domingo, 13 de janeiro de 2013

O Cético Crente [1] - Dividindo lados


Desde que pensei pela primeira vez nesse blog, eu nunca quis se quer esbarrar um dedo para o lado da religião, e minha postura imparcial sobre o assunto se manteve até hoje.

Assim como minha saga pessoal sobre as Danças de Salão, eu queria aqui iniciar mais uma saga nesse blog, e pela primeira vez, para falar sobre um assunto que nunca tive a pretensão de falar. Religião.


Motivação da Abordagem


Quando eu comecei a fazer os posts sobre a Dança de Salão, minha única motivação era simplesmente escrever sobre aquilo que eu estava começando e que era muito diferente para mim.  Se eu fizesse um curso de idiomas muito diferente dos habituais, talvez eu também criasse uma saga aqui. Mas o que criou a motivação necessária para falar sobre algo ligado a religião vem de um paralelo muito simples: Eu, um sujeito tão desatento no mundo que nunca levou a religião a sério. Eu era o que muitos odeiam - sendo chamado de pseudo religioso - que é aquela pessoa que vai defender a bandeira de um credo e no fundo ter tantas dúvidas sobre aquilo que se torna um verdadeiro charlatão. Para quem é religioso, eu sou um verdadeiro traidor e para quem é ateu, também. Ou seja, eu sou aquele tipo de pessoa que pode receber pedradas de todo mundo e com absoluta razão. Por isso, tudo o que se tem que fazer numa hora dessas é escolher seu lado.

Escolhendo um Lado


Se pensarmos na religião como a política, então é até justo acreditar que temos que defender um lado que mais nos identifica. Ou não.

Na política, você é capaz de dizer se é uma pessoa de esquerda ou direita? Não importa sua bandeira nesse caso, já que hoje em dia as coisas estão muito misturadas, de modo que os partidários de esquerda englobaram muitas ideias de direita, e os de direita, assumiram algumas ideologias esquerdistas. Isso ao meu ver não é algo ruim, e tão pouco significa "trair o movimento". Significa apenas que você considerou que algumas coisas fora de sua crença eram melhores e as incorporou, enquanto outras que você desconsiderava, abstraiu. Desse modo você tem uma posição política sua, que não é nem melhor e nem pior do que as existentes, simplesmente porque sua mentalidade está feita do que é o melhor para si mesmo.

Mas mesmo você tendo um conceito sobre as posições politicas perfeitas, ainda assim as opções que tem de escolha em uma eleição não correspondem àquela causa exatamente perfeita que deseja. Ah, antes de mais nada, estou falando isso por mim (e por quem mais se identificar), porque eu sei que existem os fiéis partidários que votam com as suas convicções plenas do melhor partido, e isso não é errado. Mas estou falando por pessoas que, como eu, acham que todo o quadro político atual poderia ser melhor se aquilo de um, e aquilo de outro fossem unidos e não divididos.

Agora eu chego para onde eu queria falar. Na política você pode escolher um lado, mas e na religião? Eu costumo ver que sim, e não é atoa que igrejas com seus "pacotes" de interpretações bíblicas e conceitos atraiam ou distanciem pessoas até ela. Se uma pessoa discorda de certas ideias que o grupo religioso dela diz, então é justo que ela saia de lá. Se uma pessoa concorda, é dever dela defender esse ponto de vista. E aqui vem minha crítica pessoal aos dois lados - é agora que eu sou apedrejado pelos céticos e pelos crentes... Eu acho a crença e a descrença religiosa a contradição mais imbecil que já vi nesse mundo. Agora é a parte que você desce até os comentários e me xinga de todas as formas. Depois de me xingar, por favor, volte aqui e tente continuar a leitura...

Criando uma Religião


Nas definições da incontestável Wikipédia, diz-se que: "Religião é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seu próprios valores morais". Ou seja, vou apenas deixar claro que quando eu falo da religião, eu não falo de nenhuma específica, e por isso, ter uma religião não significa acreditar em Jesus Cristo ou em Maomé, e sim em uma interpretação do mundo que lhe tenta explicar o melhor modo de ser, pensar, agir, etc.

Tem muitos - e muitos - ateus que chegam em um cristão e começam a querer impor que qualquer tipo de crença é errado, e que só é certo quem vive no ceticismo absoluto. E aí, no mesmo momento, sempre surgirá um crente mais fervoroso que dirá que não é certo quem crê em um Deus, mas sim que é certo quem crê no mesmo Deus que ele. Para mim, os dois lados são compostos de pessoas que não querem aceitar que vivem em um mundo com diferenças de valores e ideologias, e por isso, todo mundo vive na perspectiva de que aquilo que ele pensa é melhor do que aquilo que qualquer outro pensa. E vai tentar acabar com esse umbiguismo de um crente ou de um ateu. Não tem como, o umbigo é dele e ele faz tudo girar ao redor do modo como ele quiser...

Conclusão


Eu queria deixar esse post mais neutro sobre o assunto, porque quero abordar nos próximos posts minha visão pessoal sobre a religião. Vou adiantar apenas uma coisa: eu sou um cético, às vezes até me passo por herege, pois numa discussão envolvendo religião, eu consigo atacar ateístas e crentes com tanta facilidade que todo mundo que olha pensa apenas duas coisas: Ou que eu adoro brigas, e por isso discordo de qualquer coisa que concordarem, ou que eu adoro tanto a paz que para concordar com tudo, discordo com os dois lados da discussão ao mesmo tempo.


Mas ultimamente eu estou na fase de piorar tudo. Agora eu não critico mais um lado ou outro, e sim concordo com os dois lados. Na verdade, a minha religião é sempre a mesma religião da pessoa com quem eu estiver conversando. Isso é útil, porque encerrasse um assunto do qual parece ser impossível de discorrer.

Corrida dos Rados [3] → Post anterior com foco no consumismo
Fim de Ano 2012 → Uma mensagem de paz para acalmar os ânimos
A Explicação de Tudo → Um bom motivo do porque concordo e discordo de tudo
Extremamente Simples → Uma ideia de geral de como as coisas podem ser simplificadas
Pois é, não expliquei o porque estou falando sobre religião, não é? No próximo capítulo dessa nova saga eu tentarei explicar, isso se não tiver ido para o inferno antes.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Corrida dos Ratos [3] - Consumismo


Chega o incio do ano. Chega o fim das férias. Chega o peso aumentado na balança. Chega uma conta para pagar. Chegam duas contas para pagar, e só isso daí pra frente. Assim sendo, como já é quase minha tradição nesse blog, não tem como passar janeiro sem mergulhar no assunto mais irresoluto de todos: dinheiro. Vou seguir aqui com a parte 3 sobre a corrida dos ratos, colocando em pauta o que penso do consumismo e sua fiel ligação com a sociedade rica e pobre em que vivemos.

Pobres Ricos e Miseráveis

Meu primeiro ponto é tentar entender, de modo definitivo, quando alguém é rico e quando é pobre, porque aparentemente o mundo se divide só entre esses dois tipos. Seja em conversas coloquiais, em churrasquinhos na laje (tipicamente coisa de pobre?), na midia ou pela internet aqueles banners virulantes dizendo: "Fique Rico dormindo!". Então, o que raios define alguém como sendo rico ou pobre, se mesmo para um rico o Bill Gates o faz parecer pobre, e para um pobre, o vizinho mais pobre o faz parecer rico?

É lógico que daria para encerrar toda a discussão dizendo: "Pontos de Vista". É lógico que daria para aplicar aquela coisa da grama do vizinho que é mais verde, porque tudo o que fazemos precisa partir de algum referencial. Isso reforça o belíssimo e impactante  Paradoxo da Escolha, que diz que quanto mais opções temos para avaliar, pior se torna nossa satisfação em torno do que decidimos.

Dessa forma, quando uma pessoa diz que a outra é rica ou pobre, na verdade ela está colocando um plano de comparação entre ela e o outro. Afinal de contas, basta olhar algumas fotos chocantes das crianças passando fome na África para que você perceba o quanto é absolutamente milionário e sortudo. Do mesmo modo, mesmo para aquelas pessoas que estão quase se decompondo vivas por não ter o que comer, ela é ainda é capaz de sentir melhor do que outra na mesma situação que já acabou morrendo por falta de alimento.

Claro que modelos matemáticos também são excelentes formas de criar esse parâmetro de comparação e dizer quem é quem. Pode-se pegar o PIB do país, que serve como comparação com o PIB de todos os outros países para dizer quem é o mais risco e o mais pobre e quem está ali no meio termo.

Padrão Consumista




Parte dessa dúvida irrelevante está muito relacionada ao fator de necessidade, e então acredito que as pessoas vão se tornando mais pobres ou mais ricas na medida em que seus sonhos e condições de realização dos sonhos se modificam.

Um exemplo prático: Imagine um Zé Mané que está solteiro e leva um estilo de vida bem previsível: casualmente sai com os amigos para se divertir num shopping, aluga alguns filmes para assistir em casa com a família e almoça fora de casa uma vez por mês.

Um padrão de vida como o do Zé Mané pode ser mantido com pouco dinheiro, e se o que ele receber no seu emprego for mais do que suficiente para suprir essas necessidades, então ele é Rico. E esse mesmo cara poderia ser considerado podre de rico se nem soubesse mais onde gastar seu dinheiro.

Mas é claro que estamos falando de um Zé Mané que consegue ser feliz só com os consumos básicos. Na prática, os consumos básicos nunca são suficientes porque vivemos através de uma imagem de riqueza que tenta nos convencer que essa riqueza sempre está lá fora, em algum lugar distante de nós. E obviamente, um Zé Mané não vive sozinho no planeta, e com isso, todas as aquisições das pessoas ao seu redor o tornam mais pobre à medida em que o mercado oferece mais opções de consumo diferentes.

É como se a felicidade e o modo "certo" de viver consistisse em você ter que possuir tudo o que inventam por aí. Celulares, roupas da moda, acessórios... Quanto mais coisa se inventa para você consumir, mais seus desejos pelo dinheiro se tornam necessários, e pela consequência óbvia, mais você se torna pobre se não conseguir acompanhar tudo isso, que na sua cabeça é uma necessidade, mesmo que na realidade não seja.

As tendências de moda falam para o tal Zé Mané do exemplo, que se ele não se vestir com roupas de marca ele não terá uma boa aparência. Se ele tiver que andar de transporte público então ele não tem dignidade. Se seu celular não é o novo modelo lançado recentemente então ele não pode fazer ligações melhores. Infelizmente a vida trás esses valores constantes dizendo que a felicidade só existe através do consumo incessante de tudo.

Quanto mais coisas se agregam ao seu desejo de posse, mais pobre você fica, e a única solução para resolver esse problema é conseguindo mais dinheiro. E aí o dinheiro já lhe transformou completamente, porque é como se sua vida só pudesse ser perfeita se o dinheiro estivesse em mãos. Preparado para a grande desilusão? Pois é, infelizmente a vida só pode ser perfeita através do dinheiro, porque uma vez que você cria seus valores e conceitos dentro de um sistema financeiro, eles não podem ser simplesmente mudados, porque a partir de então o movimento de tudo - incluindo o seu - é devido ao maldito dinheiro.

Conclusão


Sabe esse Zé Mané do começo da história? Pois é, imagine agora que ele está trabalhando dobrado e fazendo bicos para aumentar sua renda. Com mais dinheiro ele é capaz de consumir mais e, em teoria ser mais feliz. Mas chegará um momento em que ele estará exausto e não saberá mais como fazer para ter mais coisas que a mídia sociedade está lhe impondo e ele não pode comprar.

Antes que isso termine numa história triste, vamos lembrar que a vida não para e que as coisas não se movem tão somente pelos cifrões. Está no contrato social das pessoas que elas devem se casar um dia, ter filhos, uma casa para morar, um carro para garantir o conforto da locomoção e ainda dinheiro de sobra para o lazer dentro de um parque ou numa viagem inusitada nas férias.

Por isso o Zé Mané irá atrás de créditos bancários, empréstimos atrativos e dívidas que o farão se sentir mais capazes de conseguir ter posse das coisas. Ele irá passar a vida desejando promoções no trabalho e trabalhos melhores. O curso natural da vida lhe dará oportunidades para tudo isso, mas sabe o que estará presente no fim?

Zé Mané continua sendo um Zé Mané. Suas dívidas puxarão mais dívidas e ele entrará na chamada "Corrida dos Ratos", onde há milhares de outros como ele lutando pela sobrevivência financeira.

Eu já falei dessa corrida em dois posts, que você pode ler (se tiver paciência) clicando aqui e depois aqui. É claro que não são todas as pessoas que estão nessa corrida; sempre existirão aqueles que naturalmente conseguirão acumular recursos, poupar o que ganha e finalmente, conseguir estar fora dessa corrida da qual ninguém gostaria, por livre vontade, entrar.


Falar de dinheiro sempre é algo complicado, e algumas pessoas até o chegam a considerar um assunto tabu. Isso porque ele é o a mais bela explicação sobre o mal de um mundo em que o conceito do bem se aplica superficialmente graças ao ouro que se tem.

Retrospectiva Pessoal 2012 → Post Anterior sobre o Fim de Ano
Entrando na Rat Race → O momento em que se entra
Compreendendo a Rat Race → O momento em que se desespera
Censura Capitalista → O que penso do capitalismo
Mais um post chato para a coleção. E como sempre, chato e longo, para que não tenha do que reclamar.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Retrospectiva Pessoal 2012

Todo ano eu faço um post aqui para relembrar todos os posts postados desde janeiro até dezembro, numa tentativa de criar um sumário pessoal do blog. Foi assim em 2010, 2011 e não seria diferente agora.

Crepúsculo


Não, esse título não tem nada a ver com filmes envolvendo vampiros que brilham no sol. Citei crepúsculo em referência a sua definição real estragada pela Meyer. E assim, falando no sentido astronômico da coisa, um crepúsculo é aquele período em que o sol já se foi mas ainda não anoiteceu. Ou que ele está para nascer mas ainda não nasceu, sabe? O céu vai ficando naquele tom de cor que pode ser roxo, azul, vermelho ou colorido. Para os povos da antiguidade, esse momento sempre era algo de muita atenção, pois poderia ser que o sol jamais voltasse a nascer.

Eu quis mencionar tudo isso para dizer que foi assim que o primeiro post do ano surgiu. Pouco antes do nascer do sol, eu fiz aquela pergunta que muitos fazem em toda virada de ano: Ano novo? E agora? E eu não esperei a resposta sentado; eu lutei para que as coisas mudassem na minha vidinha pacata, e assim decidi que tudo seria ocorrência de meu próprio mérito. Entrei na academia, comecei a dar mais força para estudos, entrei em bailes e melhorei minha frequência com as aulas de dança de salão. Realmente passei por uma mudança radical. E é sobre essa mudança que o todo os outros posts do ano convergiram.

Alvorecer


Para não perder o costume, eu fiz minha série de posts voltados para a economia ainda em janeiro. Falei sobre a Corrida dos Ratos em um texto gigante que começa na parte 1 e termina na parte 2. Aproveitando a onda mais capitalista do mundo, também emendei um texto mais pessoal falando sobre o Trabalho Desmotivacional.

No plano de fundo desses posts "políticos", havia uma versão minha entrando em colapso mental. Foi ali nessa época que eu via que minha luta pelas mudanças de meu ser eram muito mais difíceis do que eu pensava. Era a época em que muitas dúvidas explodiam em meu coração, e eu não me contive em procurar respostas para a única pergunta que tinha em minha alma: De onde vem a Angústia?

Confesso que não obtive respostas, mas mesmo assim, segui a vida. Aquilo tudo fazia parte de um alvorecer, onde eu sabia que as coisas mudariam, mas para que isso tudo acontecesse, cabia a mim não desistir de meus ideais. Confesso que nessas horas tudo parece tão difícil que a gente até tenta perguntar quem são nossos verdadeiros amigos. Um post sobre Amizade Mutável surgiu daí.

Mas era muito injusto eu lutar por uma vida melhor, mas focar meus pensamentos em tantas coisas ruins. E inerente a isso, eu tentei mudar o foco das coisas. Aquilo tudo podia fazer parte de um alvorecer, mas isso não significa que todo novo dia é melhor que o dia anterior. O primeiro impacto das coisas coincidiu com meu post sobre A Primeira Impressão de todas as coisas.

E ali ainda era Fevereiro, e o assunto do mundo Brasil girava em torno do Carnaval. Eu me senti obrigado a falar qualquer coisa sobre o assunto, porque eu também tenho a noção do quanto os posts focados em desilusões pessoais são chatos e inúteis. Mas meu esforço todo não adiantou em nada, pois o dia já tinha nascido e nada havia mudado.

Amanhecer


Com um grito forte e ensurdecedor vindo lá do fundo da alma, eu roguei praga a Deus e ao mundo por tanta coisa errada que via acontecer, que fazia e que sabia existir longe da minha ignorância local. Onde estava a culpa por tudo isso? Tentei um ponto de fuga escrevendo sobre o Acaso x Destino. E acho que isso me ajudou em muitas coisas, pois foi assim que o post seguinte, com o título autoexplicativo "Extremamente Simples" saiu.

A explicação para tanta coisa me foi óbvia; o motivo de eu estar daquele jeito era meu coração que não tinha jeito. E aí aconteceu uma chuva de posts mais "melosos", envolvendo a maior coletânia sobre desilusões amorosas que eu já havia feito por aqui até então. Na sequência de posts, saiu Os 8 tipos de relações, e a saga em 4 posts gigantes sobre as Contradições do Amor, com a parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4. Foi sem dúvidas o Amanhecer mais sombrio que o blog passou. Eu até tentei dar uma animada nas coisas escrevendo sobre Viagens no Tempo sem Rpg, mas não deu certo. O dia foi encoberto de trevas, e o último post dessa primeira temporada definiu tudo até então: Depressão.

Entardecer


Depois da metade to ano, eu iria passar por um bom tempo sem escrever nada aqui. Até tentei postar o resultado da enquete "Qual foi sua última desilusão?", mas o foco de minha vida estava em outro lugar. O que eu estava tentando semear desde o começo, que tinha tudo haver com a mudança de minha vida começou a gerar frutos, e eu voltei a enxergar tudo com novas cores e nuances de tons. Era como se o amanhecer estivesse encoberto por muitas nuvens e eu tivesse duvidado da existência do sol, mas aí, ele apareceu durante a tarde e tudo se iluminou com um novo ar de esperança.

Um post sem graça e meio antigo sobre as Geladeiras Humanas surgiu em uma espécie de justificativa para eu ter sumido do meio digital. Mas era tudo uma questão de organização, ou melhor, uma questão de aproveitar aquele sol que tornava uma tarde de primavera a mais linda de todas.

Anoitecer


Toda tarde chega ao fim com um novo crepúsculo. Um período curto em que os céus nos dão para apreciar seu fim, e como no inconsciente de nossos ancestrais, também colocar a dúvida no ar de como será o novo amanhã. Talvez seja melhor, talvez seja pior, talvez seja igual, talvez seja diferente. É sempre impossível prever o novo dia que vai surgir, e mesmo se irá surgir, embora as chances disso acontecer sejam grandes.

Todo o ano havia passado e eu estava na varanda, olhando para trás e vendo onde eu estava. Minha única indagação, depois de tantas desilusões, ilusões e superações, era a pergunta que todos certa vez já fizeram na vida. O que é a felicidade? Eu não tinha de certo a resposta quando fiz a parte 1, a não ser que estava feliz. Mas, vendo as estrelas surgindo no céu, eu perguntei pela segunda vez: O que é a felicidade? A parte 2 não foi mais conclusiva que a primeira, mas acho que o espírito desse blog é esse. O espírito da vida é esse.

Boa noite, e um belo, novo - e esperançoso - amanhã.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim de ano 2012

Ainda nem era novembro e eu já havia começado a ver alguns enfeites de natal nas lojas. Algumas árvores e guirlandas anunciando que o ano estava terminando. E isso porque ainda faltavam mais de dois meses para o natal em si. Como normalmente eu faço, eu ignorei. Até porque, eu tinha visto panetones para vender ainda na metade do ano, que sinceramente não entendia se eles estavam à venda adiantados demais, ou se os donos daquela loja estavam tão atrasados em retirar das prateleiras. Que o tempo passa rápido, isso ninguém pode discutir. Mas que o natal fica diferente a cada ano que passa, disso eu acho que ainda posso discutir.


 

Mundo Imediatista


Minha mãe outro dia me mostrou alguns cartões de natal antigos, em que nas mensagens escritas à mão, geralmente constavam algo do tipo: "Adeus 2012, Salve 2013". A passagem do tempo era tão sublime, que a personificação dos anos era dita em forma de despedida. Hoje, geralmente é dita como alívio. É como se o tempo fosse tão rápido, que ainda queremos que ele seja mais rápido e que acabe logo o suposto ano atual, muitas vezes dito como "ruim", sendo que todo final de ano é a mesma coisa.

E isso me relembra uma conversa que tive com meu chefe há um bom tempo atrás, onde ele fez a seguinte declaração: "hoje em dia, as pessoas estão muito imediatistas". A sua declaração era provinda da experiência de que muitos clientes queriam fazer projetos mirabolantes com o prazo mais curto possível. E eu até já fiz um post aqui falando dessa banalização que a palavra "urgente" ganhou. Hoje em dia tudo é para ontem. Hoje em dia, as pessoas querem que a rapidez de uma solução seja instantânea. Culpa da tecnologia? Culpa dos mimos do google? Não sei, mas concordo com essa definição de que o mundo hoje é imediatista demais.


Simbolismo


É interessante como o simbolismo em volta do natal vem mudando desde o seu surgimento. As civilizações mais antigas comemoravam nessa época o solstício de inverno (que no hemisfério norte é quando a noite é a mais longa do ano, devido a inclinação do planeta). Por esse motivo, o natal não é uma comemoração necessariamente cristã. Ela é mais antiga que isso, e se quiser uma versão geral sobre o surgimento do natal do ponto de vista histórico, vou deixar o link de um podcast excelente que explica bem o assunto: http://www.mitografias.com.br/2009/12/papo-lendario-11-feliz-dia-de-mitra/


Deixando Mitra de lado, e focando na nossa cultura em si, o simbolismo maior do natal sempre foi o nascimento de Jesus Cristo que em teoria, pode nem ter nascido nesse dia. Mas isso também está mudando, uma vez que a figura de um presépio não pode ser colocada em qualquer lugar devido ao aumento da diversificação religiosa do país. Então o símbolo genérico do Papai Noel e da Árvore de Natal ganham mais força a cada ano. E assim, temos um simbolismo mutável, que não significa que é bom e nem que é ruim, e sim simplesmente uma mudança.


Reflexões


Por fim, também temos o momento de paz e reflexão que o fim do ano trás. Não sei dizer se isso acontece porque é quando geralmente muitos estão de férias, ou porque geralmente é o momento em que é possível ficar mais ligado com a família, e etc. Talvez, seja aquela coisa arbitrária da chegada do ano novo. Pois, basta virar o calendário que a esperança de que podemos virar nossa vida e dar a ela um recomeço fica mais fácil.

Imediatismos e Simbolismos à parte, eu acho que ainda cabe aqui - e sempre caberá - desejar um período bom e agradável para as pessoas, e já que o Natal permite nos fazer isso, então porque não?

Um feliz natal à todos, e como é de se esperar, um feliz ano novo igualmente.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O que é a felicidade? [2]


Tem gente que não acredita que, às vezes, uma frase é capaz de mudar toda sua vida. Mas para mim aconteceu exatamente isso, e não por satisfação do destino, por duas vezes.
A frase que conseguiu me fazer acordar para realidade era tão óbvia que eu não conseguia acreditar em como passara tão desapercebida por anos:

"Para ajudar os outros, primeiro ajude a si mesmo".


Não lembro de onde vi e nem quem foi seu autor, mas o agradeço. A partir daquele momento eu lembro de ter pego um pedaço de folha de papel e feito uma lista do que eu poderia fazer para ajudar a mim mesmo até que estivesse pronto para ajudar os outros. A caneta foi de forma automática escrevendo "estar feliz". Depois disso, a caneta apenas ensaiava novos itens da lista, mas nenhum outro parecia ter tanta importância quanto o primeiro.

Então, a lista permaneceu tão solitária quanto eu. Nenhuma outra palavra ou frase entrou ali.

Por que como eu poderia tentar ser útil se não via em mim utilidade alguma? Como eu poderia lidar com os afazeres mundanos se sentia não fazer parte deles? Era muito encorajador pensar que se eu estiver bem consigo mesmo, então seria mais fácil passar isso adiante. A princípio, houve uma falha nisso que eu não havia avaliado antes: "o quanto é vago estar feliz".

Posso me divertir assistindo um filme de comédia ou lendo um livro de humor, ouvindo uma piada, ou até mesmo entretido por horas na frente de um video-game. Posso ficar feliz matando a fome com guloseimas ou matando tempo no youtube. Posso perder a noção do tempo navegando pela internet ou imaginando sonhos se tornando reais. Infelizmente, a alegria passageira não tem poder algum, já que ela é apenas um escape da realidade, mas não a própria realidade. "Estar feliz" é muito diferente de "ser feliz".

Estar feliz é estar bem diante de uma situação; Ser feliz é estar bem diante de todas as situações.Você concorda?


O vídeo acima é de parte de uma entrevista com o filósofo Mário Cortella. Se ainda não conhece o cara, experimente fazer uma busca no youtube por ele para que possa abrir um pouco mais a mente sobre a vida em si. Muito bom.

Esse post nem ao menos tem uma conclusão. Esse post é um dos mais curtos que já fiz. Mas mesmo assim ele não acrescenta nada de novo. E nem tinha a intenção de fazer alguém feliz lendo isso tudo. Mas, já que chegou até aqui, que tal postar uma piada aí nos comentários para ajudar esse post a ficar um pouco mais útil? Ou então, apenas diga se você é feliz ou se acha feliz e deixe que alguém ria de você por mim.

O que é a felicidade [1]? →  Post anterior sobre que seria a primeira parte.
Extremamente Simples → Tentando deixar a vida mais fácil.
O lobo solitário→ Às vezes viver mal, pode ser um bem... ein?
3D Pokémon → Um desenho que fiz em 3D. Ficou ruim, é pra descontrair.


Confira todas as partes dessa saga O que é a felicidade?: [parte1] [parte2] [parte3]

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O que é a felicidade? [1]

...



A resposta é simples: Você escuta uma piada, acha ela engraçada e ri. Uma simples piada que tem o poder de deixar você animado é capaz de torná-lo feliz durante alguns segundos, mesmo que depois disso todo o caos mórbido do mundo o englobe novamente. Ok, isso não é a felicidade, isso é uma distração da realidade por um período muito curto de tempo. Mas convenhamos que, se uma pessoa consegue ficar feliz não só com uma piada, mas também com as coisas que acontecem ao redor, com as brincadeiras que fazem por aí, e com tudo mais o que for possível, então essa pessoa estendeu seus segundos de fuga da realidade para um período muito mais longo. Se for longo o bastante, logo a felicidade plena se transforma na sua nova realidade, e os momentos de caos do mundo viram a fuga. Crianças fazem isso o tempo todo, e não é atoa que dizem que são mais felizes.

Felicidade Espelhada

Certo dia, em um desses sábados maronhentos que não se tem nada para fazer, eu me peguei jogando video-game. Era um joguinho de mundo aberto, que nem vou me lembrar o nome, mas lá eu podia fazer de tudo. Entrava na casa das pessoas, roubava um carro, assaltava um banco e fugia da polícia (não era GTA ¬¬). Depois que já estava enjoado da mesmice vinda naquele joguinho, resolvi entrar na internet e dar uma olhada no facebook (era orkut na época, mas tanto faz). E ali nas atualizações de meus contatos, deparei com algumas fotos que haviam sido acabadas de serem enviadas por algum amigo que eu não falava fazia tempos, onde ele estava sorrindo e se divertindo em uma festa.

Por um instante, eu consegui condensar de um modo estúpido toda a festa daquele amigo em uma única foto. E lá ele estava sorrindo junto a um grupo de amigos, demonstrando para o mundo que aquilo era a felicidade. E aí, eu pensei que se eu transformar todo o meu período na frente do vídeo-game em uma foto, e o que se teria? Alguém corcundo, com um olhar de sono, talvez um pouco frustrado por apertar um botão errado enquanto pulava de um prédio. Foi aí que eu comecei a enxergar melhor aquela máxima sobre poder pegar toda nossa vida e criar um álbum de fotos com ela, onde as melhores e piores fotos estarão lá, repletas de lembranças boas e ruins. Tenha lembranças incríveis e você tem uma vida incrível, tenha lembranças ruins para ver as trevas o pressionando ao redor.

Confesso que naquele dia eu realmente tive alguns segundos de divagação, tentando analisar se eu realmente era feliz fazendo tudo o que eu fazia. E cheguei em duas conclusões: a primeira é que nosso egoísmo nos remete a buscar um referencial para a felicidade e criamos metas que só aquilo pode nos fazer felizes de verdade. A segunda conclusão, e a qual eu apliquei na minha vida, é que o tempo é igual para todos, mas cabe a nós fazemos o melhor ou pior uso dele. E agora eu preciso contar sobre meu reviéz dessa história.

Felicidade Mesclada

E certo dia eu consegui inverter os papéis e ver toda minha vida com o ponto de vista de quem estava do lado de fora daquele mundo sombrio. Para que minha explicação não pareça muito estranha, tenho que esclarecer que eu nunca gostei de festas, e sempre preferi assistir um filme do que estar lá no meio de um pessoal comemorando coisas aleatórias da vida. Mas se eu era capaz de ver uma foto de alguém sorrindo numa festa e me sentir triste por não compartilhar tais sorrisos, então minha hipocrisia era do tamanho do mundo. Isso me criou um ponto de pensamento onde eu, em alguma escala inconsciente, queria me divertir como todos os outros, mas eu não conseguia. É como se eu buscasse a felicidade, mas não soubesse exatamente o que ela era, e por isso, não tinha como encontrá-la. E essa busca por coisas subjetivas é que fazem a diferença entre você estar feliz, estar triste e nem saber ao certo onde está.

Felicidade Pessoal

E agora vamos ao papinho furado que qualquer livro de auto-ajuda diz, e que todos em uma situação parecida estão cansados de ouvir: coloque metas para sua felicidade, seja feliz fazendo o que gosta, vá e mude, quebre barreiras e blá-blá-blá. Tudo isso é papinho furado porque como já expliquei aqui e acolá, ninguém faz nada sem motivação ou uma alavanca, e menos ainda se tudo o que tentamos encontrar parece não existir. Ou talvez nossas dificuldades pessoais sejam maiores do que simplesmente ir lá fazer, e julgar alguém pelo patamar que está não me parece ser nada eficaz.

Felicidade Momentânea

Mas vou colocar outros exemplos para tentar propor onde quero chegar: Imagine agora que você adora sorvete, e toda vez que toma um sorvete você fica feliz. Considerando a facilidade em adquirir um sorvete, a felicidade decaí por ser algo que perde o poder de lhe surpreender. 

Eu lembro o quanto eu gostava de ir para lojas de Rpg com meus amigos durante minha adolescência, e o quanto meu estado de felicidade atingia o extremo só de eu ver milhares de livros, card-games, action-figures e milhares de coisas que eu jamais teria dinheiro para comprar. E eu ficava maravilhado com aquilo porque era algo muito, mas muito difícil de acontecer. Essa dificuldade me fazia querer valorizar aquele momento, e tudo se tornava potencialmente melhor.

Mas bem que dizem, e com toda razão, que a vida é feita de momentos. Nossa própria memória não é capaz de lembrar de cada segundo que passamos, mas é capaz de consolidar acontecimentos em espaços de tempo e analisar nosso estado de espírito por esses momentos. Assim, se você tem segundos de alegria em meio a dias de tristeza, é óbvio que a equação da resposta será um ardor negativo. Por outro lado, se houver uma forma de inverter essa equação, então temos toda a clareza da matemática ao nosso favor. Tenha dias de alegria interrupta, e as horas que precisar chorar e se entristecer serão facilmente dissolvidas pela massa maior de pensamentos.

Daí vem a coisa de ter pensamentos positivos. Daí vem a coisa de fazer coisas que lhe fazem bem. Daí vem tudo isso. E você, é feliz?



Não perca a oportunidade de dizer nos comentários o que é a felicidade pra você. Embora essa pergunta me lembre um comercial que passava do Pão de Açúcar, eu acredito que a pergunta em si é muito importante. Afinal, se você conhece o que é a felicidade, então se torna mais fácil buscá-la. E para ritmar esse post com outros que possam ajudar na busca por ser feliz, seguem minhas desilusões:

Geladeiras Humanas →  Post anterior sobre seus pseudo-amigos.
Extremamente Simples → Tentando deixar a vida mais fácil.
O lobo solitário→ Às vezes viver mal, pode ser um bem... ein?
3D Pokémon → Um desenho que fiz em 3D. Ficou ruim, é pra descontrair.

Esse post, é um daqueles que traz a máxima de nossas vidas, que é o que todo conto de fadas busca: "viver feliz para sempre". Vamos tentando, porque é o que nos resta...
Confira todas as partes dessa saga O que é a felicidade?: [parte1] [parte2] [parte3]

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Geladeiras Humanas

Fazia bastante tempo que não escrevia aqui, e isso porque já tenho dezenas de posts prontos que só me falta dedicação coragem para revisá-los e publicá-los. De qualquer forma, durante esse tempo que fiquei sem escrever, eu também acabei sumindo do meio digital. Sumi do MSN, Twitter, Facebook e onde mais eu poderia dar sinal de vida. Não que antes de sumir eu já não fosse quase invisível, mas alguns paradigmas de minha vidinha pacata mudaram, e aí eu entrei em cheque com a realidade; e novamente, como era de se esperar, mais um texto chato sobre uma reflexão abstrata surgiu aqui.


Geladeiras Humanas


Geralmente nós usamos de guardar comida na geladeira. Então a geladeira conserva boa parte dos valores nutricionais do alimento e aumentam o prazo de validade. Isso seria uma frase qualquer para um trabalho do ensino fundamental sobre geladeiras, se não fosse o detalhe de que o contexto aqui é bem diferente e assustador.

Pessoas colocando outras pessoas em geladeiras. De repente você tem um amigo que só o chama quando quer que ele dê aquelas dicas de [insira a profissão dele aqui] e, ao invés de deixar claro que você só é amigo dessa pessoa devido a um interesse, você ainda quer fazer levantar todo o status quo se fingindo importar se ele está bem ou não, e aí, instantes depois que você consegue o que quer, faz exatamente o que fez todo o tempo até então. O guarda na geladeira de novo.

Isso pode ser cruel, ou pode ser normal, se você levar em conta que não apenas deve estar na geladeira de muitos, como também guarda pessoas na própria geladeira. E inclusive alguém que está na sua geladeira pode nesse momento também achar que na verdade é você que está na geladeira dele. O mundo é só imagem, ou não?

Geladeira Viva

Eu pensei nisso num belo dia que eu precisava saber de uma coisa, e não sabia da resposta. Mas eu sabia quem poderia me ajudar, e tudo o que eu precisava fazer era ir até essa pessoa e perguntar. O problema era chegar nessa pessoa depois de muitos e muitos meses sem se quer dizer um oi para ela. E eu não tinha coragem de chegar para ninguém e dizer "oi" só porque pretendo pedir ajuda logo em seguida.

Mas já fizeram tanto isso comigo, e por  incontáveis vezes eu cheguei a conclusão que muitos nos colocam dentro de tal geladeira, e nós ficamos lá ocupando espaço nessa geladeira porque um dia algo particular que fazemos poderá vir a ser útil para ela. Vou tentar dar um exemplo: Imagine que você fala Mandarin e todos que te conhecem sabem disso. Pode acontecer de seus amigos sumirem e você nunca mais ter contato com eles, mas se um dia algum deles voltar a falar despretenciosamente com você, será que que o assunto sub-seguinte não será algo do tipo: "Hey, você fala Mandarin não é? Será que não pode me ajudar numas coisas aqui que tenho pra traduzir?". Essa frase dita dentro de um contexto específico faz com que você seja tirado da geladeira desse seu "amigo" sem saber.

E se você for parar para pensar, o contexto de estar na geladeira se aplica à muitas coisas, desde amizades à relacionamentos. O famoso caderninho com telefones de possíveis pretendentes que em uma ocasião não deram em nada, mas que ficam lá guardados para serem usados se um dia tudo der errado e você precisar de alguém.

Vendo assim, é um ciclo vicioso da falsidade. Se você tem uma geladeira, você conserva amizades por puro interesse, e ainda quer que tais "amigos" sejam receptivos e te ajudem em seus interesses quando você tirá-los do freezer. Eu já discuti em um outro post sobre a amizade escalável o porque acredito que o ser humano se move por interesses, mas sem generalizar, afinal de contas, aposto que quem ler isso vai se achar fora da curva e repetir em bom grado: "eu não sou assim". Ainda bem que nem todos são...


Geladeira Morta


Mas é lógico que existe um truque para se manter alguém na geladeira sem parecer que esse alguém está na geladeira. Vamos supor que você tem um amigo fotógrafo, e talvez, vá precisar dele para alguns eventos especiais de sua vida, como fotografar seu casamento ou a festa de formatura de seu filho prodígio. Muitos não vão considerar imoral o fato de você nunca falar oi para seu amigo fotógrafo, e quando falar oi, na sequência ser para usar seus dons. E eu também não acho isso errado, uma vez que pelas minhas teorias sobre a amizade, isso não seria considerado como um amigo, e sim como um contato. Amigo você quer o bem e se importa em saber os passos de sua vida para compartilhar os bons e maus momentos. Agora um contato não, um contato é simplesmente alguém que está na sua agenda de contatos, e corre até o risco de você ligar para ele e passar por uma das seguintes gafes: 1) Ele morreu, não sabia? 2) Ele não trabalha mais com isso... 3) Ele está sobrecarregado de serviços agora.

Se você já ligou para alguém e ouviu uma dessas três respostas, então seu contato morto na geladeira provavelmente será facilmente esquecido. Amigos não são esquecidos, mas contatos sim. Colocar amigos na geladeira é errado, mas colocar contatos não. Até porque, sem que você queira, é bem provável que esteja na geladeira de muitos e nem faz ideia...

Mas aí que se nota uma grande diferença entre um simples contato e um amigo. Quando você pedir ajuda de um "contato", sua ajuda não será um simples favor, e sim um serviço prestado. Desse modo, nada mais justo do que o adicional financeiro ser envolvido no assunto. Você presta favor para um amigo, mas presta um serviço para um contato. Acho que essa é a maior diferença.


Conclusão


Como já sou acostumado a fazer em muitos desses posts por aqui, primeiro eu defendo meu ponto de vista e depois eu ataco meu próprio ponto de vista, contradizendo tudo e deixando quem lê mais confuso que eu.

Pois então, você pode ser a pessoa mais errada do mundo ao colocar seus "amigos" na geladeira e só tirar eles de lá quando precisa. Mas, ao mesmo tempo, se você pensar fora da caixa, isso pode ser o mais certo e lógico a ser feito, e irei tentar explicar o porquê.

Se você não precisa das "habilidades" de alguém no momento, e esse alguém também não precisa de suas "habilidades", então ambos entrarão numa geladeira natural, onde o fato de você não conversar com alguém durante tempos pode significar que cada um entrou na geladeira um do outro naturalmente. Então você não é o vilão da história por ter amigos que só irá chamá-los quando precisar deles, afinal de contas, seu amigo também pode precisar de você primeiro e assim chamá-lo antes. E se você for pensar nos amigos que vem e vão, então a geladeira natural não precisa ser necessariamente defendida apenas por "habilidades".

E aqui vale a pena relembrar (mais uma vez) o post sobre o interesse escalável, onde defendo a ideia de que todo e qualquer ser humano é uma criatura que se move em pró de seu próprio umbigo, e vive a vida disfarçando seu lado interesseiro graças às regras de convívio social. E assim, o mundo se move de acordo com os interesses que cada um tem de sua própria vida. Até porque, mesmo na melhor amizade que existe, não vai me dizer que a própria amizade não é um interesse?


No calor, talvez até seja bom esse conceito de colocar mais coisas na geladeira para refrescar. De qualquer modo, tudo o que fica lá tempo demais estraga de qualquer jeito. E nesse blog sem vida, imagine que a sessão de comentários é como se fosse um freezer, e você pode por lá o que quiser para que se conserve para sempre. Se tiver sem paciência para comentar, que tal ver alguns outros posts aleatórios do blog?

Qua foi sua última desilusão? →  Post anterior sobre a enquete do blog.
Extremamente Simples → Tentando deixar a vida mais fácil.
O lobo solitário→ Às vezes viver mal, pode ser um bem... ein?
3D Pokémon → Um desenho que fiz em 3D. Ficou ruim, é pra descontrair.

Fiquei um bom tempo sem postar nada aqui. Achei que um post falando sobre essa conservação da vida alheia fosse um bom recomeço. Talvez seja só mais uma desilusão para tal extenso repertório desse blog.