segunda-feira, 16 de abril de 2012

Contradição do Amor [1] - Ame ou Mate


Lá vou eu em mais uma saga nesse blog, dessa vez para maquiar mais um paradoxo insano afirmando e contradizendo as coisas ao mesmo tempo. Eu já fiz isso uma vez ao falar sobre a malevolência e benevolência do amor, mas agora a coisa é mais séria. Agora não é para dizer o lado bom ou ruim. É para dizer ame ou mate.

A primeira parte foca a contradição verbal da coisa, a segunda parte coloca em pauta as analogias baratas com sua decisão de amar ou ignorar aquilo que tem pouco valor, seja por dó ou frieza. A terceira parte é só uma analogia animalesca para falar sobre o egocentrismo dessa palavra e a última parte é uma conclusão abstrata disso tudo. Let's go.

Parte 1: Ame ou Mate
Parte 2: Sinta ou Suma
Parte 3: Meu ou Seu
Parte 4: Um ou Dois

Contradição Verbal

Não existe meio termo, porque entre o amor e o ódio, não há um "mais ou menos". Amar é uma escolha, é um tipo de ação que é feita, assim como odiar. Não existe um meio termo nisso, porque é algo tão sólido quanto um tijolo: Você escolhe amar, aprendendo ou relevando isso ou aquilo. Você escolhe odiar, usando o mesmo tijolo que constrói, para também atacar na cabeça de alguém.

Mas não é porque é fácil, que isso é simples. A essência desse sentimento é complexa, simplesmente por ser um sentimento. Nós tentamos simplificar as coisas dizendo que temos amor ou ódio, como se houvesse uma escala de medição onde uma luz verde acende quando amamos, e fica vermelha quando odiamos. Na prática, essa escala de medição é mais parecida com uma balança, que aumenta ou diminui o tempo inteiro, de acordo com a intensidade das coisas.

Pensando dessa forma, ninguém ama algo ou alguém. Apenas colocamos um peso maior ou menor nessa balança, de modo que certas coisas que acontecem aumentam ou diminuem o peso. E assim, quando o amor perde peso, ele vai se tornando indiferente. Chega um momento em que ele perde tanto peso que começa a flutuar com sua leveza. É nessa hora que parecemos usar a indiferença para sinalizar quando não há mais amor.

E assim, o contrário do amor não tem como ser o ódio. Porque odiar significa se importar com o peso que é modificado nessa balança. A raiva vem quando você compra 200 gramas de presunto, e chega em casa com apenas 100 gramas. Isso gera o ódio. O ódio é só uma desilusão sua sobre algum valor errado na própria balança. Mas, se o amor deixa de existir, então é porque ele perdeu seu peso e sumiu.

É fácil, e se isso pareceu claro o bastante, então nem recomendo continuar a leitura, pois a ideia e o texto gigante da vez engloba justamente esse tipo de desilusão muito comum sobre quando escolhemos alguma coisa tão solida quanto pedra, e quando alguma coisa feita de pedra nos escolhe.


Amai-vos

Essa palavrinha é pequena e ainda assim é imensamente confusa, desde seu significado até sua colocação. Quando eu fiz um texto falando sobre o lado bom e ruim do amor, a única certeza que eu tive é que ele não é um sentimento, e sim uma ação. Sentimento é a dor, a raiva, a gratidão, a cumplicidade, etc. Até porque, você pode conjugar um verbo pelo fato dele representar uma ação, mas não pode conjugar um sentimento.

Dito isso, então a gente escolhe, sim, quem ou o que a gente quer amar. Uma vez, li num livro despretensioso sobre vendas (tudo a ver com o tema, né?) que dizia que um bom vendedor é aquele que oferece não só alguma coisa para que o outro compre, mas ele oferece junto o amor para com aquilo que ele está ofertando, tentando persuadir tornar mais fácil a negociação.

Nesse tal livro "O Maior Vendedor do Mundo" de Og Mandino, ele coloca algumas receitas que, se seguidas à risca, fariam uma pessoa adquirir uma vida tão boa, capaz de viver um conto de fadas cujo final é a felicidade por toda eternidade. E uma dessas receitas, se não me engano a primeira, era amar à si próprio e aos outros. E parecia tão simples e fácil... Claro que a prática, e os desníveis do mundo real não são assim. Amar continua sendo uma ação, mas são poucos que conseguem praticar esse ato pelo simples ato que é.

Ame seu corpo, diga "bom dia", "por favor" e "obrigado" para expressar uma retribuição, diga que ama as pessoas mais próximas, mas não pelo simples dizer, e sim porque você decidiu exercer essa ação continuamente. Como toda disciplina, você treina ela declarando que vai amar as pessoas que estiverem no ponto de ônibus compartilhando da mesma espera que você. Amará o motorista e o cobrador, enfim... Embora isso possa soar como um ato retardado, não foi só esse livro (e outros assim) que disseram isso, tal como estudos mais concentrados envolvendo psicologia (ou psico-alguma-coisa, desculpe minha ignorância). O fato é que esse tipo de atitude é a forma mais fácil de se provar como somos capazes de escolher sentir aquilo que quisermos, na hora em que quisermos.

O melhor de tudo é que talvez nem tenha efeitos colaterais. Você ama e pronto, o sentimento se reproduz em si próprio, é transmitido naturalmente para os outros e por consequência, atrairá mais pessoas com o mesmo espírito para perto de si. E tudo isso dentro de qualquer lógica racional, sem muito esforço de análise.


Matai-vos

Muitas pessoas dizem que o contrário do amor é o ódio, como eu mesmo já propus aqui no meu post sobre a malevolência do amor. No entanto, se nós aceitarmos o fato de que amar é uma ação, então o ódio também é, e a única diferença entre esses dois atos é a forma de como percebemos seus efeitos.

Você pode escolher amar alguma coisa ou não, e isso está longe de ser demagogia barata, como a princípio pode parecer. Nem vou entrar no mérito de hipinose e lavagem cerebral, pois quero manter o foco apenas no que é mais palpável ao senso comum e majoritário. Você pode escolher uma roupa para vestir ali do seu guarda-roupas, da mesma forma que pode escolher ter um sentimento.

Nessa ideia bizarra, preciso apenas esclarecer uma coisa: Quando você escolhe uma roupa, na verdade essa escolha já foi feita bem antes do que você imagina, onde seu subconsciente trabalhou e lhe deu a impressão de livre arbítrio. A discussão é complicada, e eu nem entendi a justificativa dos cientistas quanto a essa ilusão de que podemos escolher alguma coisa, mas acho que esse vídeo pode ser um bom começo para abrir a mente:










Ou seja, apenas para contribuir à desilusão do dia, nenhuma escolha que toma, parte diretamente de você, ao menos é claro, que na sua vida não exista nada de errado ou contra sua vontade acontecendo nunca. Se você é humano o bastante para já ter se sentido mal por algo que fez, arrependido por alguma decisão, então sinta-se melhor porque você realmente não teve culpa. A escolha não foi diretamente sua.

Vamos supor que alguém sente raiva do mundo, porque tudo na sua vida parece ir contra seus planos. Ele lentamente, e naturalmente, deixará de sentir amor pelas coisas, e passará a sentir ódio, pois é isso que tudo parece exalar para essa pessoa. Note que o ódio realmente aconteceu de modo inconsciente, e a escolha de cultivá-lo geralmente também é, embora não precisasse ser. A pessoa podia simplesmente tentar encontrar as pequenas coisas pelas quais pudesse escolher amar, e ao treinar isso, ela cultivaria sentimentos e desejos que certamente nunca culminariam em uma escolha do tipo: "Matai-vos à todos ou a mim mesmo".

É algo complicado, porque é abstrato, mas a ideia proposta não tem nada de espetacular; simplesmente experimentar exercer controle dos sentimentos, e ver como é simples. Novamente, vamos entender que sentimento, emoção e necessidade podem ser confundidos, mas suas aplicações são diferentes: Por mais racional que alguém seja, ela não controla uma emoção, que por sua vez desequilibra uma necessidade, mas nem uma e nem a outra interfere no sentimento, pois mesmo que a emoção tenha um ápice exagerado, ela é passageira e sumirá quando menos se espera.

Conclusão

Essa é apenas a parte um, de mais quatros partes envolvendo esse paradoxo sobre o amor. Em resumo, considero aqui que é possível domar um sentimento, ao ponto de tê-lo quando e como bem entender. Mas é lógico que não é fácil; eu não disse que é fácil, e sim que é possível. E justamente para mostrar como é possível, e para propor ideias de como fazer para tentar adestrar essa criatura indomada, falarei diretamente sobre o ato de sentir na parte dois.

Veja todas as outras partes dessa saga sobre A Contradição do Amor:

Talvez já tenha divagado sobre esse tema do Amor aqui no blog, mas de outras formas. Agora estou tentando entender suas contradições e semelhanças, nos mais diversos aspectos. Se você acha que ele não precisa de comparação alguma, então esqueça isso e veja outros posts perdidos por aqui.

Viagens no tempo sem Rpg →  Post anterior à essa saga melosa.
De onde vem a Angústia → Um post angustiante sobre... er, a agústia
A Corrida dos Ratos [1] → Quer ficar rico? Pergunte-me como...
Amor Escalável→ Reflexão sobre como passar de nível no amor.

domingo, 15 de abril de 2012

Os 8 tipos de relações

Uma das coisas que eu nunca era capaz de entender, por mais que eu esforça-se até o último de meus neurônios, era o motivo bizarro pelo qual o amor, em sua pureza de estado, era capaz de gerar tanto sofrimento em algumas pessoas. Eu olhava pelo lado bom, e não obstante, olhava pelo lado mau. E os dois lados nunca me trouxeram respostas, simplesmente porque eu não sabia qual linha lógica de raciocínio devesse seguir. Até porque, na verdade não existe lógica alguma. Renato Russo já dizia: "E quem pode dizer que há razão, nas coisas feitas pelo coração?".  Mas, em minha eloquência natural, já propus muitas reflexões aqui, considerando pontos isolados como paradoxos de escolhas, prisões mentais e até me arrisquei a ser pretensioso em arriscar uma explicação para tudo e deixar fluir um conto belo que colocasse em pauta o amor e a paixão.

Tudo sempre girando em cima de explicações que muito dizem, e ao mesmo tempo, nada dizem. E aí, finalmente resolvi considerar minha própria experiência nisso tudo, indo atrás de todos os sites e textos que já li sobre o assunto, a fim de unir a ideia e conceito de vários autores, relatores e depoimentos para criar uma espécie de teoria universal mais abrangente em que eu pudesse seguir depois.

A primeira coisa óbvia, é que muitas pessoas tem um conceito muito pessoal sobre o que é o amor, e por esse motivo, vários livros contam com versões bem diferentes para o mesmo assunto. Sendo assim, se eu tenho uma opinião sobre o amor e você tem outra diferente, já encontramos o primeiro ponto de solidificação dessa substância abstrata. Nesse caso, a pergunta certa seria: quantos tipos diferentes de pontos de vista sobre o amor existem?

Bom, vou colocar aqui os oito principais que encontrei e que divaguei mas com certeza existem outros. Bom, vejamos:

1) Personagens de Conto de Fadas
Durante a infância, aprendemos que existem contos de fadas, e acreditamos nesses contos. Depois crescemos, e aprendemos que os contos são falsos, embora para algumas pessoas, não sejam. Seja porque viveram tempo demais na infância ou porque conhecem casos reais de contos de fadas e acreditam que a felicidade delas está emplacada naquela história. Eu já fui desse tipo, e sei muito bem como funciona. Já fui do tipo de pensar que guardar o primeiro beijo para alguém especial fosse o mérito de encontrar princesas e, transformar-se de um sapo herói em um príncipe condecorado. Mas, viver no conto de fadas é tão perigoso quanto descobrir quem é o papai noel.

2) Piratas de Rios ou Oceanos
As pessoas piratas são aquelas que vivem navegando em um oceano de sentimentos, procurando pela terra firme a todo custo. E aí, quando elas encontram uma pessoa e acreditam que aquela pessoa é a terra firme, então ali depositam seu amor. E amam. Mas esquecem que são piratas, e que tudo o que realmente sentiam era apenas a paixão, ou seja, apenas o êxtase de uma conquista; Depois que conquistaram, sentem a paixão diminuir, e aí voltam para o alto-mar abandonando o que já não tem mais proveito naquela terra conquistada. Piratas vivem em si, viciados em paixão, e talvez algum dia encontrarão uma terra tão grande e misteriosa que resolvam fincar raízes, mas esqueça as garantias e seguranças de um amor de pirata. Ou sirva-se de rum e vá morar num navio também.

3) Mestres ou Jogadores do Destino
Esse tipo de pessoa, segue aquela seguinte filosofia de vida: "Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí." Não sei ao certo o autor dessa frase, mas sei que ela parece muito bonita e agradável de ser dita quando você encara a "liberdade" como destino, deixando que tudo flua naturalmente. Não se importa em mover-se para ajudar o destino, por acreditar que o mesmo é fruto apenas dos próprios méritos. Um jogador apenas, um fanfarrão. Talvez tenha sorte. E se não tiver sorte, aí você entende o porque realmente são jogadores: Azar no amor, sorte no jogo. Não é o que dizem?

4) Crianças Inocentes
Muitas pessoas adultas mantém o comportamento de crianças quando estão amando. Não estou dizendo fazer aquelas imitações e vozes infantis. Estou dizendo no comportamento carregado de ingenuidade e desconhecimento de tudo. Graças a isso, cada um consegue encontrar um caminho muito obscuro pela frente, porque não sabem bem ao certo o que estão fazendo; apenas vivem o momento, como que brincando com o jogo novo que ganharam no natal. Essas pessoas são aquelas que fazem de tudo em nome do amor, e como crianças, mimam e são mimadas o tempo inteiro. Nada errado aqui, exceto pelo simples adentro do perigo: Deixe que um dia um dos dois pare o mimo e sabe o que acontece? Pois é, exatamente o que crianças fazem nessa situação: "belém, belém, nunca mais fico de bem". E corta aqui.

5) Atores num Teatro de Máscaras
Eu iria dizer que existem pessoas que atuam o tempo todo, parecendo nunca serem elas mesmas, nem mesmo quando são elas mesmas. Não estou dizendo que elas são mentirosas ou que fingem coisas o tempo todo, porque elas apenas interpretam um papel que lhes é dado, e quando esse papel é de romance, elas nunca sabem como interpretar ao certo. Por isso, para facilitar as coisas, vivem em um backstage do teatro, e ali pegam uma máscara e vão para o palco munidas de sentimentos. Ficam com medo de errarem na atuação, porque não há ensaio algum antes, e não querem se permitir errar. Daí ficam com medo de improvisar, de dizer o que acham que é a fala certa para o momento, de realmente atuar. Adoradores da tragédia grega ou dos livros de Shakespeare. Esses atores são assim, tão amantes da arte que provavelmente usam alguma filosofia ensaiada do tipo: "Dói amar alguém e não ser amado em retorno, mas o que é mais doloroso é amar alguém e nunca encontrar a coragem para deixar esta pessoa saber como você se sente."

6) Metódicos, Frios e Calculistas
Tenho medo desse tipo de gente. Até porque, sou um deles. Essas pessoas que são metódicas carregam uma caderneta no bolso, e sempre que um sentimento surge dizendo: "olá, eu sou o Goku Amor", elas anotam isso na caderneta e vão para a faculdade pessoal, onde lá elas mesmas estão na posição de aluno e professor. Criam cálculos do porquê a relação dará certo, fazem algumas somas e olham para a caderneta pensando: "hmm, então aqui é o valor de x, que somo com y+2 e vejamos... opa, e o resultado dessa raiz quadrada, será que está certa?". Então, só nesses casos, elas consultam a quem amam perguntando se um número da equação está certo ou não. Se estiver certo, tudo bem, voltam para a faculdade e entregam o trabalho para o professor. Se estiver errado, refazem os cálculos. As vezes, refazem várias e várias vezes porque teimam que a resposta é outra. O problema todo aqui é simples, não é? Pessoas assim estão de fato em uma relação, mas às vezes estão sozinhas, porque todo o padrão de racionalização parte dela para ela mesma. Não preciso nem explicar o porque se tornam pessoas frias, não é?

7) Impulsivos, Compulsivos e Outros-ivos.
Dificilmente uma pessoa que tem um problemivo, tem só um. Por isso, são vários "ivos" numa única personalidade. E como essas pessoas vivem tudo de modo tão intensivo... Elas se apaixonam e doam o mundo delas, sofrem por elas e por milhares de pessoas em nome de um amor que beira à loucura. Realmente correm atrás, criam nós em cordas resistentes para prender a pessoa e passam horas trocando um minuto de pensamento por horas de ação. É o tipo de pessoa que faz coisas pelo espírito obsessivo, decisivo, ativo... Comumente é o ponto forte de quem é, desculpe a repetição da palavra, possessivo. Bom, acho que deu para entender. Mas só um cuidado para não confundir um detalhe: todo mundo tem seu lado de posse, porque faz parte do instinto humano: no entanto, toda posse que ultrapassa um limite transforma um humano nesse tipo de humano.Principal filosofia que esse tipo de pessoa segue: "Você se importa? Demonstre. Ainda não aprendi a ler pensamentos."

8) Primatas pela naturalidade
A lei da natureza está presente em muitas coisas que fazemos, mas em algumas, isso se torna o fator principal de um relacionamento. Então, posso dizer que existem pessoas que fazem aquilo que a natureza pede, seguindo apenas um instinto primitivo que está presente em todos os animais: um macho-alfa procura pela fêmea que poderá continuar a espécie, gerando descendentes saudáveis e assim cuidar deles. A fêmea, em uma réplica do que acontece em seu ovário, age exatamente assim fora dele: vai deixar milhares de amores surgirem, e somente aqueles que forem fortes e não morrerem, serão considerados. Por um instante, isso parece bem comum para muitas pessoas, mas o que difere esse tipo de gente é o consenso biológico apurado: Elas não perdem tempo refletindo todas as camadas do amor, tão pouco ficam em dúvidas quando tem escolhas de se aproximarem de alguém, simplesmente porque o instinto é simples, objetivo e direto. Elas simplesmente vão, olham o que acontece ao redor delas e avaliam as escolhas. Daí escolhem e pronto, fim do assunto. Seja uma paixão rápida ou um amor duradouro, só a natureza vai decidir. Nem queria comentar nada, mas é bem provável que na pré-história ou se amava assim, ou você não estaria aí vivo para contar sua história nos dias de hoje.


Transcrição de Realidades

Ok, já propus os 8 principais tipos de relacionamentos que lembrei creio dividir bem os tipos de pensamentos mais comuns em que esse assunto se agrupa. Talvez existam outros, mas minhas pesquisas e conhecimentos limitados não conseguiram ir muito além, por isso, novamente peço ajuda para quem puder explanar outras ideias por aqui.

Independente disso, não vou fechar esse post sem tentar concluir o que me propus ao início, que era tentar definir o porque o amor é sempre tão contraditório assim. O primeiro passo, como já propus, é que ele se apresenta de formas diferentes baseados nas crenças das pessoas. O segundo passo, é que muitas vezes as suas crenças são diferentes das crenças alheias. E note um importante detalhe: Às vezes temos um pouco de cada tipo de crença, o que torna tudo ainda mais difícil. E nessa eloquência de ideologias, eu continuei procurando por um lado mais coeso de acompanhar... E como procurei...

Até que eu encontrei um dos textos que mais me abriram a mente e me ajudaram a trazer uma nova resposta. Esse aqui vale o clique: O que difere a amizade do amor? O post desse blog é um pouco extenso, mas ajuda a trazer alguns conceitos para toda essa teoria já formada. Ajuda a refletir sobre o porque tanta gente sofre nesse assunto, porque muitos acabam ficando sozinhos quando não enxergam as oportunidades, e até mesmo o porque existe a conhecida e odiada FriendZone.

Foi desse texto que me veio a explicação mais simples para tudo, dizendo que o amor e amizade são iguais em muitos pontos, mas a principal diferença, é que no amor você quer trazer a realidade de outra pessoa para junto da sua realidade. Talvez mesclar as realidades e criar uma nova. Pessoas possessivas podem querer impor sua realidade à alguém, e se esse alguém for submisso, parabéns: está aí uma relação que todo mundo ao redor dirá: "Nossa, como eles se dão bem", mas entre eles mesmos, o vazio de tristeza é tão grande e incompreensível que pelo menos um dos dois (se não os dois) sofrerão calados. Pessoas submissas vão querer encontrar uma realidade parecida com a delas, para que agregue, e se tiver que modificar alguma coisa, que modifique apenas o necessário. Daí a relação irá bem, exceto que se as diferenças não forem aceitas, a pessoa submissa vai sofrer, e nunca será capaz de responder o porque ela sente um vazio no peito durante certas noites de inverno.

Ou seja, tendo em mente esse conceito de que amar é uma transcrição de realidades, tente reavaliar os tipos de relacionamento que propus no início, e talvez fique mais claro o porquê de certas coisas: Será que todo amor não é apenas lidar com realidades diferentes, e por isso, para muitas pessoas elas tanto iludem e desiludem com grande força, enquanto para outras, parecem unha e carne?

Conclusão

Talvez você, assim como eu, não consiga ainda compreender muitas coisas, e por isso, também vale a pena considerar a explicação científica de como o amor funciona nos níveis biológicos além de nosso controle. Existem até certos experimentos científicos dizendo que nosso cérebro, independente de sua orientação sexual, pode apresentar mais traços femininos ou masculinos, mesmo contrariando a verdade biológica de seu corpo. Tem até um teste, lá da revista época para responder essa pergunta: Qual é o sexo de seu cérebro?

Acho que já me estendi demais aqui, e juro que não era esse meu objetivo. Mas, antes de fechar o assunto, vou colocar aqui só mais duas leituras muito recomendadas para dar uma outra ignição à todas essas dúvidas e certezas incertas do amor: Uma é sobre o Namoro prematuro e relações pré-matrimoniais, que acontece principalmente quando o amor alavanca entre um casal que não entende muito bem o que estão sentindo e vão se deixando levar pelo momento. É muito bom para refletir, como o autor propõe, a principal causa de tantos relacionamentos duradouros quebrar e principalmente o porque o conceito sobre "achei o amor da minha vida" é completamente errôneo e perigoso.

A outra leitura é bem curta, e na verdade apenas reforça a pergunta que já fiz aqui no meio desse post sobre a ponte ou barreira entre amor e amizade. O post apenas coloca a dúvida em pauta, e ali nos comentários é que a história se desenrola, porque dá para ver várias opiniões sobre o assunto, que complementam, contradizem e podem ajudar a reforçar ou piorar aquilo que você já acreditava saber sobre o assunto.

Por enquanto, não tenho mais nada a declarar. Só que sinto dizer, mas Camões sempre esteve certo desde o início: "(...) Mas como causar pode seu favor, nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

As vezes compreendo como o amor é algo muito complexo quando me vejo falando sobre ele diversas vezes por aqui. Mas esse post específico, eu confesso que já estava escrito fazia um bom tempo, mas sempre ficava esperando encontrar outros tipos de relações para aumentar ou rever minha lista. Já que o tempo passou e não obtive nenhuma variação de filosofia, então resolvi publicar.

Contradições do Amor →  Uma saga em 4 partes falando sobre... amor?
O Paradoxo da Confiança → Até onde vai sua confiança em alguém?
Amor Escalável→ Reflexão sobre como passar de nível no amor.
Partículas de Energia → Um hoax interessante, sobre o nosso DNA

Se alguém souber o autor dessas frases, que ocasionalmente esbarro com elas pelo twitter ou facebook, por favor me avise. Já encontrei tantas fontes, que nem faço ideia quem é o autor original para assim creditá-las corretamente.

sábado, 14 de abril de 2012

Viagens no Tempo sem Rpg

Está aí uma coisa legal para discutir, que é tão legal que não leva a lugar nenhum. Falar de viagens no tempo é uma forma de usar a imaginação para especular ideias incríveis que certamente tem poucas chances de ocorrer. Eu já falei das Viagens no Tempo com Rpg no ano passado, e agora volto para falar delas de modo mais conciso. O primeiro ponto, antes de mais nada, é que eu sei que existem outros tipos de viagens, e o link com todos os 22 tipos de paradoxos podem ser lidos aqui. Mas, mesmo assim, nunca me enjoo de falar sobre essa máxima da Ficção Científica, e como eu sempre posso voltar no tempo para vislumbrar sobre isso, então cá aqui mais uma oportunidade.

Viagem Dimensional

Esse é o tipo de viagem que citei no meu exemplo com o Rpg. A Viagem Dimensional ainda é uma das mais aceitas pela ciência, caso algum dia desses construam uma máquina do tempo. Nesse tipo de viagem, cada vez que volta para o passado ou vai para o futuro você cria uma linha do tempo diferente, de modo que isso tire todas as preocupações sobre porquê aconteceu isso lá e não acontece aqui. Em outras palavras, esse é o estilo mais fácil para se criar uma história de ficção coerente, já que não há como se preocupar com nada. Um filme que usa esse tipo de conceito aliado a teoria do caos é "Lola Rennt", (ou no Brasil "Corre, Lola"), em que as viagens no tempo tem aquele jeito de ser dimensional.


Viagem Paradoxal

Acho essa uma das mais legais, embora seja a mais difícil de ser resolvida. Aqui você volta para o passado e tem que lidar com todos os paradoxos envolvendo a mesma linha de tempo que levou você até lá. Se morre no passado, então como explicar o fato de que no futuro você tem que estar vivo para construir a máquina do tempo?

Sinceramente eu sempre tenho medo de qualquer história que envolva esse tipo de viagem, simplesmente porque as chances de se criar furos de roteiro aqui são gigantescas. Basta você esquecer um detalhe bobo, do tipo: "eu fui pro futuro levando uma caneta comigo, mas cinco minutos depois eu voltei para o passado e destruí essa caneta antes de eu levar ela pra lá". Pronto, você criou um erro e nunca mais sua história será a mesma. Nunca será possível responder todas as perguntas e qualquer um que tente te ajudar a pensar no assunto ficará com os miolos cheirando queimado.

O inesquecível "De Volta para o Futuro" tenta lidar com isso construindo um roteiro que responda essas perguntas e crie respostas que funcionem naquele mundo. Não deixa de ser uma viagem em que você lida com paradoxos, mas pelo menos eles tem uma resolução aceitável. Isso é, se você não muda nada de modo muito forte, então você está lidando com a mesma linha do tempo, e caso a mudança seja impactante demais, então a linha se quebra em uma outra dimensão.



Viagem Mental

Quando Lost se atreveu a mexer com viagens no tempo, eu fiquei com medo de ver uma das minhas séries prediletas entrar em ruína. Contar uma história que tenha viagens no tempo é tão arriscado que tem o poder de tornar tudo muito legal ou muito ruim. E Lost foi ainda mais além, misturando vários conceitos sobre o assunto num lugar só. E como ela tratava com todo respeito a comunidade científica e religiosa, então era óbvio que aquilo só terminaria bem se tivesse sido muito bem conectado.

E no meio de tantas ideias novas e bizarras, eles apresentaram uma particularmente interessante, que é a de projeção de consciência. A projeção de consciência, seria como se você pudesse recordar do passado, mas recordasse dele tão bem que pudesse criar interações e essas interações tivessem impacto depois que você voltasse para o presente. Isso é interessante porque pode ser explorado de muitas maneiras, desde sonhos, alucinações, doenças, etc. O excelente filme de 2011 Source Code (Contra o Tempo) é um desses filmes que explora a projeção de um modo fantástico.

Uma história que tenha como foco a viagem mental pode até ser encaixado dentro das viagens inúteis, já que você pode conseguir mudar as coisas e depois alegar que não conseguiu porque estava sonhando. O final tem grandes chances de ser muito frustrante, mas com certeza ficará bem explicado.


Viagem Inútil

Eu chamo de Viagem Inútil por falta melhor de nomear aquele tipo de viagem no tempo em que você não pode fazer nada lá porque o que foi feito já foi feito. Não importa quantas vezes se tente matar seu avô, ele sempre vai se safar para que você possa nascer no futuro e construir uma máquina do tempo que crie esse hábito em looping. Normalmente, esse tipo de viagem geralmente envolve algum fator maior do que tudo e inexplicável, como o destino. Quando se acredita no destino as coisas também ficam fáceis, já que você pode dizer que tudo aconteceu porque tinha que acontecer, e se tiver que ser, será. Ou seja, não há muita preocupação com a interação da máquina do tempo, e sim com o desfecho. Muitos filmes usam esse conceito, e a mensagem no fim é sempre a mesma: "foi tudo inútil".


Conclusão

Pois é, de novo. Na verdade é segunda vez que eu posto sobre isso, mas pode ser a primeira que você lê sobre isso aqui no blog, principalmente se leu tudo até aqui, mas não leu o post anterior. E quando se fala sobre o tempo, as viagens sobre o assunto são tão grandes que dificilmente algo será encerrado. Pois é, de novo. Na verdade você pode ler isso aqui infinitas vezes, e no fim das contas fez uma viagem no tempo: perdeu tempo. Pois é, de novo.

Depois de uma chuva de posts abordando mais o aspecto comportamental, eis que surge um tão desnecessário quanto os demais, mas serve para dar uma quebra nas desilusões envolvendo pessoas. Se bem que ainda acredito que inventarão uma máquina do tempo, e enquanto não inventam, tudo o que me resta é continuar desiludindo em mais posts como esse.

Extremamente Simples →  Post anterior sobre a mente descontínua.
Viagens no tempo com Rpg → A origem do do post atual
Ano Novo? → Você voltaria no tempo para ter um novo ano novo?
Desilusões do Tempo→ Porque o importante é desiludir com o tempo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Extremamente Simples

Se o mundo é tão complexo, e se as pessoas são tão complexas quanto o mundo em que elas vivem, então porque existe a tendência de tentarmos simplificar tanto as coisas? Ou melhor, porque será que damos preferência àquilo que é mais simples? Graças à simplificação de tudo é que surgem os extremos. O bem e o mal. O certo e o errado. E é isso que não consigo compreender; afinal de contas, não é estranho tentar simplificar o complexo só para compreendê-lo? Ninguém pode ser 100% bom ou 100% mau. Nem um psicopata e nem um santo são capazes de ficar entre essas linhas extremistas, mas mesmo assim, nossa visualização do mundo parece capaz de só compreender o ponto A e o ponto B, ignorando qualquer coisa entre eles.

Essa deveria ser só mais uma desilusão comum para entrar na coleção desse blog, mas aí então eu vi um vídeo aqui que me fez abrir a mente para esse assunto. Não vou entrar nos detalhes do vídeo, porque ele é totalmente explicativo e bem feito, dispensando comentários. Trata-se da chamada mente descontínua, que em resumo, diz que o ser humano tem uma séria dificuldade em enxergar um processo de mudança. Ele capaz de ver a mudança depois que a mesma aconteceu, mas nunca durante o processamento da mesma.

Simplificando...

Antes eu era perito em me perder em qualquer lugar, em andar em círculos e não conseguir memorizar um caminho novo. Quando eu ia para São Paulo, meu senso de direção parecia perder todo o conceito lógico e me fazer agir como um retardado que olha para todas as placas e vê apenas textos árabes querendo me dizer algo. Foi então que meu pai me deu uma dica muito simples e valiosa: pegue referências.

A partir de então, o mais importante para mim não era mais tentar compreender a minha localização em si, e tão pouco tentar decorar um guia ou as direções que via em um mapa qualquer. Apliquei a técnica de usar os pontos de referência por onde eu passava, e alguns distantes para saber onde eu ia. Confesso que colocar essa ideia em prática parecia fácil, mas não via resultado algum, simplesmente porque eu me esquecia das referências logo depois.

O que quero dizer com isso, é que até mesmo uma simples mudança de conceito não é tão simples assim. A mente leva um tempo para colocar tudo o que sabe na teoria em prática, e muita vezes ela é preguiçosa em fazer isso e acaba se pondo à deixar sempre para depois. Mas um tempo depois, que não tem como você calcular exatamente o quanto, você usa um referencial de uma época antiga de sua vida para declarar uma clara mudança. O processo de mudança parece não existir, mas de fato, ele foi o mais importante para que você partisse do ponto A para o B.

É a mesma coisa que acontece com o aprendizado de um novo idioma. Você começa a pegar os primeiros conceitos que até então não fazem sentido algum, e meses depois, mesmo sabendo alguma coisa, é pouco. Dá impressão que será impossível falar outro idioma como um nativo, até que o tempo avança cada vez mais, e sua persistência cria a diferença. Novamente você usa como referência para saber o quanto mudou olhando para aquele ponto do passado em que iniciou o aprendizado. Você de fato aprendeu, mas não sabe dizer exatamente o dia em que aprendeu. E não houve um dia em que aprendeu, houve um tempo. E o ser humano não tem (infelizmente?) a capacidade de enxergar tão bem essa quarta dimensão.


Gameficando...

Confesso que já tentei aplicar a regra da simplificação máxima na minha vida, e falhei magistralmente. Pensei em usar regras vistas em jogos de RPG que tornam a evolução de seu personagem lenta, mas ao mesmo tempo visível. Por exemplo, tudo o que você fizer na sua vida irá gerar pontos de experiência. Então você decide viajar para um outro estado, e quanto maior a dificuldade em fazer isso, maior a experiência adquirida. Mas só funciona pela primeira vez, porque se viajar para o mesmo estado novamente, sua experiência será reduzida.

A ideia em si seria imaginar que tudo o que você está fazendo diferente está gerando pontos de experiência, e quando acumular uma quantidade X de pontos, então você passa de nível e evolui. Daí as dificuldades viram desafios, que por sua vez viram diversão. Seus problemas passam a se tornar os inimigos que deve vencer para ganhar mais e mais experiência.

Eventualmente um mesmo inimigo poderá aparecer novamente, mas aí você já sabe como vencê-lo, e muitas vezes nem vale a pena perder mais tempo com ele, já que para continuar seu processo de evolução, é necessário encontrar novos inimigos. Fazer grinding na vida real serve apenas para deixar o tempo passar. Mas na vida real o tempo sempre será seu único referencial, onde ficar parado esperando por mudanças sem lutar com novos inimigos é inutilidade.

Conclusão

O ser humano deve ser o único animal capaz de ter uma urgência em complicar a vida. Parte dessa complicação é o desejo de criar conceitos inexistentes sobre o tempo. Acreditamos que o tempo sempre estará lá nos evoluindo, mas esquecemos que o processo de evolução não é causado só pelo tempo, e sim por nossa atuação no tempo.

Nesse exato segundo, você pode olhar para o passado e fazer uma breve reflexão sobre onde estava há 5 anos atrás e onde está hoje. Se de repente estiver no mesmo lugar (não no aspecto físico, mas evolutivo) então saiba que está fazendo tudo errado. Cinco anos é uma média de tempo razoável para que possamos passar de nível na vida, então se parte de seus sonhos, ideais e objetivos não aconteceram nesses últimos cinco anos, reveja-os. E para passar de nível, nada melhor do que encontrar o caminho que lhe coloque mais desafios, e com isso, traga mais experiência e permita fazê-lo olhar para daqui exatos 5 anos e dizer que está em um nível diferente.

Para ajudar: Criar hábitos mudam a forma de pensamento, que por sua vez irão mudar suas emoções sobre aquilo que esta pensando de forma diferente. Essas emoções obrigarão você a fazer ações diferentes das atuais. Agora sabendo que as ações criam resultados diferentes, creio que todo o processo complexo da vida pode ficar extremamente simples a partir de agora.


Que tal fazer uma mini-cápsula do tempo aqui? Diga seu nível atual, e onde planeja estar daqui a cinco anos. Evoluir é bom, mas com alguma fonte de motivação, isso nem se compara. Vou deixar alguns posts antigos aqui, para provar como eu fui na contramão do que disse e consegui perder níveis ao longo dos anos.


Acaso vs. Destino →  Post anterior para analisar dois conceitos.
Dança de Salão [5] → O dia em que comecei minha evolução.
Escolhas → Um desincentivo a fazer sua escolha nesse instante.
Jaskon→ Meu herói de quanto tinha 6 anos, e estava no nível -5

quarta-feira, 14 de março de 2012

Niver


Não importa se você deseja evitar, adiar, antecipar ou ignorar. Todo ano você fará aniversário, e diante da arbitragem mundana de nosso mundo, existem apenas duas formas de se passar esse dia. Ou você é otimista e comemora dizendo que é mais um ano de uma vida maravilhosa. Ou você é pessimista e chora em um canto da parede dizendo que seu fim se aproxima. Mas, indiferente disso, fazer aniversário é inevitável. Para o bem, ou para o mal.

Parabéns pra você

Existe um dia arbitrário do ano em que ficamos mais velhos. Muitos aproveitam esse dia para fazer festas, comemorações grandiosas ou simplesmente pedir presentes. Outros desejam que a data passe desapercebida, de modo que o alvo de ovos podres e farinha seja qualquer outra pessoa aleatória. Também há quem acredita que ficar mais velho é uma maldição, e sendo coerente fantasioso, há quem esquece desse dia e nem se lembra da própria idade.

De qualquer modo, fazer aniversário é isso. É um dia aleatório do ano, onde você tem o direito de deixar tudo girando ao redor do seu umbigo e ninguém pode te criticar por isso, afinal de contas, é seu dia. É seu dia de saber que existem pessoas que se lembram e se importam contigo, e como um amigo meu disse: "é seu feriado".

Adentro à isso, confesso que falar sobre aniversário é um tema que não teria motivos para postar nesse blog. Afinal de contas, quantas desilusões podem se formar sobre isso? Além dos ovos pobres e farinha. Além da gozação em seu local onde estuda/trabalha. Além de algum parente chato que insiste que tem que dar puxões de orelha. Enfim, que mais desilusões se pregam em nosso aniversário?

Nessa data querida

Essa data é apenas um dia que decidimos que ficamos mais velhos. Na passagem natural do tempo, você envelhece todos os dias, um pouquinho por dia, e não faz a menor diferença se ontem era seu aniversário e hoje não é mais. Ou seja, a data de aniversário realmente apenas importa para nós, e não para o corpo.

Já que importa para nós, então é uma data querida para nós. E aqui volto a divagar sobre o egoísmo, dizendo que nesse dia queremos (ou nos sentimos obrigados) a ter o ego aumentado de alguma forma. Se ninguém se lembra de lhe dar os parabéns, então seu ego sente falta, a não ser que já seja acostumado a deixar essa data passar em branco.

Além disso, o velho conceito dos signos do zodíaco também está aí provando dessa arbitrariedade toda. Já imaginou que nascer no dia 21 ou 22 muda seu horóscopo e toda caixinha de personalidade que dizem vir de lá? Não importa que você nasceu a meia-noite, e que há um segundo atrás seu signo era outro. Durante a vida essa pessoa vai crescer acreditando que existe uma forma definitiva de enquadrar ela em conceitos e criacionismos humanos, quando na verdade, o peso e a importância disso deveriam ser menores.

Muitas Felicidades

Mas tudo o que importa não é o dia do aniversário, e sim o fato de que muitas felicidades irão acompanhar. Como ouvi num show de stand-up uma vez: "Como pode as pessoas saírem dizendo 'muitas felicidades nessa data querida'? Então que apenas naquele dia tenha felicidades, e no resto do ano, dane-se?".

Muitos Anos de Vida

Mas eu decidi que essa é uma data boa para efeitos gerais, e por isso não vou falar mal dela. Eu havia feito um leve teste tirando a data de meus aniversários das redes sociais para ver se alguém se lembraria disso no fim. E no fim, ninguém se lembrou. Ok, uma pessoa lembrou porque ela fazia um dia antes que o meu, e outra se lembrou porque eu comentei com ela no início da semana. Mas fora isso, ninguém. Está certo que também não tenho tantos conhecidos assim, e esta certo que ninguém tem a obrigação de lembrar de uma data que é importante para o outro.


Eu tenho noção que um post desse é ainda pior e mais sem graça do que qualquer outro. Mas pelo menos ele nem é tão longo assim. Na verdade, quase ninguém costuma ler nada aqui. E pensando bem, se não gostou - o que é óbvio - que tal deixar um xingamento aleatório nos comentários expressando essa raiva?
TextoFinalizaçãoPost

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Acaso x Destino

Já cansei de ouvir minha mãe tentando erguer meu ego ao dizer: "Tudo tem seu tempo, meu filho. Quando tiver que ser, será."
A voz da experiência que vem dela me fazia criar questionamentos que pediam argumentação, do tipo: "Então, mesmo que eu passe o tempo todo trancado no quarto vendo TV, mesmo sem eu mover um único dedo tudo acontecerá no seu devido tempo? Essa lei do maktub não tem fundamento algum". Eu achava que tinha razão só porque minha mãe não conseguia contra-argumentar isso, mas infelizmente (ou felizmente?), eu estava errado.

Segue o relato dos fatos definitivos sobre a existência do destino.

Um dia algo acontece...

Um dos temas bem recorrentes nas histórias que gosto de escrever é sobre essa nuance entre o acaso e o destino. Isso porque é um tipo de coisa que consegue ao mesmo tempo se provar e se contradizer, simplesmente pelo fato de fazer parte de um paradoxo irresoluto. É a mesma coisa da fé: Você acredita por evidências pessoais, mas não pode provar porque essas evidências não estão presentes no consenso de todas as outras evidências.

De certo modo, existem acontecimentos na nossa vida que levantam aquela típica frase: "mas isso é muita coincidência...". E geralmente são coisas que podem ser atribuídas a sorte, milagres, destino, ou qualquer outro nome de definição casual. Ou seja, quando alguma coisa sai de seu âmbito de compreensão, você atribui o mérito para uma coisa que também não pode ser totalmente compreendida. É como tentar anular a gravidade usando outra gravidade. Pelo menos acredito que isso acontece com muitas pessoas. Uma menor parte apenas acha que aquilo foi um fator de sorte incrível, e outros ficam em cima do muro e não sabem no que acreditam.

Um detalhe: Não estou falando daquelas "coincidências" mais comuns, do tipo perder um ônibus para ir trabalhar e mais tarde descobrir que aquele ônibus quebrou ou algo do tipo. Isso poderia entrar no mérito da intuição aguçada, ajudinha celeste, percepção da subconsciência, dia de sorte ou qualquer outra coisa atribuída a um evento raro.

As coincidências que eu estou falando são daquelas capazes de mudar sua vida, e acontecem geralmente quando você acha que nem sua intuição, e nem um exército celeste ou mil pés-de-coelhos seriam capazes de desencadear tal cadeia de eventos. Uma cadeia de eventos magnífica (ou não) que dá a impressão que tudo aquilo já estava pré-destinado a acontecer muito antes.

A história de todos já está cravada em pedra, seria a explicação sobre o que é o destino, e como sempre, basta escolher entre acreditar ou não. Se acreditar, então tudo é mais fácil e o assunto pode terminar aqui. Mas se não acreditar, então chegamos no próximo passo que tenta definir o destino e provar sua existência: E eu, maluco por nascência, jamais iria definir que um assunto acabou, por mais acabado que poderia ficar. E lá vamos nós novamente... provando o vinho tinto do maktub.

Um dia algo acontecerá...

É muito fácil prever o futuro. Por exemplo, eu digo: "Você vai envelhecer". Isso foi uma previsão do futuro baseada em conhecimento de rotina. Mesmo que acabe morrendo antes da hora e nem chegue a envelhecer, ainda assim é um palpite certeiro. Um exemplo bem imbecil, diga-se de passagem, mas o ponto é que isso é meio caminho andado para pensar no destino com outro ponto de vista.

Se levar em consideração o tempo, então o destino deixa ser um simples amontoado de acontecimentos incríveis e inexplicáveis que formam sua história, e passa a ser uma linha universal que envolve a todos de modo único e irrefreável. Mesmo que a ciência hoje já esteja novamente comprovando outra teoria de Einstein, de que o tempo passa diferente de acordo com a velocidade em que se move.

Bom, voltando ao assunto: O tempo é capaz de fazer você perceber o quanto as coisas aconteceram e levaram você até o ponto atual. E ali, nesse ponto, é fácil aplicar as coincidências dizendo: "Tudo o que aconteceu tinha que ser assim", simplesmente porque você só tem a referência do momento da vida atual, e não é fácil pensar no quanto outras coincidências incríveis poderiam ter acontecido se decisões diferentes fossem tomadas ao longo da vida.

Não há aquela bela frase que diz: "A história de nossas vidas é a história de nossas escolhas"? Pois é. E aí, no dia-a-dia nós construímos nossa história, mas só poderemos ter noção da complexidade de tudo ao nosso redor com o passar do tempo, pois é lá na frente que se tem as certezas das coisas que por enquanto hoje são apenas pedaços isolados de uma história em desenvolvimento.

Sendo assim, o contexto sobre destino parece começar a caminhar de modo mais lógico; quando você estiver no topo da montanha e olhar o caminho que percorreu, vai se assustar com o quão longe chegou, e o quanto de coisas aconteceram no meio do caminho que o fizeram chegar lá. E é com essa base que a ideia de "destino" vai parecer mais visível, já que aparentemente você desconsidera que todas as escolhas poderiam ter sido diferentes mas não foram.

Um dia algo aconteceu...

Imagine algum caso de um cidadão que nasceu no meio da pobreza, e no meio de sua adolescência se envolve com drogas e começa a arruinar a vida da família. Então, ele é levado para internação e lá conhece uma bela jovem pela qual tem um romance. Certo dia essa moça recebe uma proposta de trabalho que torna o casal rico, e assim vivem felizes por um longo tempo. Essa história, que é mais comum do que se parece, pode ser considerada como acaso, sorte ou destino?

A resposta depende do ponto de vista, pois se você considera os fatos do inicio ao fim, pode julgar cada evento como um acontecimento de sorte. Mas se considerar os fatos na ordem inversa, e pensar que o cidadão só se tornou rico devido a tudo que passou, então isso pode ser considerado o destino. Ou seja, destino e acaso andam juntos, por mais incoerente que isso possa parecer.

Essas são discussões que podem levar muito tempo, e dificilmente vão mudar o conceito de alguém sobre o que ela já acredita. E isso porque provavelmente todos estão certos e errados ao mesmo tempo, já que a definição disso ou daquilo depende muito do contexto aplicado.








Conclusão

O destino pode aparecer em histórias, porque naturalmente muitas histórias são escritas com ela, mas sob um nome diferente: roteiro. O destino seria o roteiro de nossas vidas previamente escrito? Ou seria a união de acasos, que somados formam o destino? Ou talvez ele seja apenas a consequência de escolhas tomadas hoje, que ao mesmo tempo invalidam o hoje como parte de um destino maior?

Deixa pra lá, é mais fácil apenas considerar sua existência do que argumentá-la. Afinal, não é porque você não é capaz de avançar o tempo e ver o final que ele já não está escrito; imagine só todos aqueles físicos renomados dizendo que a viagem no tempo é possível (por enquanto só ao futuro). Então, qual prova maior do que essa? Einstein com suas teorias da relatividade tentando desmistificar o tempo e criando provas de que o futuro já foi feito, pois do contrário, como seria possível avançar sobre ele? Uma vez que ele já está lá, prontinho, então pode começar a rir da sua vida nesse exato instante: babe com todas as possibilidades de escolhas que pode fazer, e ria pelo simples fato de que todas elas já foram feitas, só que você ainda não viajou no futuro para vê-las.

E agora que já estamos começando uma nova quebra de paradigmas, talvez surjam outros contextos que nem poderíamos imaginar nos dias de hoje. A velocidade do tempo, que parecia ser impossível de ser ultrapassada, já está caindo no conceito do passado, e não duvido nada para que em poucos anos isso se torne coisa de herege, isso se já não for heresia demais ter pensamentos assim hoje em dia.

Não posso deixar de constar aquela resposta memorável de Neo, quando questionando por Morpheus se ele acreditava em Destino. "Não acredito.", ele disse. "Não suporto a ideia de que tenha alguém controlando minha vida".


E agora, será que você não estava destinado a deixar um comentário depois que lesse esse texto?

"O destino não existe, até que você perceba que está dentro dele".


Eu disse que seria um post curto. E de fato, foi curto. Se você não acredita, eu lhe desafio a conhecer alguns posts que eu considero um "pouquinho" maiores clicando nos links abaixo:


Carnaval →  Minhas desilusões do carnaval, neste post anterior.
Karma →  Um bom complemento (com vídeo) sobre esse tema
Sobre o Tempo → Falando sobre destino, lembrei-me do tempo
Imortalidade → Se não liga para o destino, então vire imortal.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval

Deixemos o óbvio de lado, e assim pouparemos de comentar o básico. O básico sobre o carnaval é que muitos gostam e muitos odeiam. Eu estou do lado daqueles que odeiam, mas confesso que sou um hipócrita, pois gosto dos dias em que posso passar o feriado em casa sem pensar no trabalho. Detesto toda libertinagem envolvida nesses dias, mas gosto de pensar na ideia de como parece haver uma falsa felicidade provida justamente por essa mesma libertinagem. Também não gosto de assistir nenhum desfile das escolas de samba, mas não nego que admiro aquelas construções gigantescas se passar perto de alguma. Enfim, sou apenas um ser medíocre que observa o carnaval com a passagem natural que vem dele. No fundo, torço para que passe logo, mas bem que o feriado poderia ser mais longo...


Esse será um post mais curto que os tradicionais, até porque não tenho muito o que dizer sobre o Carnaval. É possível ler a história dele em um milhão de sites diferentes, é possível esperar os "escândalos" envolvendo alguma celebridade para ter o que comentar com seus amigos, ou simplesmente esquecer desse feriado.


Me lembro que minha grande revolta pelo carnaval começou durante a infância, onde eu não entendia o porquê paravam de passar meus desenhos favoritos durante uma semana. Eu querendo saber se o cavaleiro Pégasus iria conseguir salvar Saori, e de repente colocavam um monte de gente usando armaduras mínimas para tapar seus sexos enquanto sambavam sem ao menos cantar a música que tocava de fundo. E se Saori não fosse salva? Como poderia o carnaval ser mais importante que os cavaleiros lutando para salvar o mundo!?

Hoje em dia não sou mais escravo da TV, e mesmo assim parece que meu ódio pelo carnaval vem dessa parte que não consegui perdoar. Hoje em dia me vingo vendo dezenas de filmes, desenhos ou animes na hora que quiser, mas não consigo captar nada de bom no carnaval. Eu deveria até ser capaz de ceder a minha parte masculina que quer ver as mulheres desfilando nuas, mas isso parece ferir tanto a moralidade que simplesmente não consigo esboçar um sorriso, mas sim vergonha. E em cada carnaval é a mesma coisa: dias marcados no calendário para se quebrar o pudor, em troca dos próximos 40 dias pedindo perdão aos pecados.

Não quero entrar no mérito religioso, e nem supor que a quaresma seja usada como rendição pelas pessoas. Até porque, se isso acontecesse, então entraríamos em erros estratosféricos.

Carnaval é isso. Não consigo falar bem dele, nem quando me proponho a falar bem dele. Eu já tive uma época que consolava que o carnaval era bom porque nele todos pareciam esquecer todos os problemas e saírem para festejar. Hoje em dia já nem consigo mais usar esse apelo, visto que é justamente no carnaval onde aumenta o índice de violência, abortos, acidentes no trânsito devido a bebida... enfim, definitivamente não consigo falar bem dele. Mas mesmo assim, nas palavras desse ser hipócrita que escreve, um feliz carnaval à todos.


Eu disse que seria um post curto. E de fato, foi curto. Se você não acredita, eu lhe desafio a conhecer alguns posts que eu considero um "pouquinho" maiores clicando nos links abaixo:


A primeira impressão →  Nem é tão longo, mas foi o post anterior.
O único cúmplice →  Spoiler: é você mesmo. Desculpe. =)
A Corrida dos Ratos → Tem duas partes, então é algo longo.
Dança de Salão → Tem cinco partes, então ganhou da corrida acima.