segunda-feira, 3 de março de 2014

Escola Vivencial


Lá estava eu com minhas reflexões e filosofias de derrotado, quando de repente, me vem uma obviedade na cabeça que explode meus conceitos de um modo inacreditável. Eu, mesmo com mais de 10 anos fora da escola, ainda estou na escola. E aí, eu repito em alto tom e voz uma frase clichê que parece soar como uma aberração da melosidade utópica:

"_A vida é uma escola"

Com um pouco de vergonha por ouvir da minha própria boca uma coisa que parecia tão abatida e digna de discurso ensaio para aparecer no Faustão, eu respirei fundo e meditei com um grau secundário aquelas palavras. E aí, antes de eu ser atacado pela possível obviedade dessa interpretação, eu peço a você, que caso tenha lido até aqui, que leia só mais um pouco para que eu possa me explicar como isso foi capaz de me surpreender num dia qualquer aleatório no ano.


Conceitos Acadêmicos


A gente bem sabe que a escola é onde as crianças entram para supostamente se formarem e aprenderem muitas coisas. Daí que desde aqueles conceitos platônicos, a escola esteve ligada ao aprendizado, e não é atoa que Platão e sua turma de pensadores se reuniam dentro de uma academia para pensar. Comecei a abrir um pouquinho o leque do conceito sobre "escola" para que fique totalmente claro onde eu quero chegar. Quero que você me entenda que eu realmente quero falar de uma escola cuja finalidade é aprender. E não estou falando se a educação no Brasil funciona, nem nada disso. Pegue apenas o conceito de que escola é um lugar onde se aprende. Tudo certo até aqui, né?

Agora pense em quantas escolas você pode estar nesse momento em que nem faz ideia... Vou tentar te dar um exemplo, já que a princípio essa frase parece muito subjetiva. No final do post eu vou repetir ela e espero que consiga fazer você me compreender. E vou começar primeiro falando da escola pela qual a gente já vai ter a mente formulando as cenas enquanto lê o texto. A imagem de uma bancada de crianças ou adolescentes (ou adultos, caso tenha pensado numa faculdade), dentro de uma sala de aula ouvindo o professor dar sua matéria. Querendo ou não, a forma de aprendizado mais comum que se conhece é essa, onde temos um orador e os ouvintes. E na posição de alunos, alguns aprenderão mais do que outros. Agora, vamos tentar nos imaginar como os alunos, para eu propor uma ideia aqui.

Um Aluno Eternal


E nesse contexto óbvio, apenas o fato de você frequentar a sala de aula todos os dias, farão com que sua vida se molde aquilo. Quando eu disse que a escola forma uma pessoa (eu disse isso?) eu quis dizer que a gente toma uma série de comportamentos e visões de mundo graças a tudo o que está ligado a escola. E vamos supor que duas vezes por semana você tem feito umas aulinhas de língua estrangeira. Apenas o fato de fazê-lo se mover aquelas aulas, te darão um aprendizado extra sobre outras pessoas que prefiram ficar em casa. Então, você seria aluno de uma escola rudimentar e de um curso extra-curricular. Muito bom para você, que vamos supor que seja muito aplicado nos dois lugares.

O fato de sua mente ter um desdobramento em afazeres diferentes, o obriga a ter a atenção e o aprendizado moldado em lugares diferentes. E aí, dentro do meu contexto inicial, poderíamos dizer que seriam duas escolas diferentes. Mas agora, eu queria aumentar a linha de exemplo, colocando aqui uma nova escola que muitas vezes não encaramos desse modo: um relacionamento amoroso. Imagine agora, que você conseguiu seu par romântico, mas que pelas vias sádicas do destino, só seja possível encontrar com essa pessoa aos sábados. Nos dias de hoje, diante de tanta tecnologia, eu acho que telefone, email e SMS dariam muito mais unificação a qualquer casal, mas vamos remontar a uma ideia um pouco mais antiga e supor que os encontros românticos só sejam possíveis uma vez por semana.

Uma vez por semana e você dedica seu tempo a conhecer melhor outra pessoa. Ou mesmo depois quando julgue já conhecer totalmente quem ama, ainda assim estará dedicando seu tempo a ela. E se todo tempo é uma soma de experiências, então querendo ou não, seu aprendizado continua. A princípio pode parecer que não, mas apenas reforçar algo que já se tem (como um sentimento) é potencializar um aprendizado. E como em qualquer escola, você não estuda várias vezes uma mesma matéria para se tornar melhor nela? Vamos supor que seja um namoro, então uma dedicação semanal, mesmo que curta, seria o suficiente para manter a periodicidade projetando aquele tipo específico de escola: uma escola chamada relacionamento.

E sem me prender muito a esse exemplo, imagine aquelas pessoas que uma vez por semana vão para a igreja no domingo rezar. Elas podem passam uma semana inteira sem se quer lembrarem que Deus existe, mas, o período de algumas horas dentro de uma igreja podem ajudá-las a manter seu lado da espiritualidade ativo. Ou seja, aquele mesmo conceito que comecei a explanar no início sobre as escolas em nossas vidas, podem ser muito bem aplicadas a praticamente tudo. E aqui, nesse último exemplo, apenas uma vez por semana te manteria um lado espiritual vivo, e quanto mais tempo dedicasse, maior seria o crescimento desse lado espiritual.

Como em qualquer escola, nossa dedicação é o fator que vai determinar o quanto estaremos abstraindo de aprendizado que aquilo proporciona. Seja abstrair o amor ou o prazer em um relacionamento, uma carga espiritual, um conhecimento técnico provindo de algum curso de língua estrangeira, e por aí a lista se estende. Até mesmo quando estamos em casa, às vezes no contato com nossa família, ou dedicando um tempo para lermos um livro. Tudo aquilo que fazemos em detrimento de abstração, pode gerar aprendizado. Mesmo em coisas que acreditamos já termos todo o aprendizado, ainda assim reforçamos o que sabemos. Por isso, muita coisa - ou quem sabe tudo - pode estar bem aplicado dentro do contexto sobre escola. Uma escola vivencial, onde somos eternos alunos.

Um Problema Escolar


Se eu consegui me expressar bem, então você entendeu que eu quis propor que tudo aquilo que fazemos com certo período em nossa vida pode ser considerado como uma escola. Mas, agora eu queria caminhar com um pé no chão, para expor um ponto muito negativo que recaí nessa história toda. O fato que se você dedica seu tempo para uma coisa, então você abstrai algo dessa coisa, e esse algo pode ser bom como pode ser ruim. O que quero dizer é que nem todo aprendizado é bom. E vamos para um fato bem real disso: A escola do trabalho.

Algumas pessoas tem sorte de estarem satisfeitas com o trabalho, e outras não. Não é nada incomum ver pessoas e pessoas rogando praga no trabalho ao condenar as segundas-feiras, ao propor o quão agradável é sair na sexta-feira a noite para poder curtir os finais de semana. Tudo isso parece esteriotipar o quanto trabalhar é uma coisa ruim no quesito do prazer. Até o sábio Seu Madruga já dizia isso: "Não há trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar".

Com isso em mente, temos que convir que se toda a nossa dedicação de tempo em pró de alguma coisa é estar em uma escola, então há certo sentido se a gente pensar que - pelo menos para muitos - o trabalho seria uma escola ruim. Quando a gente estuda na escola rudimentar lá do colegial, muitos a consideram ruim. Quando a gente está na escola de um relacionamento, alguns consideram boa - e alguns também consideram ruim. As vezes o mesmo acontece na escola da família, ou num curso profissionalizante e a lista, naturalmente é longa. Mas para não me perder em outro devaneio, quero voltar com meu exemplo do trabalho.

Imagine que você está infeliz com seu trabalho. Já pensou que, assim como todas as outras escolas de sua vida, você se dedica quase que em tempo integral para algo que pode ser uma má escola? Se todos nós abstraímos um aprendizado de cada escola da vida, já pensou que talvez, um trabalho ruim - ou um relacionamento ruim - possam estar fazendo com que você esteja abstraindo coisas totalmente ruins para si? Não é um simples acaso que muitas - e realmente muitas - causas de afastamento do trabalho sejam provenientes de depressão. Talvez, com uma reflexão assim, tirada num dia assim, possa fazer com que você pense melhor se realmente está "aprendendo" aquilo que quer para a vida.

Um Aluno Eternal num Problema Escolar


Mas, acho que poderia caber uma pergunta aqui: Como a gente poderia saber se nossas escolas estão realmente nos fazendo bem ou não? Às vezes, no decorrer do tempo, e na correria alucinada do dia-a-dia, nem paramos para nos perguntar se estamos abstraindo coisas boas agora que colheremos no futuro. Já estamos, com certeza, colhendo os frutos de coisas plantadas no passado, mas será que colheremos boas vinhas de frutos no futuro? Não quero fugir muito do contexto real para ir ao lado metafórico, mas queria realmente que esse texto valesse uma reflexãozinha. Queria que pensasse, aí por um instante, nessa coisa toda de ser um eterno aluno na escola da vida, por mais piegas que essa frase possa soar.

E acho que posso ajudar a deixar mais uma coisinha aqui no meio de tantas palavras: uma sugestão de como identificar uma escola ruim e como não pedir a matrícula dela. Para identificar eu acho que não deve ser assim tão difícil: certamente a gente pode dedicar um tempinho reservado à nós mesmos para sabermos se estamos felizes na nossa vida ou não. E quando não, fazer uma análise minuciosa de todas as escolas que temos, e quais os problemas que cada uma possua. Vamos supor que você chegue a conclusão, que, uma das piores escolas em que você está envolvido seja o trabalho. Imagine que você está vivendo infeliz porque seu trabalho é desmotivador e desgastante, e tudo o que ainda o faz manter lá é a taxa alta de desemprego e o salário que paga suas contas.

Numa situação como essa, pode parecer difícil sair dessa. Muitos livros de auto-ajuda por aí tentando propor mudanças radicais, do tipo largar tudo e recomeçar. Mas a gente sabe que não é uma coisa simples, que no dia seguinte após refletir sobre isso a gente põe em prática. O tempo trabalha com um algorítimo de mudança que faz com que todos os conselhos e dádivas de auto-ajuda percam um pouquinho do sentido. Então, eu queria propor uma coisa um pouco diferente, mas que para funcionar, o conceito de uma escola vivencial precisa estar bem definido até aqui. Por que eu vou dar um exemplo dentro dessa metáfora para ser usado na sua realidade: seja um aluno bagunceiro.

Em qualquer escola, haverão os alunos aplicados, que geralmente irão prestar mais atenção em todas as aulas e tirar as melhores notas. Toda nossa sociedade é baseada numa espécie de meritocracia, que faz com que ser um aluno aplicado signifique a coisa certa a ser feita. E sim, os professores agradecem essa postura. Mas quando a gente está abstraindo coisas ruins, ser um aluno aplicado apenas o fará abstrair as coisas ruins com mais eficiência - e por tanto piorando ainda mais - a situação atual. Daí que um aluno bagunceiro, justamente por não ter sua atenção tão voltada para as aulas, acaba abstraindo menos informação, e por tanto, se contaminando menos.

Além de tudo isso, é claro que também há um outro contra-ponto bem interessante. Toda sua vida pode ser segmentada em várias escolas vivenciais das quais participa. Você deve ser capaz de conseguir separar quantas horas por dia dedica ao trabalho, aos amigos, família, relacionamentos, espiritualidade, conhecimentos técnicos, cultura, etc.  Dentre todas essas escolas, ser o aluno bagunceiro e desinteressado naquelas que nada acrescentam é algo bom. Mas tem algo que pode ser ainda melhor: matricule-se em novas escolas. É isso aí, vou deixar sua mente trilhar o resto, com o insight que já tive nessas reflexões perdidas por aqui.

Conclusão


Se você já tentou mudar alguma coisa em sua vida e viu que não funcionou, ou apenas ouviu aquele papinho utópico de que basta seguir uma receita de bolo para a vida melhorar, então repense um pouquinho em tudo o que leu. Será que as más escolas em que você está matriculado merecerem realmente de toda sua atenção? E se, você puder se matricular em algum cursinho novo por aí? Talvez uma leitura de um livro sobre determinado assunto todos os dias; talvez um tempo maior para dedicar a reconstrução de um relacionamento; talvez um tempo ouvindo as músicas que gosta ou aprendendo coisas novas num podcast. São muitas possibilidades e muitas reflexões. E tudo isso apenas para que eu pudesse propor um contexto de nossa realidade, dentro de algo mais simples para visualizar.


Essa vai ser a finalização mais breve, pois gostaria de apenas repetir uma frase desse post: Pense em quantas escolas você pode estar nesse momento em que nem faz ideia... Pensou, diz aí nos comentários se concorda com esse devaneio. Qualquer dia eu tentarei fazer outros posts dedicados a outras duas filosofias de vida parecidas com essa, que é a do suporte às mesas e a do terreno baldio. Enquanto isso, se você também quiser compartilhar uma sintetização particular da sua da vida, pode postar também.

Realidade Alternativa: Fome → Você vive bem com o que tem?
Como Copas e Raízes → Um conto metafórico qualquer
Você tem certeza? → Reflexão sobre as dúvidas que temos na vida
Desilusões do Tempo → Minha parcela de falar sobre o efeito do tempo
"O início do pensamento está no desacordo. Não só com os outros, mas consigo mesmo" (não lembro de onde ouvi ou li essa citação! alguém me ajuda para por os devidos créditos?)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Fim de Ano 2013


E cá estamos novamente. Todo ano a mesma postagem parece surgir aqui, e pelo título do post e pela recorrência e variedade do texto, eu poderia simplesmente copiar o que já tinha escrito no ano passado. Mas aí eu parei para analisar que já fazem quase 3 meses que não posto mais nada, e não queria com isso assumir o abandono desse pobre e velho blog na web. Então, Feliz Natal. Isso é tudo o que tentarei enrolar no texto gigante à seguir, e por tanto, para poupar seu precioso tempo de leitura, pode parar aqui.


Tempo e Castigo


Uma coisa bizarra sobre o texto que você está lendo, é que isso tudo foi escrito num paradoxo de tempo maluco. Eu já tinha escrito ele bem antes do término do ano, como que fazendo uma previsão furada de como as coisas iriam acontecer. E para 2014 a mesma coisa se repete - ainda mais por ter acontecimentos já marcados na agenda e que não podem se quer serem desmarcados. Mas depois eu falo disso tudo. Por enquanto vou só explicar o porque esse post é o mais confuso de todos aqui nesse blog.

Primeiramente, como já comecei a dizer, teve uma parte dele escrita bem antes. E aí, no corre-corre dos dias, eu revisei tudo e pude constatar que acertei várias coisas e errei outras. Mas tudo bem, na minha eloquência mental, eu não iria simplesmente reescrever tudo, e sim mudar trechos avisando qual parte foi uma previsão acertada e qual foi uma previsão furada. Só que o final do ano chegou, e esse post nunca foi lançado quando deveria. Daí minha mensagem de feliz natal que havia embutido em várias metáforas sumiu, e o post já não fazia o menor sentido. Então eu engoli a frustração de ter perdido a aposta que fiz entre eu e o tempo, e abandonei o blog.

Mas eu abandonei daquele jeito maroto. Eu escrevia a todo tempo que conseguia deixar minha cabeça fluir, mas por não conseguir revisar o texto logo na sequência, então não o publicava. E essa brincadeira rendeu muito rascunho e texto inacabado, cujas ideias, valores e eu mesmo mudei tanto, que já nem mais via uma forma para publicar tudo aquilo. São 47 textos, que, agora em que escrevo, estou totalmente motivado a publicar cada um deles, quer o conteúdo seja interessante ou nem tanto.

Esse post que você lê nunca foi publicado em qualquer data aleatória de 2013, como assim está arquivado.E o mais interessante, é que agora, provavelmente junto desde texto também é provável que eu tenha postado outro tantos na mesma sequência, e ninguém - nem eu mesmo - nunca saberemos as datas que qualquer um deles correspondem.

sábado, 2 de novembro de 2013

Sobrevivência além da Morte


Somos reféns da sobrevivência. Na verdade, arrisco dizer que não há nada mais importante do que isso; E muitos poderão discordar de mim, dizendo que o mais importante é simplesmente viver. Assim queria apresentar um vídeo, que mostra uma palestra e que logo nos primeiros minutos já resume tudo o que eu quis dizer, mas não consegui. Depois disso, eu começo o post.




Cérebro Otimista ou Pessimista?


A proposta inicial é que nós temos uma necessidade de prestar mais atenção as coisas ruins do que as boas. As desgraças são potencialmente mais importantes pois ela podem ditar uma forma de nos guiar a sobrevivência. Até me lembrei do que meu professor na faculdade vivia repetindo em suas aulas: "Há duas maneiras de você aprender: Uma é quebrando a cara, e a outra é vendo os outros quebrarem a cara".

Só que pelo que eu já andei googleando, há controvérsias. Há uma boa série de artigos científicos que defendem a ideia de que nosso cérebro é naturalmente otimista. Ou seja, totalmente contraditório com a proposta daquele vídeo que diz que somos naturalmente atentos ao pessimismo. Um exemplo seria o fato de assistirmos uma história de superação e acreditarmos que aquela história pode ser aplicada para gente, mesmo que a história retrate uma exceção e não uma regra. Pelo outro lado da mesma moeda, notícias que falam sobre câncer, guerras, acidentes, miséria e etc parecem sempre apenas abater os outros e não nós. Um manto de proteção do otimismo nos deixa naturalmente intactos.

Causa Mortilis


E apesar de tudo, acho que dá para chegar numa conclusão saudável. Nós somos sim naturalmente otimistas, regados por uma esperança que faz o mover do dia-a-dia. Até porque, se não houver essa esperança e esse otimismo natural, então estamos diante de uma doença que precisa de tratamento e remédios. Eu já fiz um post superficial falando sobre a depressão e a angústia, que talvez até vale a pena um clique por lá.

Esses dias eu andei lendo sobre o quanto o número de casos de transtornos mentais vem aumentando, e o quanto a depressão vem se tornado uma doença padrão nos dias de hoje. Tem aqui um infográfico nesse link aqui do Terra, mostrando as doenças que mais matam no Brasil e no mundo. Eu tinha ficado surpreso por ver que nenhuma doença de cunho psíquico estava na lista, mas foi fácil entender o porquê: Um transtorno mental pode levar uma pessoa ao suicídio, mas a causa da morte será o suicídio e não o transtorno. Por isso fica mais difícil de se obter dados nesse sentido. Mas vamos supor que essa notícia aqui do G1 esteja certa, e que portanto está pareando ali com o câncer de pulmão, tuberculose e diabetes.

Causa Sofrelis


Mas até aí eu só falei da morte. O estado final e irreversível de uma doença. O problema é que quase não se fala da parte sobre o sofrimento causado. O sofrimento é incontestavelmente pior. Para alguns casos, dependendo de sua crença, a morte pode até ser um alívio. E então, falar sobre o sofrimento me esbarra dentro de dois tipos de sofrimento, que é o físico e o psicológico. O físico vem de uma dor, que como por exemplo, bater o dedinho do pé na quina da mesa. Isso dói muito, mas essa dor não tem potencial algum para gerar sofrimento. Uma dor de cabeça é algo tão terrível quanto cair da escada. Mas ali a gente fala da dor, e apenas isso.

Se a dor não passa, então aquilo deixa de ser dor e se transforma em sofrimento. Eu sei que estou sendo o sr. Óbvio nesses últimos parágrafos, mas é que eu quero construir uma linha de raciocínio simples para explicar um outro ponto mais complicado. Quando a gente lida com dores psicológicas, como traição, fim de um relacionamento, morte de algum familiar e outras coisas do tipo, eu também vejo que tudo isso gera dor. Essa dor você pode chamar de tristeza se quiser, só para diferenciar mais das dores físicas. Mas o processo é o mesmo; Quando um relacionamento termina, você está triste, e parece que está sofrendo simplesmente porque a tristeza continua dia após dias.

E o ponto onde quero diferenciar nessa história toda, é que o sofrimento ele só existe quando você não sabe quando a dor vai terminar. No caso de ter cálculo renal, e ficar lá com aquela dor insuportável de seu rim sendo dilacerado, aquilo não chega a ser necessariamente um caso de sofrimento se você souber que vai passar com o tratamento adequado. Claro que você sofre enquanto o tratamento não for feito, mas o simples fato da situação estar sobre controle faz com que tudo fique mais fácil de ser superado. E o caos todo só vem quando não há nenhum tipo de perspectiva de memória. Nesse caso, a única coisa que posso dizer para te animar vem da frase de um filme que nem lembro mais qual era, que dizia: "O tempo é a cura para tudo". E em fato, se sua vida era diferente à 15 anos atrás, daqui a 15 anos no futuro, tudo pode estar completamente diferente. Tudo isso pelo simples agir do passar do tempo.

Conclusão


Acho que esse post ficou tão prolixo quanto os demais. Tentei fazer uma diferenciação da dor, do sofrimento, e nem consegui. Mas como eu não sou muito eficiente nessa elaboração de ideias, vou colar aqui um pedaço de um artigo do dr. Drauzio Varella, que vala especificamente do sofrimento. No caso, ele aplica isso ao sofrimento físico, mas não é assim tão difícil para reler isso com uma abrangência maior:

"(...) Parece que enterraram uma faca na carne da gente. Depois de algumas horas com ela, a vida se transforma num vale de lágrimas. Às vezes, é pior do que a morte. (...)"


Nesse texto, o ponto principal diz que a morfina é a solução da medicina para a dor física. Para a dor mental já é mais complicado, pois existem vários tipos de anti-depressivos, mas assim como a morfina, o acesso não é tão fácil. Só que tem um agravante. Quando você vai no médico e está com dor, a morfina é uma solução de ouro para resolver o problema. Mas quando se está com um sofrimento, o diagnóstico não sai com uma conversa de 15 minutos.

Vou encerrar esse texto, que já ficou longo até demais com a sugestão de um link meio perdido aqui, do Izzy Nobre, que ele dá uma boa sugestão para conquistar a felicidade. Depois de ler esse texto fiquei até com vergonha de meus posts antigos em que eu falava sobre a busca pela felicidade, como por exemplo aqui e aqui. Definitivamente é uma busca infinita. E aí, nesse compêndio, vou deixar o link de um outro vídeo, falando um pouco sobre a Morte, particularmente coloca alguns dilemas e debates prontos para discussão.




O ideal era terminar um texto triste com algum tipo de palavra de consolo, ou de esperança. Mas eu não sei fazer isso. Não dá para dizer que a vida é um mar de rosas, quando muitas vezes, tudo o que sempre sobra são os espinhos. Então, em um blog que tem como propósito as desilusões, nada mais justo do que ser assim. Aproveite e deixe uma desilusão aleatória nos comentários :)

Crenças Imutáveis → Suas crenças são mutáveis
Tríade Proibida → Uma polêmica fail sobre o que não falar
Acaso e Destino → Você acredita no destino?
Meu cachorro morreu → Quando eu achava que sofria

sábado, 21 de setembro de 2013

Bobos, Agressivos e Pacíficos-Pero-No-Mucho


O que mais me motivou a escrever esse post, foi uma definição que escutei e que nunca tinha pensado sobre isso. Trata-se do pacifista agressivo. Para mim, as duas palavras não tinham uma harmonia por serem antônimos. E eis que, com base nas definições, eu percebi o quanto podemos ser agressivos mesmo dentro do mais belo estandarte de paz que se ostente.


O Bobo

Eu queria citar aquele texto (de certo modo conhecido) da Clarice Linspector que diz "Das Vantagens de Ser Bobo". Mas o bobo em que eu iria me referir aqui, é em seu contexto mais comum, ou seja, o depreciativo. Aquele contexto em que usamos para xingar os deprovidos de sapiência, se é que fui claro. Assim, um bobo é alguém idiota. E nessa definição brilhante, vou tentar definir como um bobo age.

Na vida, de um modo geral, muitas pessoas vão tentar tirar vantagem do bobo, afinal de contas, o íntimo de qualquer ser humano sempre preza pela própria sobrevivência. E no mundo real, quando mais alguém tem vantagens, melhor ele sobrevive. Por isso, é fato que haverão aqueles que ficarão perto de você (nesse exemplo supondo que você é o bobo) apenas para usufruir de algo que possui.

Ao contrário do que se pensa, um bobo não é aquele que não sabe que está sendo usado. Quem é explorado e não faz ideia disso é apenas uma vítima ingênua da charlatanice alheia. E esse cidadão é apenas alguém que naturalmente vai sofrer muito até que aprenda que ele é vitima de si mesmo.

O bobo a que me refiro é aquele sujeito que sabe que está sendo enganado, mas não procura se defender. Se ao menos ele tentasse se defender, então ele não seria mais um bobo, e sim uma vítima consciente de sua ingenuidade. Mas se ele, mesmo sabendo que é manipulado, não tenta fazer absolutamente nada, então aqui temos um caso típico de um bobo natural.

O Agressivo

Existe uma diferença grande entre um sujeito agressivo, e aquele que é o charlatão da história. O que tenta fazer os outros de bobo (e as vezes consegue), é apenas alguém que não aprendeu a viver em sociedade e acha que ainda está na selva, por isso tem que sobreviver passando por cima de todo mundo. Esse aí é só um psicopata disfarçado de gente, que certamente irá sobreviver a custa de muitos bobos por aí. Mas um dia ele poderá encontrar um sujeito agressivo. E aí as coisas ficam interessantes.

O sujeito agressivo é aquele que para sobreviver, vai se impor. Ele não vai aceitar levar desaforo para casa, e também pouco vai ficar quieto diante de qualquer injustiça. O Agressivo é aquele que tem uma postura mais idealista, mesmo que dentro de seus moldes, onde todos os seus ideais precisam prevalecer. E por aí vemos muitos sujeitos naturalmente agressivos, que usam principalmente da agressão verbal e gestual como meios de impor seus pensamentos.

Se fizermos um paralelo, poderíamos até dizer que o agressivo geralmente é a antítese do bobo que descrevi. Assim, enquanto o bobo é o sujeito que se cala diante das pessoas que o fazem de bobo, alguém agressivo jamais vai suportar ser feito de bobo, e por isso, com unhas e dentes ele acreditará que a agressividade é a melhor medida preventiva para se sobressair em muitos ramos da vida. E naturalmente, ele também tende a fazer mais inimigos e causar mais desavenças por onde passa, afinal de contas, impor uma opinião significa debater com opiniões diferentes da sua.

O Pacífico Pero-No-Mucho

Infelizmente, muita gente vai tender a confundir um ser pacífico com um bobo, e por isso, é necessário primeiro explicar as diferenças. O bobo vai se calar diante de uma injustiça, porque afinal de contas, ele leva desaforo para casa. Se fosse alguém agressivo, iria brigar por aquela injustiça. Mas o pacífico, ao prezar pela paz, irá encontrar seus meios de combater aquela injustiça sem ter que brigar ou usar a violência. Por isso ele usa da paz. Só que não.

Quando uma pessoa é muito boba, você logo sabe, ou pelo menos logo imagina que sabe. Quando uma pessoa é agressiva, você também logo, sabe. Afinal de contas, se pudéssemos estereotipar todas as pessoas, certamente poderias classificá-las nesses dois tipos. Aquelas que lutam contra uma injustiça e aquelas que sofrem as injustiças. Mas foi aí que eu pensei que há sim um terceiro tipo, que aos olhos comum tem tudo para parecer um bobo, mas ele apenas procura os melhores modos de se vingar descontar as injustiças que sofre.

Foi daí que eu ouvi essa tal coisa do pacifista agressivo da qual não tinha parado para pensar que existia. Pessoas que sabem ser tão cruéis e impositoras de suas opiniões quanto àquelas que por definição agridem. Eles sabem ofender e atacar sem precisar de uma palavra para isso. Aos olhos desatentos, verdadeiros seres pacíficos, mas pero-no-mucho...

Conclusão

De vez em quando eu faço um post bem simplista e superficial para generalizar coisas que jamais deveriam chegar nesse extremo. Eu que sou contra a generalização faço posts para generalizar. E aí você entende o porque esse blog é uma larga coletânia de desilusões.
Você conseguiria se encaixar em um desses tipos que propus? O quanto de vezes você é obrigado a ser um bobo por não ter o poder necessário para enfrentar as injustiças que lhe transcorrem? E quando é você quem comete as injustiças - as vezes sem saber? Nesse jogo de magoar e ser magoado que a vida propõe, que tal uma breve reflexão se alguma vez você não era nem um bobo e nem um agressor. E aí, ostentaria você um falso semblante de paz?

Procura-se um Cão → post pessoal anterior
Qual sua Personalidade? → mais um post comportamental
Lobo Solitário → sobre meu eu calado
Nosso Único Cúmplice → você e seu subconsciente

sábado, 3 de agosto de 2013

Procura-se um cão


Esse post é um relato sobre a perca de minha cadelinha. Eu sei que você não tem nada a ver com isso, mas o mimimi isolado faz parte da corrente de desilusões desse blog. Se eu conseguir, até o final desse post tentarei propor um lado positivo de tudo isso. Mas antes, a parte mórbida da coisa é inevitável em meu estado de espírito atual. Ou seja, pode pular esse texto e ir se divertir. Não há nada animador aqui.

Um caso em muitos


Um sábado de inverno, tipicamente frio, como muitas vezes é até incomum de ser em nosso país tropical. E enquanto eu me divertia longe de casa, havia um estandarte de desespero em outro canto da cidade. Naquele instante minha cachorrinha Laika, de quase 3 anos, havia acabado de se perder. Ela sempre foi medrosa desde pequenina, e me lembro do medo que ela tinha até para dar alguns passos mais longe do que sua cama. Mas nada disso se compara ao medo desesperador que é perder sua única fonte de segurança, que era o lar.

Eu sei que muitos tendem a criticar os donos quando a perca de um cão acontece, associando a eles a irresponsabilidade na falta de cuidado com a segurança do pequenino. Infelizmente sabemos que em alguns casos a irresponsabilidade existe, e em outros não. Vou tentar relatar de modo resumido como que Laika se perdeu por aí, e depois você fica livre a tirar suas próprias conclusões sobre qual teto é tingível das pedras que pode juntar.

Laika passeava todos os dias na coleira, e minha irmã sempre a levava pelo quarteirão e nas proximidades. Sem dúvidas era o momento que minha cachorrinha mais esperava do dia, abanando o rabo e pedindo ansiosamente pelo momento de andar pela rua. Eu nunca entendi, de verdade, o que faz a realidade das ruas ser assim tão grandiosa para os cães. Mas esse ar do mundo novo fisga os cães que moram dentro de casas ou apartamentos. Para eles é um mundo em que há outros cães e pessoas, e a imprevisibilidade quebrando a rotina está ali. Ironicamente, quem está lá quer (muitas vezes) entrar dentro de uma casa, e quem está em casa, quer se aventurar por lá.

Uma característica muito visível na Laika, que era seu medo, atingiu o ápice quando ela viu um cachorro grande em sua direção. Talvez gigante na perspectiva dela, que era pequenina, muitas vezes sendo confundida com poodle aos olhos mais desatentos. Assim que o instinto de sobrevivência foi ativado, ela simplesmente se esqueceu que estava na coleira e que estava segura com minha irmã, e um ataque paranóico de desespero a fez se retorcer como podia achando que isso a salvaria de tudo. Antes que minha irmã pudesse recolher ela em seu colo, a coleira se solta, e ela foge.

Mas Laika ainda conhecia um pouco daquele quarteirão, e não fugiu sem nenhuma direção em mente. Ela sabia que dentro de casa sua segurança estaria completa, e por isso lá foi o lugar em que recorreu. Ela parou em frente do portão de casa, chorando e implorando para que alguém abrisse a porta, mas o tempo não colaborou. O cão gigantesco surgiu pela esquina correndo em fúria, e tudo o que restou para Laika foi que ela fugisse novamente. Mas dessa vez não era para um próximo refúgio, e sim para nunca mais dificilmente voltar.



Depois que eu soube da notícia, toda cadeia de fatos acima pareceu não ter importância alguma. Minha família estava muito abalada, e ninguém sabia o que fazer. Divulgamos pela internet, usamos cartazes, fizemos buscas incessantes e nada resolvia. Essa resposta negativa que a realidade nos dava era tão frustrante que diminuía as esperanças de reencontrar Laika novamente. O ato mais triste, certamente é você colocar a cabeça no travesseiro e imaginar que naquele segundo uma vida que lhe era pretendida em tanto amor podia estar por aí, passando frio, fome, medo, desespero e sentimento de abandono. Para que essa morbidade não fosse tão destruidora, um pensamento de que alguém poderia tê-la achado e estava cuidando dessa pobrezinha tentava amanciar o estado de espírito.

Eu juro que criei um processo para praticar um desapego, para esquecer a história e tentar apenas me concentrar que tudo estaria bem com ela. Queria ser um conhecedor da psicologia canina e ser capaz de calcular quanto tempo levaria para ela se adaptar a nova família feliz e amável que poderia lhe encontrar. Mais do que isso, quanto tempo levaria para que ela se esquecesse de todos nós e conquistasse uma nova felicidade para si; tentei me enganar com coisas do tipo, mas eu sabia que não iria ser fácil, pois demandava de tal frieza em meu coração que certamente não possuía.

Três dias depois, recebo uma ligação de alguém dizendo que a viu nas ruas, que reconheceu que era a Laika por uma manchinha característica em seus olhos. Descreveu que ela estava assustada, correndo pela praça. Na hora, aquela ligação reacendeu minhas esperanças, e isso foi bom. E para lá fui, e por lá procurei, e por lá não encontrei. Aquilo doía em meu coração, que não acreditava nessa realidade infâme de um mundo em que procurar e encontrar é em vão. Foi frustrante encontrar uma pista que destruía a ideia que eu tentava construir sobre Laika sendo bem cuidada por uma família feliz.

E eu sei que ela é um cão. E que quem lida com desaparecimento de pessoas e entes familiares acaba sofrendo muitas e muitas vezes mais. Mas eu não quero ponderar essa dor, pois cada caso é sempre um caso. O que eu sei é que as vezes perdemos uma roupa e já ficamos enraivecidos, simplesmente porque a roupa é a mais importante naquele nosso mundo acomodado com a realidade atual. Quem lida com desaparecimento de pessoas certamente sabe do quão fútil é essa realidade, mais do que eu, que agora lido com apenas o desaparecimento de um animal de estimação. Deveria ser fácil, mas não é.

muitos casos em um


Eu sei que um post desses, aos olhos de alguns, tende a parecer como um derramamento de um egoísmo qualquer. Existem centenas de animais perdidos e eu achar que tenho algum tipo de preferência em seu compadecimento. Milhares de pessoas e outros animais sofrem abusos, torturas e dores infinitamente maiores do que a minha, e aqui me pego dedicando a maior parte do post para falar de uma cadelinha chamada Laika. Mas normalmente são casos assim que as vezes ajudam a dar uma perspectiva diferente em nossas vidas e nos fazer mudar alguma coisa. Vou deixar aqui um dos vídeos que me emocionaram muito que falam da doação de medula óssea. A construção do vídeo em si surgiu em um caso isolado, mas muitos se mobilizaram com ele, e um caso certamente poderá salvar muitos outros.



E aqui, nesse desfecho, Laika é apenas um caso em muitos. Se de repente você entender que, em cada caso há um sentimento maior envolvido, talvez, aí na sua cidade ou região, passe a olhar com mais cuidado os animais pelos quais cruzam com você no dia-a-dia. Será que algum deles não pode estar perdido também? Será que algum deles não pode estar sentindo o terror de um mundo selvagem para o qual não foram preparados?

Vou deixar o link de algumas comunidades no facebook, de pessoas que fazem um trabalho incrível de divulgar animais perdidos e encontrados. Não custa nada você dar uma passadinha nas páginas de sua cidade para quem saber, ajudar pessoas e animais que podem estar ali, cruzando pela rua num dia qualquer enquanto vai ao trabalho ou escola.



Em tempo, no site cachorro perdido, é possível fazer uma busca por animais desaparecidos (e encontrados) ali na região onde está. Tem um mapinha interativo, e não custa nada dar uma olhadinha no mapa para ver algum animal que pode ter sido perdido em seu bairro. Vai que ele está ai no portão da sua casa e algumas quadras dali tem alguém sofrendo por algo tão simples de ser resolvido?

um adentro sobre a Laika


Mas ao que tudo indica, esse post não foi só mais uma desilusão aleatória. Depois dos acontecimentos, conseguimos recuperar a Laika de volta. E isso aconteceu depois de uma semana, graças a insistência de espalhar cartazes e apostar na divulgação. Pois o dono de um petshop acabou reconhecendo a foto e entrou em contato. Passou o endereço de quem havia encontrado a cachorrinha e depois disso tudo ficou mais fácil.

Mas uma coisa interessante, é que uma semana foi o suficiente para que a Laika já encontrasse dificuldades para reconhecer sua "família". Levou algumas horas até se recuperar do trauma e voltar ao normal. Tanto que foi difícil reconhecer se era ela mesma, principalmente por estar tosada e bem diferente. Ainda tiveram outras peculiaridades, como o fato da pessoa que achou o animal colocar informações contraditórias sobre a situação do encontro... mas deixa para lá, o que importa é que tudo terminou aparentemente bem. E vou finalizar deixando uma foto dela no dia seguindo ao reencontro. Já tosada e irreconhecível para nós.




Esses dias me peguei pensando no quanto é difícil se desapegar de algumas coisas, de criar mudanças de rotina ou simplesmente precisar se acostumar ou desacostumar com alguma outra coisa. E essa dificuldade pode parecer beirar o impossível dependendo da importância que aquilo tem, tinha ou terá para gente. A solução mais clássica de todas - depois que a esperança morre - sempre é aquele tal mandamento do desapego. Sempre nos pedem para abrir um sorriso no rosto, encarar a mudança de frente e praticar o desapego. Isso é perfeito em teoria, mas sabemos na prática que muitas vezes o resultado é um desapego falido.

Uma Revolução no Brasil → Último post, sobre as manifestações
Choro Límbico → Último post falando sobre um animal de estimação
Porque expressar uma desilusão? → Motivos para postar mimimis
Salve os Insetos, Salve o mundo → Esqueça animais, salve insetos
"A dor de uma perca pela morte ressurge pela lembrança. A dor de uma perca pelo desaparecimento ressurge pela esperança. Quem diria que lembrança e esperança também podem ser vis quando querem, mas belas na sua própria máscara da semântica." - Ledark

domingo, 16 de junho de 2013

Uma Revolução do Brasil


Primeiro ponto: A polícia não é inimiga do povo, como muitas vezes é a impressão que parece. E eu não vou automaticamente defender a polícia só porque citei um ponto a favor dela. E também não vou defender os manifestantes só porque disse que não defenderia a polícia. E aí, se você conseguiu absorver um pouco do ar da imparcialidade, acho que pode prosseguir a leitura. O primeiro passo é manter a mente aberta, porque se não, esse é só um texto inútil que fará você ficar com raiva de mim no final.




A Causa da Manifestação


A informação parece um pouco difusa. Tem gente falando que é movimento partidário, tem gente associando até o grupo Anomymous de hackers. Ou seja, a bagunça informacional da coisa é grande. Então, vamos partir do pressuposto que você pesquisou, e que sabe de pelo menos o grosso dessa história. Ou seja, nada.

E é fácil de entender o porque dá a impressão de não existir uma causa única dentro do protesto; o protesto é feito por pessoas, e embora o estopim ideológico seja contra o aumento do preço das passagens de ônibus/metrô, quem se juntou a lutar pela causa são pessoas, e não palavras que compõe a cartilha do manifesto. E aí, terão aqueles que estão mais exaltados, outros que querem aproveitar para expor sua indignação por outros pontos, e alguns que vão sem saber o porque mas querem ver o circo pegar fogo.

Você pode pensar que isso faz com que a manifestação perca o sentido, como já vi algumas pessoas dizendo. Mas pense que o mesmo estopim ideológico ainda tem sua força, porque muitos estão lá pelo ideal apresentado, que no caso, é o movimento Passe Livre. Quem está dentro do Movimento ainda mantém o foco e a linguagem deles para com os governantes é clara; É ingenuidade achar que o poder público está confuso igual a eu ou você possamos estar. E acho que vou acabar de entrar em contradição, porque diante de tudo o que estou vendo, a impressão que fica é que o Brasil em si não está preparado para nada isso, em vários aspectos.

E é bem verdade que tudo isso não aconteceu num belo dia de manhã. Existem pessoas que defendem que essa manifestação demorou demais para acontecer, mas é um ledo engano. O Passe Livre não nasceu do dia para noite, e já faz um tempo que eles tentam algo nos moldes mais burocráticos e pacíficos que existem. Não funcionou. Mas de qualquer forma, vamos ser francos em um outro ponto: Toda tentativa de revolução, como é esse o caso, causa violência, causa depredação e não é nada belo de ver, assistir ou participar. E se você, por algum motivo, acha uma parte da reivindicado justa, então automaticamente deveria estar apoiando quem está ao menos tentando dar um passo maior do que o seu nessa tentativa de solucionar os problemas. Mas se você discorda de todos os pontos, então tudo bem também. Nenhuma revolução é feita de 100% da integração social, pois se assim fosse, não haveria revolução e sim um acordo.

Manifestação sem causa?


Também ouvi gente dizendo "tudo isso por só 20 centavos?". E talvez vale um pouco a questão matemática da coisa. E essa questão é que para quem pega ônibus eventualmente, ou para quem usa mais carro (como é meu caso), a impressão que dá é que o governo foi lá e arrancou 20 centavos de cada pessoa que está ali, e essas pessoas se sentiram lesadas e foram para a briga. Mas acontece que geralmente o aumento é causado porque muita gente pega mais de uma condução diária para poder trabalhar, por exemplo. Pega uma para ir até o metrô, outra do metrô para o local do trabalho. O valor parece ser mais abusivo que o normal.



Mas tudo bem, vamos abaixar a cabeça e contar para todo mundo que essa resolta é infundada porque são só 20 centavos. Se puder, dê uma lida nesse link, e veja que não é só isso. A coisa é mais complicada do que parece. Os 300% de impostos acumulados são altos demais, e ao mesmo tempo, parece que a causa de toda essa manifestação é injusta só porque o brasileiro é acomodado com tudo. Não brigamos pela segurança, pela educação ou saúde pública, fazemos piada com a corrupção o tempo todo e ainda temos tempo para rir das piadas que falam sobre impostos abusivos que nos arrancam da alma. Vendo dessa forma, parece que o protesto é ilógico. Como que é que o povo vai querer travar uma guerra depois de concordar com tantas e tantas coisas erradas que já estão ali?

Ou o pior, como vi nesse vídeo aqui, que é mostrado um ponto de vista forte contra a manifestação alegando no mínimo dois pontos importantes: Um é algo que já disse aí nos parágrafos anteriores sobre isso ter demorado tanto tempo para ter sido feito, e o outro ponto, sem dúvidas, é que boa parte da turma que manifesta é a mesma que vai lá lotar estádios e torcer pelo Brasil na copa. Eu acho que os assuntos não são correlacionados, mas mesmo que fossem: Ninguém precisa dormir, acordar e lutar 24 horas por dia para que a causa que defenda seja mais digna ou menos digna. E a correção imediata não é da corrupção em si; é apenas do transporte público. Uma coisa de cada vez, é o que se crê.

Heróis e Vilões


Toda manifestação, quando tem raízes de revolucionar alguma coisa, corre o risco de ser violenta. Na história do mundo, quais são as revoluções que você conhece que não tenham sido cruéis? E aqui que vem um ponto interessante: É possível abordar quem está certo ou quem está errado diante da violência? Certamente você vai responder que sim, e vai dar o ônus do vilão para quem começou a briga. Isso até está certo, mas o problema é definir exatamente quem iniciou a briga.

Não vou encher de texto para abordar esse tópico. Mas sim um link que mostra, através de fatos, várias coisas que aconteceram, mas que a divulgação pela rede de televisão não consegue (ou não quer abranger). Só clicar aqui e você vai conhecer um pouco mais do lado vil dos polícias nesse protesto. E serei rápido em constar: isso não torna o lado dos manifestantes melhor ou pior dos policiais que iniciaram a agressão.



Como eu já tinha lido, a polícia recebeu ordens de acabar com aquilo, e por isso a força bruta foi se tornando cada vez mais sem muita trégua. Tudo por si só é estressante demais e mexe fortemente com o emocional de cada um. Pessoas viram animais, e os animais se sentiriam ofendidos por essa comparação que fiz agora. Mas, dentro do espírito animalesco, os dois lados são extremistas. Existem pessoas ruins em qualquer lugar, e que vão potencializar sua maldade durante um ato desses. Não obstante, bandidos e vândalos que estavam por ali, apenas aproveitam para gerar mais e mais terror; Só que nada disso pode, ou pelo menos nada disso poderia, tornar a causa pela qual a manifestação se iniciou de modo menos digno ou justo. Até porque, basta um pouquinho de pesquisa para ver que em muito dos casos, os manifestantes estavam se reunindo de modo pacífico, mas a ordem gerada pela própria polícia para não deixar juntar aglomerações fez com que o ataque iniciasse. E aí vira uma guerra, onde olhando de longe e sem conhecer cada uma das pessoas e polícias, você vai dizer que alguém é o certo e alguém é o errado. Está na matriz humana buscar pólos em tudo. E aí o jogo do fogo está feito sobre o circo do pão.

A Arma da informação

Queria apenas deixar uma série de vídeos, e alguns links contendo um pouco mais de informação. Sem dúvidas, o mais relevante é da jornalista Nilce Moreto, que fez um bom aparato das informações, incluindo o video polêmico do Arnaldo Jarbor, que sinceramente, me pareceu servir com o único objetivo de agredir.



E dentre tantos outros vídeos que eu vi para colocar aqui, tem um importante, que é com o pessoal do We'rGeeks. Incluindo pessoas que estão lá, dentro do movimento, dando um ponto de vista com uma mente aberta explanando os dois lados. Só que o vídeo é um pouco longo (quase 2 horas), e por tanto, não vou incorporar aqui no blog, mas o link fica aqui. E para finalizar, como tudo o que parece ser dito o tempo todo é aquela coisa dos 20 centavos, então por favor, dê uma olhadinha nesse link aqui, que vai mais além e explica detalhadamente porque não poderia ser, por exemplo, de graça logo de uma vez.

Acho que nem preciso me estender mais. Mas acredito que sempre é bom se colocar em todos os lados, para deixar a mente o mais aberta possível. Todos tem um ponto de vista diferente, mas, será que o seu ponto de vista é o correto só porque é o seu ponto de vista?

Postura da Mídia


Sinceramente, eu até entendo que nos primeiros dias a coisa estava um pouco difusa. Aí, ver os principais programas da TV Aberta comparando os manifestantes com bandidos. Um caso interessante foi do próprio Datena, que começou com o mesmo discurso, aí lançou uma enquete para endossar sua opinião, mas o tiro saiu pela culatra. Na metade do programa ele já estava com um novo discurso, como tem descritonesse link aqui.

E depois daquela declaração infeliz do Arnaldo Jarbor, até ele reconheceu a besteira que foi dita e voltou atrás, clica aqui pra ler lá. Mas foi legal, ver, pela manha da segunda feira, várias personalidades conhecidas falando sobre os protestos e incentivando a irem. Vou deixar três exemplos aqui, mas tem muito mais.







Repercussão


E se de repente tudo isso parece ser apenas barulho, e que essa luta toda não faz diferença, é melhor repensar um pouco com calma. No Canadá, Estados Unidos, na Alemanha e em outros países, também ocorreram manifestações de apoio a causa do Brasil [fonte aqui]. Sabe o que isso significa? Que a coisa é séria.

As manifestações, querendo ou não, geram prejuízos para o governo, e os fatores econômicos e políticos fazem com que isso mova a monta de um icebergue. Para quem duvidava que isso não daria em nada, de repente só o fato do Governador pedir uma reunião com líder do movimento Passe Livre já significa que alguma coisa aconteceu. E diante de tantos fatos, dizer que isso é inútil, é querer tapar o sol com peneira. Depois leia aqui sobre a vaia contra a Dilma e sobre isso aquique acabei de citar sobre a mobilização do Poder Público.

O fatídico 17 de Junho


Muita gente dizendo sobre um dia que entrou para a história, e de fato, foi impressionante ver o Brasil todo unido por uma única causa. Ou nem tanto assim, pois teve um outro grupo de manifestantes contra a causa do Passe Livre, e ocorreu agressão ante as duas frentes, mas o impacto foi pequeno, pois o tumulto não foi tão longe assim, e mesmo a imprensa em geral não teve tanto acesso a isso. Mas quem estava lá e filmou, pode compartilhar um pouco disso:



Mas é óbvio que nada disso muda o impacto que as manifestações tiveram. E o que não falta é imagens e informações a respeito, e por esse motivo, não serei prolixo em repetir ou encher de informações repetidas.




Qual seu ponto vista sobre tudo isso o que está acontecendo? A causa das manifestações são justas? Você acredita que lá estão apenas vândalos querendo destruir tudo?

Pré Julgamentos → Post anterior sobre seu pré-julgamento
Conspiração: Boston → Relembre da conspiração em Boston
Corrida dos Ratos [1] → Um pouco sobre economia, para se defender
Trabalho Desmotivacional → Será que algum trabalho é motivacional?
Um pouco de humor negro? Não é essa a hora, mas revolta por revolta, acho que vale o link: http://www.youtube.com/watch?v=ECqhf9Cy6s0

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pré-Julgamentos


_Quando o santo não cruza, não tem jeito!

Taí um ditado que serve para explicar o inexplicável. Sabe aquela pessoa que você não conhece - nem ela te conhece - mas só de olhar parece que ela não é confiável? É como se tivesse feições vis, ou algo do tipo. Mas nem sempre é uma questão de aparência ou simples apatia, e os motivos para fazer tal pessoa não se encaixar em seu mundo parece inexplicável. Enfim, é o típico caso de quando o santo não cruza, que dizem (ou diziam) por aí.

Esse dito popular só existe por um motivo: Nós somos sociáveis, mas não globalmente sociáveis. Várias diferenças pequenas entre cada um de nós nos colocam em pré-julgamentos o tempo todo. E depois disso, falar sobre um santo sem preconceitos de nada parece-me muita demagogia.

Mas até aí, seus pré-julgamentos não são problema algum, já que fazemos isso o tempo todo, principalmente diante de decisões rápidas ou em nível subconsciente. O problema é quando você julga alguma coisa dentro de um grupo social cuja maioria não concorda com você. Aí eles vão te pré-julgar também, e mesmo falando não ter preconceito de ninguém, passarão a ter de sua pessoa.

Avaliação Pessoal

Minha teoria é a seguinte: Em qualquer tipo de interação com outra pessoa, um longo processamento acontece para tentar definir o grau de simpatia ou apatia de outrem. Existem vários daqueles testes que já fizeram, como colocar uma mesma pessoa aparentando ser mais rica ou pobre, levando a aparência influenciar na opinião das pessoas. Se levar em conta que o primeiro contato com alguém nas ruas seja o visual, é natural que essa seja nossa primeira forma de avaliar alguém.

Ok. Surge uma pessoa diante que você que lhe agrada nos seus quesitos de beleza. Dependendo da orientação sexual e ocasião de encontro, isso também poderia desencadear uma análise secundária de tipo perfeito de par. Nesse momento, só de olhar de longe, seu cérebro já deve ter feito aqueles cálculos toscos de simetria + combinação genética + whatever para definir o conceito do que é belo para você. Tanto os homens quanto as mulheres são, até onde eu sei, extremamente iguais nesse primeiro ponto. Até aqui tudo o que você tem em mãos - ou em mente - é apenas uma imagem conceitual.

Para algumas pessoas, só esse primeiro impacto do olhar já é capaz de causar aquele tal de "amor à primeira vista", que na teoria é legal, mas na prática só serve para mostrar como suas capacidades de avaliação pessoal são um completo fracasso. É como colocar uma seleção de brinquedos e pedir para que uma criança escolha o melhor. Como ela supostamente não conhece o funcionamento de cada um dos brinquedos, então ela vai usar algum método de avaliação pessoal para escolher qual é o melhor.

Isso significa que o melhor para aquela criança pode significar apenas qual é o brinquedo mais bonito, qual ela nunca viu nada igual (impressionante), qual parece ser mais complexo (interessante) ou simplesmente vai pegar o que estiver mais próximo, sem analisar nada. Ou seja, cada um tem seu método peculiar de avaliar as coisas. Taí aqueles testes chatos que tentam definir a sua personalidade como se você não soubesse como é. Cada um tem lá um jeito de definir o porque gosta disso ou odeia aquilo. Talvez seja esse o segredo de toda essa indústria aglomeração de profetas tentando dizer como você é. Mas de fato os outros sabem mais de você do que você mesmo (tem um link sobre isso aqui) e ainda assim o que se quer ouvir desses testes não é isso. Não é essa coisa de: "ah, deu no teste que eu sou fico nervoso quando tenho raiva e calma quando estou tranquilo". No fundo creio que todos querem a compreensão de como são. E não simplesmente como são.

Além das teorias conflitantes entre a psicanálise e a psicologia, também temos as teorias religiosas, evolutivas, biológicas e até mesmo as non-sense. Ou seja, quando se quer falar de si mesmo, o ser humano é mestre em encontrar explicações para tudo. Qualquer dia eu tento criar algum post por aqui embabacando cada uma dessas teorias, mas por enquanto eu queria focar apenas em uma: A primeira impressão.

Eterna Criança

Não vou me estender muito nesse assunto, mas uma googlada rápida já te enriquecerá com muito mais conteúdo que imagina. Mas, eu quero simplificar as coisas e fazer com que você indague que tipo de criança é. Só para relembrar as existentes:

Bobolhando: É aquela que, formada pela maioria das pessoas, e principalmente nessa era da tecnologia, tem olhos que brilham por tudo que vêm. Olham alguma coisa bonita e pronto: apaixonam-se. Geralmente apreciadores de design fazem esse tipo. Diante da apresentação de um brinquedo novo, iriam diretamente para o que fosse mais bonito.

Ingênuo: É o que acredita em tudo que lhe dizem. Ou na verdade, ele não acredita em tudo, mas se impressiona facilmente com tudo, e até tende a acreditar nessas coisas que escuta. Naturalmente é o oposto daqueles que só acreditam vendo, porque estes, só acreditam ouvindo. Adoram música, e elegem a favorita aquela que, independente do ritmo, parecem ter sido escritas para ele. O melhor brinquedo a escolher é aquele que parece ser capaz de lhe dizer às coisas que se quer ouvir.

Possessivos: É o tipo de pessoa que, quando vê você com algo e pergunta "posso ver?", na verdade ela quer tocar, ficar examinando com as mãos, sentindo o peso e tudo mais. É como se ela temesse ser traída pela visão, e então adquire a necessidade de tocar as coisas para provar que são reais. A cada cinco palavras ditas, três são acompanhadas de algum cutucão. Provavelmente era o tipo do programador que colocou o botão cutucar no facebook. Qualquer brinquedo de pelúcia é o mérito de toda criança possessiva.

Desiludido: É o que adora shows de mágica, e fica criando mil teorias sobre como foi feito isso ou aquilo. Dessa forma, acabam se alimentando do mistério que existe naquilo que não compreendem, e talvez não queiram compreender, pois a busca pelo gosto da dúvida é o mais saboroso que existe. Parece um Sherlock Holmes, exceto que não descobre nada. Mas é isso que o move: a curiosidade que pode matá-lo. Não importa se o brinquedo é caro, bonito ou revolucionário. Se ele não sabe como funciona, então é exatamente esse o que melhor funciona.

Ego-infláveis: São pessoas que buscam o alimento do ego acima de tudo. Normalmente todos fazem isso de uma forma ou outra, mas esse tipo de pessoa vive com o ego inflado, ou pelo menos, é isso que ela busca, mesmo sem saber. Ela acredita que o dinheiro não vai apenas pagar suas contas, como também comprar um passaporte para o paraíso. Ela acredita que não basta ter um celular bom: precisa ser o melhor de todos. Ela quer o status. Ela quer um pouco de fama. Ela quer elogios. Um brinquedo caro e tudo resolvido.

Caninos: Conhecendo a teoria prova de que o cérebro só evoluiu a partir de seu olfato, fica fácil considerar que aqui temos uma espécie quase extinta. Seriam as pessoas que tem um forte apreço pelo cheiro das coisas. Mas mesmo quando o cheiro é quase imperceptível. Tem pessoas que julgam sentir o cheiro das coisas que ninguém mais sente, e certamente elas tomam muitas decisões importantes se guiando pelo nariz. Gandalf aprova isso.

Concluindo

Todo mundo tem um pouco de cada, porque afinal de contas, somos humanos. Mas, certamente existe um dos tipos que o descreverá com mais precisão. E esse é o seu tipo de espelhatriz.Se você quiser pesquisar pelo termo da psicologia que engloba de um modo mais abrangente tudo isso o que eu disse, então busque por Canais Sensoriais

Bom, claro que se você tiver pesquisado sobre os canais sensoriais, verá que eles se aplicam apenas aos nossos sentidos, dizendo que cada pessoa tem um sentido que mais usa, e por isso vem dele a sua percepção e pré-julgamentos de tudo. Algumas pessoas regem preconceitos sobre algo que viram ou ouviram, enquanto outras definem o melhor caminho através do cheiro ou da intuição. Enfim, é sempre um ou outro sentido que parece ser o principal para você. E com base nesse sentido, você dita o seu mundo. Até porque, o mundo para você não é a realidade, e sim a sua percepção da realidade.

Não podemos esquecer que a vida, ou pelo menos o conceito que fazemos sobre ela, é tudo por causa de nossa percepção. Se seu cérebro estiver nesse exato momento em um laboratório, e um programa de computador emular os sentimentos, então você nunca saberia que está em um laboratório, e suas ideias sobre a vida seriam as mesmas que tem hoje. Muito mais fácil do que compreender, é sentir. Então pare de ler esse blog chato e sinta a vida.



Um dia, em minha utopia lúdica, o mundo poderá viver sem três raízes do mal: preconceitos, egocentrismos e pessoas.

Acaso vs. Destino →  Post anterior para analisar dois conceitos.
Dança de Salão [5] → O dia em que comecei minha evolução.
Escolhas Um desincentivo a fazer sua escolha nesse instante.
Jaskon Meu herói de quanto tinha 6 anos, e estava no nível -5