ele acha que somente assim pode te ajudar. Somente sabendo o que causa uma doença é que ele imagina ser capaz de propor a cura. Ele quer dar uma de sabichão e pesquisar os sintomas no Google. E sabe onde raios tem algo errado nisso? ELE NÃO É MÉDICO!
Esse seu amigo, pode ser o mais inteligente de todos, pode até ter lido vários livros de medicina, mas ele é um bibliotecário e não um médico. Ele pode tentar enfiar doses de remédio placebo na sua veia enquanto fica lá olhando nos catálogos e procurando por motivos que ele acha que são os responsáveis por tal coisa. Ele acha que sempre vai ter um conselho pronto para resolver todos seus problemas.
Mas o maledito não consegue. E pior do que isso, ele fica com receios de que você traga novos livros ruins para sua biblioteca, e os começa a empurrar para ler novamente, como que se dissesse: "Já tenho esse aqui, não precisa me trazer outro parecido". Um dos dois, certamente ainda preso na parábola do tempo, não compreende que algo que aconteceu uma vez não necessariamente vai acontecer denovo. Falando nisso, acho que os dois são incoerentes nesse ponto: Porque um quer empurrar a história fracassada para que tal erro cometido sirva como aprendizado, mas o outro, mais inconsequente que o primeiro, quer provar para si mesmo que a história fracassada do momento é mais importante do que aquela já lida. E aí sofre-se tudo novamente. Lá se vãos os dois discutir a teoria a derrota, embora - felizmente - ainda acredito que grande maioria consiga discutir os assuntos lidos sem necessariamente revivê-los novamente. Reviver um sentimento bom é uma coisa, mas reviver um sentimento ruim? Sinceramente isso é próximo demais da loucura doentia e destrutiva.
Bom, onde estávamos? Ah, sim, eu dizia que às vezes seu amiguinho, mesmo querendo seu bem, acaba piorando as coisas, e até baixando sua confiança. Chega um momento a la Tyler Durden, que um vira para o outro e diz: "Belém, belém, nunca mais fico de bem. E corta aqui".
E como é de se esperar, cada bibliotecário pessoal tem sua personalidade própria. Geralmente, por alguma coincidência, sei lá, ele se parece muito com você. Mas, mesmo com gostos parecidos (e alguns bem questionáveis) ele pode ser mais agressivo, mais submisso, mais tolerante... enfim, ele tem lá suas variações de humor também.
Mas atenção: Não confunda a mudança de humor com a mudança de emoção. O seu humor pode mudar para um estado odioso, mas o combustível acaba tão rápido quanto começou. Agora uma emoção de ódio, por se alimentar dela mesma e de uma situação ao redor, não se extingue tão fácil. O mesmo vale para emoções boas; alguém que acordou apaixonado fica bobo num dia, mas quem está apaixonado fica bobo todos os dias.
Como eu dizia, os bibliotecários acordam bobos... na verdade, eles tem um humor bem variável de acordo com o seu, mas não necessariamente uma personalidade parecida. Eles podem, como eu já havia dito, serem eternamente brincalhões, medrosos, compreensíveis... enfim, isso não é exatamente você que escolhe. Até tenho uma teoria sobre isso, mas deixamos para outra hora para não deixar esse post ainda mais confuso e longo do que já está.
Acho - com alguns entretantos - que o melhor tipo de bibliotecário é aquele mais tranquilo e tolerante, pois ele confia mais em você e não se importa muito em ficar relendo cada livro que tráz para bisbilhotar tudo o que anda aprendendo. Ouvi dizer que alguns até saem junto contigo para aprenderem experiências ao mesmo tempo, embora isso seja raridade.
A maioria
Agora as pessoas mais cuidadosas também são um problema muito sério. Elas andam um pouco, geralmente não muito longe, e voltam várias vezes por dia para ver como está o bibliotecário. Na verdade, elas voltam mesmo para pedir conselhos, pois confiam mais nele do que nelas mesmas. Esse tipo de gente, que por fora parece normal, por dentro é um novelo de lã completamente emaranhado. Elas buscam tantas visitas à biblioteca que enlouquecem com tanta informação, e muitas vezes, informação velha e ultrapassada, já que só se coloca livro novo na biblioteca quando se traz de longe. Mas elas não vão longe, e esse é o problema...
Será que todo mundo sabe como anda prestando as contas com seu bibliotecário? Será que ele, depois de tanto tempo de convívio, realmente gosta de você? Eu posso dizer que para algumas pessoas, ele já desistiu de ser prestativo faz tempo. Para outras, ele se esconde quando vê você chegar, e quando vê que não tem jeito, solta um resmungo baixo: "Lá vem ele denovo! Aff!"
E então, como acha que está indo a sua amizade com o bibliotecário? Ah, e nem adianta perguntar pra ele, porque o coitado já vive ocupado demais em organizar todos seus livros e ainda te conselhar quando está sozinho. Então tente avaliar por si só, longe dele, como está esse "relacionamento". Só se lembre de uma coisa: Faça o que fazer, ou pense o que estiver pensando, jamais, e em hipótese alguma, o tenha como seu inimigo. Ele é o único que sabe verdadeiramente como te destruir para sempre.
...
Esse post, na verade não era para ser tão gigante. Ele faz parte de um texto antigo que eu tinha escrito intitulado "estante de emoções", que é beem mais curto do que esse. Outro dia, quem sabe, eu posto aqui. E só um detalhe sobre o texto: A teoria do bibliotecário não tem nada a ver com problemas de múltipla personalidade, como por um instante pode parecer. Por mais maluco que seja, toda essa idéia seria referente à uma pessoa "normal".
Se discorda de algo - eu espero que sim - por favor, comente. Ou, caso concorde com alguma coisa, então diga como acredita que seja sua relação com o subconsciente, ou mesmo se já parou para pensar nisso. Aliás, se você leu esse texto extremamente grande e cansativo, por favor me diga, para que possa agradecê-lo (ou desculpá-lo) pelo tempo postergado.
domingo, 24 de julho de 2011
Dança de Salão? Eu não! [4]
E aqui está o post mais repetido nesse blog. Ou é porque as coisas envolvendo aulas de dança são interessantes, ou porque não tenho mais nada de bom para falar sobre qualquer assunto. Pois é, eu também fico com a segunda opção. Você pode acompanhar essa saga interminável vendo a parte 1, a parte 2 e a parte 3 e tirar sua própria conclusão.
Segue apenas um relato sobre como é possível um curso acabar em razão de uma única pessoa. Uma pessoa capaz de manipular a direção das aulas e criar um marco memorável que define a história antes e depois disso. Mas calma, dessa vez, essa pessoa
Vergonha Alheia
Com toda a tranquilidade do mundo, as aulas iam bem. Parecia tudo mais organizado, e eu estava começando a compreender como os instrumentos de qualquer música ditam um padrão rítmico a ser dançado. Naquela ocasião, as aulas haviam se divido entre Samba de Gafieira e Bolero, e eu já era capaz de sentir a diferença absurda que até então, para mim era apenas gramatical. Sério. Tá bom, um pouco de exagero talvez,
A programação das aulas costumava sempre seguir um mesmo método: começava relembrando e praticando os passos isoladamente, e depois de um bom tempo, a execução prática daquilo era com uma parceira aleatória a cada música. Se durante essa prática o professor visse qualquer defeito, ele ia até lá e corrigia os erros. Até aqui nenhuma novidade. Mas certas vezes, o erro que ele via era algo tão comum que a solução era chamar a atenção de todos para apontar e tentar corrigir tal erro em público.
E esse professor precisava simular
_Ele tira a gente para dançar ou para humilhar?
Sabe aqueles pensamentos altos? Foi algo assim. Só que mais alguém ouviu isso e interpretou pelo modo mais frio da frase. Então, a aula parou subitamente. O rádio foi desligado, e quando a música cessou, a tensão cresceu; no instante seguinte eu via a cena daquele professor em uma discussão feroz ao sentir que aquilo que escutou foi pessoal.
Momento Inóspito
Existem pessoas que parecem sempre estar do mesmo jeito, com o mesmo tipo de humor estático e ideias unilaterais. Ou seja, não importa se o dia está sendo bom o ruim, simplesmente porque aquilo não causa a menor diferença. Pode ganhar na loteria ou ver a própria casa explodir; o estado psíquico ainda continua à demonstrar a mesma coisa.
Certamente meu professor era bem o oposto disso, mesmo quando dizia que não era. Todos os alunos daquela turma de dança conseguiam saber se o dia do professor fora bom ou ruim, simplesmente porque suas atitudes eram mais fortes do que suas palavras. E no dia em que ele resolveu discutir com aquela aluna, era um desses dias em que tivera a casa explodida minutos antes. A ira de suas palavras, a entonação autoritária e ao mesmo tempo ríspida e ignorante estava clara. Durante um tempo eu ouvi um blá-blá-blá onde ele explicava a diferença entre humilhar alguém e simplesmente ensinar.
Até esse momento, o clima tenso ainda não havia chegado. Até porque, já perdi a conta de quantas vezes ele já parou a aula para iniciar uma discussão como aquela. Já tivera vezes de escutar um comentário avulso de alguém que reclamava da música e daí então explodir. Já explodiu porque viu uma cidadã querendo dançar de salto alto; já explodiu porque um cara não estava acertando determinada sequência de passos. Ou seja, ele explodia com tanta facilidade que aquela discussão não era anormal.
Falando assim pode até dar a impressão de que as aulas eram torturantes
Se uma pessoa está com raiva e a outra não se deixa mudar de estado mental, então uma briga nunca ocorre. A raiva geralmente tende a ser passageira e consertada pelo passar do tempo, e por isso, enquanto uma pessoa estiver em ira e a outra não, a paz certamente tem mais chances de perdurar. O problema é quando esse detalhe fica de lado, e sua consciência dá lugar para o seu lado primitivo e instintivo agir.
Em qualquer confronto, a base inicial de ambos os lados é sempre ganhar, e nunca ficar num empate ou perder. Por isso, se um lado do confronto não cede, então o outro precisa fazê-lo para que as coisas acabem o mais rápido possível. Graças à essa mecânica
Vou considerar que isso é absolutamente normal [ironia?] e apenas finalizar esse post dizendo como tudo terminou, pelo menos naquele dia.
O Dialógo
Como qualquer discussão que se preze, o tom de voz elevado faz parecer que aquele que falar mais alto e por mais tempo está mais certo do que o outro. E nesse ponto, meu professor tinha toda vantagem daquele momento sobre si, pois falar e ser autoritário era natural em si. E então, por diversas vezes, durante alguma
_Posso falar? - tentava ela durante um segundo que levava para o professor engolir sua saliva ou respirar. "Vai deixar eu falar agora?", "Posso?", "Já?". E durante vários minutos isso foi tudo que ela conseguiu dizer. E por continuar em silêncio, ela parecia ligeiramente em desvantagem, mesmo quando todos estavam em desvantagem, pois aquele tempo perdido seria melhor aproveitado se estivesse sendo usado para o propósito da aula que era a dança.
Entre todos os alunos perplexos olhando a cena, houve um ou outro que tentou falar alguma coisa, mas foi repreendido sem ao menos completar uma palavra inteira. Mas daí o momento inóspito pareceu convergir para um desfecho, que foi acompanho de duas ações ainda mais bizarras do que tudo isso:
_Então vai, fala o que você quer falar! - rugiu o professor, que logo em seguida saiu da sala. Claramente a aluna não sabia o que fazer diante daquela situação, pois ela realmente queria falar algo, mas era para o professor, e não para o resto da turma. O silêncio constrangedor e a situação se tornaram humilhantes naquele momento. E sem opções, ela foi obrigada a falar para quem estava tão perplexo quanto ela.
_Er... Então, né? - começou seu rápido discurso - "Eu acho que não é certo ele querer ficar apontando nossos erros para todo mundo... Ele deveria ensinar individualmente... Ah, quer saber, pra mim faltou psicologia. Ele não tem psicologia."
Sem dúvidas, foi o contexto mais estranho que eu encontrei para o uso da psicologia naquela ocasião, mas pouco importava, porque antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, o professor retornou para a sala. E a discussão recomeçou em um modo mais agressivo:
_Não me venha falar de psicologia! - começou o professor, com a ira que saltava de seus olhos e se perdiam no vácuo. "Se você não está contente com minha aula, então pode se retirar agora!"
Ela não estava preparada para ceder, e por isso, recusou prontamente a sair. Se fosse em uma ocasião diferente, imagino que ela iria ter saído, mesmo antes de uma segunda ordem mais imperativa exigindo que se retirasse. E essa decisão firme certamente fez com que o professor não soubesse ao certo o que fazer, pois ele não queria se dar por vencido e nem ficar naquele mesmo ambiente com ela. Para resumir, houve um momento que eu vi atravessar nele a vontade de bater nela. Aquele momento iria ter um final inexplicável se ele desse vazão a seu desejo primitivo, pois ele quase o fez. Sim, ele iria fazer isso, como confessou dias depois que o fatídico dia passou.
Ao invés disso, tudo o que se resumiu nos segundos seguintes foi a música ser ligada e ter o volume subitamente aumentado para impossibilitar que a aluna continuasse discutindo. Ninguém mais saiu da sala, e tão pouco conseguiram ter coragem para falar alguma coisa depois disso. O clima ficou tenso até o fim daquele dia, que certamente fez eu perceber como todos (incluindo eu) sabiam perfeitamente dançar e ouvir uma música animada fingindo que não tinham nenhuma opinião à respeito daquele fato.
Psicologia
E quem dera o dia tivesse terminado naquele evento. No final da aula, uma parte da ira tinha ido embora, e parte da calmaria estava aparentemente voltando ao normal. Sabendo que alguma coisa precisava ser dita e concluída, o professor resolveu terminar tudo um pouco mais cedo, e em sua redenção, pediu que todos formassem um círculo e dessem as mãos. Esse ritual, que já tinha ocorrido em certas ocasiões, geralmente servia para que ele ficasse no centro desse círculo e filosofasse alguma coisa positiva para todos, como incentivando-nos a ter auto-estima, enfrentar os medos e essas coisas.
Naquele dia, porém, tudo o que quis fazer foi iniciar um novo discurso, mas dessa vez pedindo desculpas e reconhecendo que não deveria ter agido daquela forma. Houve um pequeno conto com algumas metáforas sobre a vida, e depois disso, a aula finalmente tinha acabado aparentemente bem. A aluna disse que estava tudo bem agora e assim ficou encerrado. O final clichê contou até com um abraço dos dois e uma salva de palmas (não necessariamente nessa ordem).
Seria um ledo engano se tudo isso terminasse aí, pois se terminasse, onde que entraria o título desse blog a fazer jus a desilusão do momento? Pois bem, é exatamente aí que eu entro nessa história, depois desse final. Eu já estava andando pela rua pensando refletindo como é raro eu presenciar esse tipo de coisa no dia-a-dia, e já estava vagando com alguma lembrança sombria quando escuto um "Ei, espere! Também vou para esse lado."
Só não vou dizer que aquilo era anormal porque parte da rua que eu percorro realmente é um caminho comum para outros alunos, embora eu sempre estivesse ao lado da minha própria sombra na maioria das vezes. Começamos alguma conversa qualquer sem importância, provavelmente fazendo aquelas notações óbvias do tipo: "ah, você vai por esse caminho!" ou "puxa, hoje fez mais frio que ontem". E logo depois, chegou um momento que a conversa chegou no ponto chave: "E então, o que você achou de tudo aquilo que aconteceu?"
Eu consigo ser tão ingênuo que, mesmo dentro de um contexto óbvio, eu não sabia o que responder. Ela queria saber minha opinião sobre a atitude dela de não sair da aula quando o professor impôs? Queria um [pré]julgamento meu sobre o que a maioria poderia ter pensado? Queria que eu falasse "foi um momento lamentável"?. Como essa notável insapiência, minhas respostas
_Nem se preocupe com isso, pois na hora pode ter sido um momento muito desagradável, mas no final até que parecia ter voltado ao normal. Certamente, na próxima aula já estará tudo bem, já que para mim foi apenas um acontecimento que já passou. Não se preocupe com isso não.
Tudo o que ela queria era apenas uma visão de um espectador para então refletir sobre aquilo com mais calma, e certamente não foi isso o que eu consegui dizer com meus engasgos e gagueiras. E como ela não estava satisfeita com minha psicologia tosca, resolveu fazer uma pergunta mais precisa, que apenas provava o quanto meu micro-discurso foi tolo.
"Você acha que eu devo voltar a frequentar as aulas?"
Vou deixar em aberto qual foi minha resposta final naquela ocasião, simplesmente porque, eu tenho dúvidas se realmente era necessário responder. Mas, independente disso, sabe aquela máxima da Teoria do Caos, que diz: "Uma borboleta que bate as asas em Tóquio poderá causar um tufão em Londres"? Foi isso que eu observei enquanto termino de escrever esse post. Um evento aleatório em um dia, e a história termina com uma reviravolta. Finalmente chegou a hora em que esses posts sobre Dança de Salão acabam definitivamente.
Você pode aproveitar que finalmente essa saga tem grandes chances de terminar e ver como tudo chegou até aqui pelos links abaixo:
Dança de Salão! Oh, não! [1]
Dança de Salão? Oh, não! [2]
Dança de Salão. Ou não. [3]
Caso você acredite ter pedido seu tempo aqui, ainda assim peço que tenha calma. Mesmo se ficar com raiva porque essa história não está completa, tente permanecer calmo, pois logo passa. E se não passar, relembre o título desse blog e sorria.
Dança de Salão! Oh, não! [1]
Dança de Salão? Oh, não! [2]
Dança de Salão. Ou não. [3]
Caso você acredite ter pedido seu tempo aqui, ainda assim peço que tenha calma. Mesmo se ficar com raiva porque essa história não está completa, tente permanecer calmo, pois logo passa. E se não passar, relembre o título desse blog e sorria.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
A Enrolação das Indiretas
Vamos supor que lhe convidam para uma festa que você não quer ir. Em muitos casos, você pode resolver isso apenas dizendo que não quer ir, ou ir apenas por convenção social. Ou então, para não parecer desagradável a quem lhe fez o convite, você tenta inventar desculpas e métodos questionáveis de enganar tal pessoa para satisfazer a si próprio. Quando o caso contrário ocorre, ou seja, você está querendo ser convidado para uma festa, mas aparentemente foi "esquecido", então utiliza-se o recurso das indiretas para tentar receber o convite sem correr o risco de ser desagradável em recebê-lo de mal agrado.
Pois bem, comparando assim, acho que não existem muitas diferenças entre enrolar para não ir, e criar indiretas para ir. E o meu ponto é: até onde é justo e saudável utilizar esses recursos
As indiretas são como uma faca de dois gumes, onde os dois lados são afiados e geralmente servem para cortar seus dois pulsos ao mesmo tempo. Isso porque a partir do momento que você diz algo indiretamente, parte-se do pressuposto que você não tem
Sem contar com o fato de que uma indireta é como uma pedra jogada no mar; as chances de você capturá-la com uma isca depois são quase nulas. Jamais haverá como saber se a sua indireta foi compreendida, e se foi, será que então foi ignorada? Ou talvez responder uma indireta é como vestir um capuz que realmente é seu, para depois ouvir que não era e, morrer na dúvida se seria.
Então, como é muito claro, toda indireta só traz mais problemas do que soluções. Mas mesmo assim, se tudo o que eu disse pode soar tão comum, porque mesmo assim muitos preferem usar a expressão por meio de indiretas para se comunicar? Será que existe alguma justificativa simples para tudo isso?
Transcrição Manual
Não podemos ler pensamentos (ainda), mas instintivamente nossa mente processa os pequenos sinais e micro-gestos vindos de uma pessoa para tentar adivinhar, mesmo que
Claro que isso não é uma regra absoluta, já que vários microgestos passam despercebidos pela percepção, e muitos deles nem ao menos podem ser "traduzidos" instintivamente. Mas, para efeitos gerais, vamos considerar que essa tentativa de transcrição automática dos pensamentos sempre ocorra fora da grade de consciência.
O problema das indiretas aconteceria quando você quer que essa leitura mental ocorra de modo infalível, e por isso esperamos que todos nos digam o que pensam e acabe com essas tentativas frustradas de oclumência. Oras, qual outro método é tão eficaz para isso quanto usar as indiretas? Basta jogar uma indireta e esperar pela reação positiva ou negativa que realce suas certezas ou dúvidas ante a tomada da decisão. Ainda assim falar diretamente seria mais rápido e o melhor para todos, mas sem que a manipulação mental chegue em você, os riscos de se enganar são maiores.
Conclusão
Sempre existiu um ditado popular que define muito bem tudo isso até aqui. O tal do "plantar verde para colher maduro", que é quando alguém tenta descobrir alguma coisa fazendo perguntas que possam lhe trazer a verdade de modo indireto. É apenas uma estratégia humana simples para ter habilidades paranormais.
Mas quer saber de uma coisa? Com o avanço da tecnologia, quanto mais existem estudos tentando decodificar nossos sinais cerebrais e mapeá-los, mais me parece certo que no futuro haverá meios acessíveis para qualquer um ler a mente alheia. Há alguns anos atrás, isso poderia parecer apenas ficção, mas infelizmente, hoje já é real (embora em estágio bem inicial).
Ou seja, talvez as indiretas venham a perder seu sentido um dia. Ou talvez falar perca seu sentido um dia. Ou talvez pensar...
E seguindo esse ritmo mais "interpretativo" das coisas, caso queira ver mais alguma coisa nesse nível (ou daí para pior), segue alguns conselhos:
- A Corrente da Motivação onde eu tento expor uma "constatação brilhante" de que todo e qualquer tipo de mudança só é possível se houver uma motivação para isso.
- A explicação de tudo [1] que é um post
arrogantesábio que tenta provar que vivemos na Matrix, só porque não temos evidências para isso. - Desilusões do Tempo que em breve farei uma respostagem só para contradizer tudo isso categoricamente.
Eu ia tentar fazer criar alguma frase longa e enigmática para pedir comentários indiretamente, mas cheguei a conclusão que diretamente fica bem melhor. Então...
sábado, 11 de junho de 2011
Peças do Museu
Havia um templo muito antigo, descoberto ainda há pouco tempo por exploradores da atualidade. Encontraram requícios de uma história gravada por um tempo muito mais antigo que eles. No centro do templo haviam dois tronos, e a escultura de um casal que brindava uma taça de vinho nas mãos. A escultura era tão bem feita que por um instante parecia real.
O casal era composto por dois velhinhos, cujas rugas de experiências foram muito bem detalhadas naquela imagem estática deles. Era fácil notar a expressão de serenidade de ambos, e da quantidade de alegrias e tristezas que passaram juntos. E ali estavam felizes. Serenos e discretos, mas felizes por algum motivo. Um leve sorriso parecia querer dizer alguma coisa para os presentes no templo.
Diante daquela descoberta incrível, os exploradores procuraram por notas e diários perdidos que remetessem a revelar aquilo que as paredes não podiam contar por si só. De qualquer modo, mesmo que nenhum documento ou registro histórico fosse encontrado, cada um que os visse conseguia imaginar sua própria versão de como terminaram naquele momento. Era essa liberdade de imaginação diante do desconhecido que tornava aqueles dois velhinhos tão reais.
Talvez tivessem se conhecido ainda quando pequenos. Poderiam ter se conhecido no prézinho, enquanto aprendiam as primeiras letras do alfabeto juntos. Talvez fossem grandes amigos durante muitos anos. Talvez se separaram em algum momento de suas vidas, mas logo se viram unidos novamente. São tantos "talvez" que isso apenas prova o quão genérico é a história de qualquer casal feliz.
Um explorador chegou até a sugerir seu próprio caso de vida como uma possível versão daquela cena.
_"Quem sabe eles se conheceram por acaso, em algum momento bom", disse ele. "Poderia ter acontecido uma festa no reino, e com toda alegria os rodeando, o destino nem teve muito trabalho para uní-los. Foram consumidos pela paixão, e viveram felizes para sempre."
Um outro explorador balançou a cabeça, refutando a idéia do amigo.
_Eu acho que isso é impossível. Se foram consumidos pela paixão, é bem provável que ambos estavam cegos enquanto se conheciam. E depois disso, viveram felizes, mas não por muito tempo. O brinde que fazem parece muito sútil diante de um estupor tão grande de felicidade que imagina existir. É um brinde de um casal que ama um ao outro, mas não de um casal apaixonado.
Um grupo de exploradores continuou discutindo suas idéias e teorias sobre o passado distante que já rodeou aquele templo algum dia. Concluíram que o tempo era capaz de destruir tudo, e certas coisas eram destruídas mais rápido do que outras. A primeira coisa que o tempo costuma destruir em um casal, refletiu um explorador, é a paixão. Em algum mundo distante, isso é o suficiente para separar um casal, mas essa não parecia ser a verdade que o cenário daquele templo mostrava.
No final daquele dia, fizeram uma suposição de que a escultura mostrava apenas um momento, mas não era necessariamente a morte. Um deles poderia ter morrido primeiro, e então, usado a paixão que ficou guardada durante tantos anos para esculpir e eternizar o momento mais importante da vida deles, que era justamente quando tinham a oportunidade para sentarem juntos um ao lado do outro. Talvez a taça não fosse só um brinde qualquer, mas sim o simbolismo de todos os brindes que já fizeram ao longo de toda aquela caminhada. Talvez não fosse uma taça de vinho, e sim de sangue. O sangue que já tiveram que derramar para ficarem juntos. As brigas e os quase rompimentos de um elo que estava unido e desunido ao mesmo tempo.
O templo ainda continuará naquela floresta, e a história do casal ainda continuará sendo um mistério. São tantos "talvez" que a verdade perde seu espaço. Um casal abandonado pelo tempo, cujo tempo quer destruir as coisas que encontra. Um momento registrado de milhares de momentos perdido para sempre. Um olhar de serenidade que significava muitas coisas sem dizer uma única palavra. E tudo isso hoje em dia não importa, porque esculturas não falam. Esculturas apenas viram as peças que passam despercebidas nos museus.
O casal era composto por dois velhinhos, cujas rugas de experiências foram muito bem detalhadas naquela imagem estática deles. Era fácil notar a expressão de serenidade de ambos, e da quantidade de alegrias e tristezas que passaram juntos. E ali estavam felizes. Serenos e discretos, mas felizes por algum motivo. Um leve sorriso parecia querer dizer alguma coisa para os presentes no templo.
Diante daquela descoberta incrível, os exploradores procuraram por notas e diários perdidos que remetessem a revelar aquilo que as paredes não podiam contar por si só. De qualquer modo, mesmo que nenhum documento ou registro histórico fosse encontrado, cada um que os visse conseguia imaginar sua própria versão de como terminaram naquele momento. Era essa liberdade de imaginação diante do desconhecido que tornava aqueles dois velhinhos tão reais.
Talvez tivessem se conhecido ainda quando pequenos. Poderiam ter se conhecido no prézinho, enquanto aprendiam as primeiras letras do alfabeto juntos. Talvez fossem grandes amigos durante muitos anos. Talvez se separaram em algum momento de suas vidas, mas logo se viram unidos novamente. São tantos "talvez" que isso apenas prova o quão genérico é a história de qualquer casal feliz.
Um explorador chegou até a sugerir seu próprio caso de vida como uma possível versão daquela cena.
_"Quem sabe eles se conheceram por acaso, em algum momento bom", disse ele. "Poderia ter acontecido uma festa no reino, e com toda alegria os rodeando, o destino nem teve muito trabalho para uní-los. Foram consumidos pela paixão, e viveram felizes para sempre."
Um outro explorador balançou a cabeça, refutando a idéia do amigo.
_Eu acho que isso é impossível. Se foram consumidos pela paixão, é bem provável que ambos estavam cegos enquanto se conheciam. E depois disso, viveram felizes, mas não por muito tempo. O brinde que fazem parece muito sútil diante de um estupor tão grande de felicidade que imagina existir. É um brinde de um casal que ama um ao outro, mas não de um casal apaixonado.
Um grupo de exploradores continuou discutindo suas idéias e teorias sobre o passado distante que já rodeou aquele templo algum dia. Concluíram que o tempo era capaz de destruir tudo, e certas coisas eram destruídas mais rápido do que outras. A primeira coisa que o tempo costuma destruir em um casal, refletiu um explorador, é a paixão. Em algum mundo distante, isso é o suficiente para separar um casal, mas essa não parecia ser a verdade que o cenário daquele templo mostrava.
No final daquele dia, fizeram uma suposição de que a escultura mostrava apenas um momento, mas não era necessariamente a morte. Um deles poderia ter morrido primeiro, e então, usado a paixão que ficou guardada durante tantos anos para esculpir e eternizar o momento mais importante da vida deles, que era justamente quando tinham a oportunidade para sentarem juntos um ao lado do outro. Talvez a taça não fosse só um brinde qualquer, mas sim o simbolismo de todos os brindes que já fizeram ao longo de toda aquela caminhada. Talvez não fosse uma taça de vinho, e sim de sangue. O sangue que já tiveram que derramar para ficarem juntos. As brigas e os quase rompimentos de um elo que estava unido e desunido ao mesmo tempo.
O templo ainda continuará naquela floresta, e a história do casal ainda continuará sendo um mistério. São tantos "talvez" que a verdade perde seu espaço. Um casal abandonado pelo tempo, cujo tempo quer destruir as coisas que encontra. Um momento registrado de milhares de momentos perdido para sempre. Um olhar de serenidade que significava muitas coisas sem dizer uma única palavra. E tudo isso hoje em dia não importa, porque esculturas não falam. Esculturas apenas viram as peças que passam despercebidas nos museus.
Fazia tempo que não postava e nem escrevia nenhum conto. Então, aproveitando a deprimente encenação que se faz em torno do dia dos namorados, resolvi postar alguma coisa refente ao tema.
Se esse conto pareceu chato demais, tente ler esse outro que não tem nada haver com amor, mas sim com crenças e traições. Ou então, se você pretender ler alguma coisa mais triste do que isso tudo, lhe apresento um menino chamado Elias e sua história da Quinta Cor.
Se esse conto pareceu chato demais, tente ler esse outro que não tem nada haver com amor, mas sim com crenças e traições. Ou então, se você pretender ler alguma coisa mais triste do que isso tudo, lhe apresento um menino chamado Elias e sua história da Quinta Cor.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
O Lobo Solitário

Entre aquelas dimensões sociais, também havia alguns grupos formados exclusivamente por organizadores do caos, planejando astuciosamente algum plano para trollar todos os outros que não estivessem presentes no mesmo grupo. Ah, claro, também havia alguns que não ficavam em grupo algum... er... havia alguns sim, embora não lembre ao certo a descrição de nenhum deles... Pensando bem, não havia. Mas havia alguém que ficava sentado sozinho no banco do pátio acreditando que havia.
Em minha dimensão paralela, não havia planos para dominar o mundo, nem para saber se tinha estudado para a prova da aula seguinte. Não tinha interesse nas brincadeiras constrangedoras, nem conhecia muitos jogos de cartas para gritar "TRUCOO" em alguma partida proibida pelos inspetores. Tudo o que passava pela minha cabeça era... Nada. Era uma mente vazia. Ou talvez, ocupada com reflexões vazias, como essa, por exemplo.
Não tinha relógio para saber se ainda faltava muito tempo para o sinal tocar e aquele mundo vazio sumir. Também não tinha celular para me distrair, como creio eu, quase ninguém tinha naquela época. Vez ou outra eu pensava em pegar meus cadernos e sair desenhando qualquer coisa que viesse pela cabeça. Mas não vinha nada pela cabeça, e mesmo que viesse, eu não iria correr o risco de querer atrair algum curioso de plantão para ver o que eu estava fazendo. Com a mente rodopiando pelo ócio ao meu redor, eu aguardava, pacientemente, cada minuto se condensar em pouco menos de uma hora. Para todos os outros, o invervalo era curto. Para mim, que havia descoberto uma forma inútil de dobrar o tempo, era longo demais.
Certa vez, fui chamado de Lobo Solitário, em algum momento desses que eu realmente dava motivos para ser chamado de Lobo Solitário. Eu não refleti que era um solitário, mas sim que era um lobo. Lobos são animais fantásticos, que são extremamente fiéis dentro de suas matilhas, que conseguem criar estratégias complexas para fazer a melhor caça na noite. Lobos tem uma das estruturas organizacionais mais incríveis que já vi, podendo entre eles definir a ordem certa sobre quem tem mais poder. Lobos são fantásticos. Eu fui chamado de Lobo. Mas esqueci que era Solitário.
Um Lobo Solitário, na natureza, geralmente é aquele que é expulso de sua matilha devido a algum problema sério. Algumas vezes, eles podem ser expulsos por tentarem tomar o posto dos Machos-Alfa e fracassarem piamente. Outras verzes, eles podem ser expulsos simplesmente por serem considerados inúteis para a matilha, ou seja, quando não conseguem cumprir uma das funções que lhe foi delegada pelos seus superiores. Então, eu fui chamado de Lobo Solitário porque não estava em nenhum outro grupo. Mas eu não fui expulso de nenhum deles, ou pelo menos, eu nem se quer tentei entrar em um deles.
A cena clichê de filmes envolvendo lobos diz que eles uivam sozinhos para a lua. De modo compreensível, associam tal imagens aos lobisomens, que tem a parte humana encoberta pela agressividade de um lobo, ao mesmo tempo que, inexplicavelmente, uiva sozinho para a lua. E de modo incompreensível, associam a mesma lua e aquele uivo estridente ao fato de tal criatura ser lunática. Cachorros loucos começam a uivar. Cachorros loucos começam a se transformar em lobos. Conclusão: Lobos são Loucos.
Essa é a parte infeliz da história, porque como eu já disse, as qualidades regentes nos lobos os fazem animais incríveis. E eles não saem por aí uivando sozinhos. Na verdade, o uivo é uma forma de se comunicar com os outros da matilha, de modo a usar o som como fator de localização e cerco entorno de uma vítima. Lobos solitários não uivam, porque eles não querem ser encontrados. Na verdade, eles não podem ser encontrados. Mas, ainda assim, acredito que no fundo eles uivem, sozinhos na noite, olhando para a Lua. No entanto, o uivo de um Lobo Solitário, ninguém pode escutar. Nem ele próprio escuta seu uivo, por mais estridente que seja. E do meio de alguma floresta qualquer, a lua parece ser a única a compartilhar aquela vida lunática que tal animal
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