quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A Guerra dos 2000 anos


Tem muita coisa no mundo que é difícil de entender, mas acho que os conflitos que acontecem lá no meio árabe chegam a ser impossíveis de uma compreensão. E digo isso não simplesmente baseando no fato pessoal de que sei pouco do assunto, mas sim por ter visto muita gente especialista no assunto que facilmente se confronta em discussões acirradas. E para iniciar, vale começar com um debate do programa Roda Viva que entrevistaram Benny Morris, onde várias perguntas e esclarecimentos foram feitos. Mas, se você assim como eu não entendeu muito do que foi dito, então vou tentar explicar de outro modo mais didático.


Política, Religião ou Estupidez?


Basicamente todos esses atributos se juntam de forma impressionante nesse assunto. Se quiser entender um pouco sobre a visão histórica de como a política surgiu no nosso planeta, vale assistir esse vídeo. Só para resumir, é importante lembrar que os antigos reis e governantes sempre que podiam usavam da crença do povo para exercer seu poder. Se o povo acredita que um rio é importante, então o bom rei é aquele que protege esse rio, e o mal rei é aquele que o destrói. Mas o rei poderoso é aquele que o povo acredita que faz esse rio fluir.

Há mais de dois mil anos atrás, quando toda essa bagunça estava apenas começando, aconteceram alguns fatores importantes que repercutem até os dias de hoje. O primeiro fator é a unificação de muitas tribos que haviam naquelas regiões em grandes impérios. É inegável o fato de que Roma, por exemplo, cresceu acoplando vários povos em si, e por isso ao mesmo tempo em que se tornava gigantesca, também se tornava um berço de ideologias diferentes entre grupos na própria região.

Ou seja, viver na Roma não era nenhum pouco parecido com viver no paraíso. Tem uma excelente série de vídeos no youtube que aborda praticamente todos os pontos da Roma Antiga, com mais de 4 horas divididos em temas. Clica aqui e assiste lá um pouco por dia que vale a pena.

Cristão, Judeu ou Muçulmano?

Nessa época já havia o cristianismo. E já havia o conceito da Terra Santa que perdura até os dias de hoje. Só para ficar claro e simples, vamos dividir toda aquela região árabe em três religiões predominantes, que resumem ao Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Todas elas se baseiam em interpretações diferentes que ramificam do mesmo Deus. Há uma discussão entre teológicos nos dias de hoje se Alah e Jeová são ou não o mesmo Deus. Tem islâmico que defende que sim e que não, sem entrar em consenso comum, assim como cristãos, que podem interpretar que Deus é único para o mundo todo e que por tanto, Alah é o mesmo Deus mas os islâmicos não sabem disso. E aí, esse jogo de interpretações e a discussão polêmica gera apenas a divisão ainda mais clara entre essas religiões.

Para resumir a confusão toda: Jerusalém, que é chamada de Terra Santa, gera tanta briga porque esse conflito ideológico coloca os três pontos de vista em um mesmo lugar: Os cristãos vêm a área como sagrada porque foi lá onde Jesus foi crucificado, na igreja do Santo Sepulcro. Para os judeus, a cidade de Jerusalém é importante devido ao Templo de Salomão, onde foi guardado a Arca da Aliança, que após ser destruído, reconstruído e novamente destruído, hoje sobrou apenas o Muro das Lamentações. E por fim, os muçulmanos tem apreço por Jerusalém devido a mesquita de Al-Aqsa que é onde Maomé subiu aos céus.

Se você der uma olhadinha com calma no mapa daquela região, vai ver que as três religiões competem a mesma cidade em diferenças pequenas de distância, mas diferenças gigantescas de ideologias. Atualmente os cristãos não brigam mais pelo Santo Sepulcro (na verdade até tem uma bancada católica lá, mas sua influência é pequena) e isso é bom porque tira um pouco de todo o combustível que queima naquela região.

Só que toda essa confusão não é apenas ideológica, como também política. E agora que você já ficou claro das diferenças simplificadas de cada religião, acho que dá pra voltar um pouco mais na história para entendermos a raiz de todo o mal. E olha que vou tentar simplificar bastante, porque essa história é mais complexa do que parece.

Para ajudar a contextualizar um pouquinho mais sobre a Terra Santa que já citei, acho que vale um vídeo rápido da History Channel para abrir um pouco mais o assunto:



Qual foi a primeira religião?


Eu não vou ser polêmico, prometo. É claro que falar de religião já é naturalmente polêmico, e por tanto, vou evitar expor minha opinião sobre o assunto tratando apenas das referências históricas e teológicas que temos para pautar esse assunto. Mas, caso você queira polêmica, então assista a trilogia dos filmes Zeitgeist lançada em 2007 e diga a sua separação entre ficção e realidade daquilo que ver.

De qualquer modo, como as três religiões tem seus princípios em Abraão, então é difícil determinar qual a primeira, ou quem influenciou quem. Um dia, com fé eu faço um post para explicar a origem e história das religiões. Em resumo, daria para dizer - com certa cautela - que primeiro foram os judeus, que criaram uma vertente para o cristianismo  e só depois do século VII que o islão ganhou força. Em um escopo da UFRGS nesse link dá pra ter uma ideia geral disso e uma outra visão específica das religiões abraâmicas pode ser vista aqui.

Com esse ponto de partida da antiguidade, podemos ir lendo textos, artigos e estudos que nos levam a conclusão de que Roma sempre fez uma certa perseguição religiosa aos Judeus (já que na época o cristianismo era irrelevante e a ideia do islamismo era nula). E é fácil entender o desgosto de Roma com os Judeus, uma vez que Roma era politeísta e a ideia do monoteísmo era mal vista naquele cenário todo. E esse cenário todo precisa ser demonstrado com imagens, porque se não fica ainda mais difícil acompanhar qualquer tipo de raciocínio.

Então, vou por aqui uma imagem coloridinha das chamadas 12 tribos de Israel, como é estudado nas faculdades de teologia hoje em dia. Esse mapa mostra essa região árabe, e para fins de referência, onde há Manassés e Efraim, ali naquele miolo está Jerusalém. Dá para confrontar um pouco essa versão do mapa, com outras dezenas pelo Google, onde cada historiador vai fazer sua divisão aproximada do que seria a realidade da época. E convenhamos que é impossível ter uma validade total disso, porque as fronteiras entre as tribos não eram tão claras e delimitadas como vemos nos contornos cartográficos de um mapa.

E o importante aqui é apenas entender que isso, seja lá o que isso for, era Israel. E hoje em dia não mudou muita coisa, já que temos Egito de um lado, Jordânia de um outro Síria mais acima e as 12 tribos agora formam o estado de Israel. Mas imagine essas tribos numa época em que a divisão dos territórios não era tão didática quanto é hoje.

Vou colocar aqui na sequência um outro mapa, que é da expansão do Império Romano naquela época, e talvez com isso as coisas comecem a ficar um pouquinho mais claras.


Roma foi crescendo em volta do Mar Mediterrâneo, com sua influência política, tecnologias, cultura e etc. Na medida de seu crescimento, é natural que muitas civilizações próximas acabaram sendo incorporadas, ou caso lutassem, sucumbindo ao poder gigantesco dos exércitos romanos. Israel não tinha condições de vencer Roma, e acabou ficando ali, no gosto maltratado pelo desgosto.

Não tem como afirmar que isso foi o estopim de tudo, mas dá para afirmar que muitos fatores negativos começaram a tornar aquela região problemática. Para resumir a confusão, podemos citar que Roma resolve cobrar impostos de Israel, e depois, lá pelos anos 70 d.C. já havia os judeus de Israel que esperavam pela vinda do messias, depois o cristianismo acabou ganhando um pouco mais de influência, e por volta dessa época foi escrito o evangelho de João, que culpava a morte de Jesus pelos Judeus, de modo um pouco mais indireto. Pronto. Altas confusões nas eras antigas.

Os conflitos foram realmente causados por multi-fatores. A época das Cruzadas trouxe mais sangue e revolta, e o crescimento da Igreja Católica e a influência política deram mais lenha na fogueira da confusão. Por isso é tão complicado entender tudo aquilo. Nesse meio tempo Roma caiu, o Império Bizantino cresceu, depois acabou com a Queda da Constantinopla, e enquanto isso, Pedro Álvares Cabral ainda era um bebê que brincava na praia sem saber que com seus trinta e poucos anos descobriria o Brasil.

Por aqui tudo é paz e alegria, se comparar com esse jogo interminável de erros que ocorreu ano após ano, e século após século lá pelos meios árabes. Em citei o Brasil, só para situar que por volta de 1500 havia muita recriminação dos Judeus pelos Cristãos. E isso em toda Europa, já que com tanta perseguição, eles acabaram tendo que se espalhar e se refugiar pelo mundo como podiam.

Vou deixar um vídeo muito bom do Pirulla dando uma visão geral de todas essas entrelinhas complicadas que por si só já tornariam esse texto ainda mais gigantesco.




Resumindo o Irresumível 


O ser humano já foi nômade, já viveu em tribos, e já demonstrou em vestígios históricos que sua estupidez e gênio violento são a raiz mais primitiva de seus corações. Parece poético, mas é triste quando você olha para o passado e vê os vestígios de coisas terríveis que aconteceram incessantemente até os dias de hoje.

Como Richard Dawkins descreve em seu livro "O Gene Egoísta", há muitas evidência de que tanto nós como qualquer outro animal da terra sempre priva pela sua sobrevivência em primeiro lugar. E essa sobrevivência inclui a prioridade por alimento, um território onde possa armazenar esses recursos e o fortalecimento de quem pensa igual a você. Não é um acaso que todos as civilizações antigas tenham formado suas cidades em torno de mares ou rios como fonte de água e comida fácil. Viver é o lema de todo mundo.

E viver significou impor o poder político a custo de muito sangue derramado. Antes de todos os séculos que seguem no período medieval, é importante falar um pouquinho sobre a Era Feudal. Pois nesse período, as terras eram o que mais importava para as pessoas. Daí, imagine o que acontece quando o preconceito faz com que os judeus percam o direito às terras? Nessa onda de azar, não houve muita alternativa para os judeus se não procurarem trabalhos alternativos que na época não valiam nada devido ao sistema feudal. Depois na idade média isso se reverteu um pouco, então o vai e vem da esperança x poder nunca morre.

No cenário atual, tudo isso reflete em números bem compreensíveis. O Cristianismo, por ter influenciado a Europa e as grandes navegações, representa hoje quase 1/4 da população mundial. Em números:

  • O Cristianismo conta com 2,3 bilhões de cristãos.
  • O Islamismo conta com 1,5 bilhão de muçulmanos.
  • O Judaísmo conta com 13,4 milhões de judeus. 

É muita gente nessa história toda. E muita gente dividida por ideologias diferentes dizendo que sua religião é a certa e a outra é a errada. Mas é lógico que todas as brigas que acontecem lá no oriente médio não apenas apenas pelo viés religioso. Sobre todo esse pano de fundo que já iniciei aqui, já teríamos um dos maiores problemas da humanidade. Só que a estupidez humana parece não ter limite, e isso nos leva aos últimos 100 anos, que provam o como uma situação complicada pode sempre piorar ainda mais.

O Último Século


Do meu ponto de vista leigo sobre a antropologia, eu me atrevo a dizer que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), aconteceu por causa de birrinha de egos. Quase a mesma coisa que acontecia nos milênios anteriores, mas só que sem a desculpa de que naquela época éramos menos civilizados do que nos dias de hoje.

Daí que a Alemanha perdeu a Primeira Guerra, e anos mais tarde era justamente a Alemanha que iria desencadear a Segunda Guerra. E aí, você pode parar esse texto por alguns instantes e pensar "mas no que isso tem haver com toda a história da palestina?". Pois é, a gente tem que lembrar que o partido nazista de Hittler fazia uma perseguição aos judeus. Só que essa perseguição não é um simples jogo de sorte e azar de uma religião e outra.

Os judeus haviam crescido um pouco mais em influência pelo mundo nessa época, e isso fez com que eles despertassem ódio em muita gente, por simples motivo religioso. Surgiam então os anti-semitas, que alimentavam ainda mais esse ódio de mais de 2000 anos atrás. Quando a Segunda Guerra aconteceu, Hittler usou essa perseguição aos judeus como desculpa para expandir os territórios da Alemanha e ter a dominação mundial. Coisa de vilão clichê, eu sei. Mas o interessante nessa história é que o fim da guerra não foi o fim do ódio.

Tanto que o surgimento da Organização das Nações Unidas (ONU), teve como primeira pauta na tentativa de trazer a paz para o mundo ver o que iria ser feito com todo esse ódio. "Como resolver o ódio que ainda existe?", perguntaram alguns caras tentando encontrar uma resposta à essa questão complicada. E a resposta para isso foi basicamente desenhar no mapa uma área onde apenas os judeus ficariam, uma outra para os muçulmanos (que já vivam na região) e o ponto de maior confronto, que era Jerusalém não pertenceria a nenhum dos povos.


Essa divisão não deu certo, porque a raiva sempre é maior do que a razão. Apesar de que cada um tinha lá suas razões, então é difícil dizer quem é o certo ou errado ali, mas é fácil de entender que deixar os dois povos no mesmo lugar não tinha como dar certo. Dê uma olhada no mapa e tente entender onde fica a Palestina, e onde fica Israel. É tudo junto e misturado, cada povo com ideologias diferentes que lutam para estarem no mesmo lugar. Só por aí dá pra entender que essa guerra não tem como acabar até que um dos lados acabe totalmente com o outro.

Os últimos dias


E com o passar dos anos, começaram a surgir grupos terroristas, e essa parte da história todos nós já conhecemos. O que eu acho importante comentar, é a questão de como o estado de Israel tem se fortalecido militarmente, e com todo o apoio dos Estados Unidos, ele apenas consegue ser a grande potência naquele meio árabe. Com isso os palestinos precisam se refugiar para não morrer, e a faixa de Gaza (principal lugar dos refugiados) se torna o inferno na terra.

Vou deixar, por fim, um link para elucidar essa ideia geral resumindo as 10 principais perguntas feitas sobre todo esse conflito sem fim. Acho que vale a pena você clicar aqui. E confesso, que pensar sobre tudo isso me deu um grande desgaste e tristeza, porque eu vejo como o ser humano consegue partilhar de sua estupidez ao invés do bem comum.


Antes, entrava-se na briga apenas duas ou três civilizações porque isso era tudo o que o conhecimento humano se resumia na época. Hoje em dia pode se englobar tudo porque o conhecimento humano se resume a conhecer todos os cantos do planeta. E essas ameaças de uma terceira guerra mundial já aconteceram em vários momentos incluindo os últimos anos. Ou seja, a ilusão da paz é só o deleite dos insônios. Só que o assunto aqui eu acho que já não cabe mais nesse post. Na real, nada mais cabe nesse post.


Esse é um assunto que nunca ficará ultrapassado. Simplesmente porque a história não muda, e a guerra também não acaba.

Entre Raiva e Tristeza → Um dos posts anteriores sobre comportamento
Paradigma das Guerras → Um dos péssimos posts sobre guerras
Mundo Virulento → O apocalipse pode vir por vírus
A tríade proibida → Mais sobre religião, política e futebol

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Entre a Raiva e a Tristeza

Se você planejou uma viagem de ônibus para praia no final de semana, e no final de semana chover e você não puder ir, então aquilo gera tristeza. Por outro lado, se você planejou uma viagem e descobre que não pode entrar no ônibus porque lhe venderam uma passagem falsa, aquilo gera raiva. Perceba que nos dois exemplos o sentimento foi diferente, mas o desencadeador foi um só: o imprevisto.

Ou seja, tudo aquilo que sai diferente de como planejamos desencadeia uma frustração, que pode gerar raiva ou tristeza. Depois comento sobre o agente desencadeador da alegria e empolgação, mas para não confundir os tópicos, quero focar na parte mais incômoda nos nossos sentimentos. E para concluir esse raciocínio, queria apenas que entendesse o quanto nossa vida é atrelada a passagem do tempo. Já dizia lá no filme-não-lembro-qual que o Tempo é a cura para tudo. O tempo também delinía nosso dia a dia, e tudo o que fazemos corre sobre ele. E enquanto andamos - ou corremos - sobre o passar do tempo, existem algumas atitudes que tomamos quase sempre, como comer, dormir, pensar e planejar o que fazer.

Sempre que planejamos o que fazer, na verdade estamos criando uma expectativa sobre como o futuro irá acontecer. Se você cria uma expectativa sobre o próprio casamento e não casa, então terá que lidar com uma tristeza bem grande nas horas que pensar sobre o assunto. Se cria uma expectativa sobre o que vai comer quando abrir a geladeira e descobre que comeram tudo antes de você, terá que lidar com a raiva. E novamente, o ponto onde quero chegar é que todos os nossos sentimentos de raiva e tristeza (e muitos outros) se baseam no resultado dessa expectativa gerada, de modo que sentir alegria é ver tudo dar certo, sentir tristeza é ver dar errado e não poder fazer nada além da aceitação da falha, e sentir raiva é simplesmente ver dar errado e achar que pode resolver aquilo, ainda que não saiba como.

Raiva


Em fato, a neurociência já explica que quando sentimos raiva, aumentamos a produção de alguns hormônios - como a adrenalina - que forçam nosso cérebro a procurar a solução mais rápida possível. Difícilmente a solução mais rápida será a mais racional e eficaz, e dependendo de seu intelecto, a mais rápida pode ser simplesmente xingar ou bater. Como eu disse, xingar e bater é uma forma de usar a adrenalina que foi gerada e embora seja irracional e não resolva nada, seu cérebro pode achar que vai resolver o problema simplesmente batendo no infeliz. Afinal de contas, bater é apenas uma forma socializada do instinto primitivo de matar. Não é atoa que muitos dizem que vão matar alguém quando estão com raiva dele. Matar é a forma primitiva de se resolver um problema, pois é assim que todos os problemas são solucionados: quando o matamos, quando o removemos. Solucionar um problema é chegar ao fim dele.

É lógico que daria para abranger muito mais ao falar da raiva em si, seja dentro da neurociência ou fora dela. Ainda na neurociência, e nesse mesmo fato de que a raiva é apenas uma produção hormonal processada pelo cérebro, lembre-se que todas as suas ações durante um estado de raiva são tomadas para que essa carga extra hormonal seja eliminada. E a forma de como você fará isso dependerá de suas estabilidade emocional, que ainda vou abordar com mais calma em algum post perdido por aqui.

Tristeza

Se eu quisesse simplesmente falar de hormônios para descrever a tristeza, eu poderia comentar sobre a influencia do cortisol e o estresse que o mesmo gera, de modo que esse estresse age diretamente numa área do cérebro chamada hipocampo, que quando desregulada te deixa emocionalmente abalado - e nesse caso, negativamente. Só que eu acho que isso seria repetição demais do mesmo argumento da raiva, e nada de novo seria acrescentado.

Acho que ficou claro esse ponto, certo? Você sentirá raiva toda vez que um planejamento seu der errado e você acreditar que há uma solução para aquilo. Vou colocar aqui um conhecido - ou nem tão conhecido - modelo de Kübler Ross, que ao analisar pacientes terminais, ele conseguiu separar todos os estágios que os parentes e familiares passavam ao lidar com situações extremas como a morte. E isso pode muito bem ser encaixado nesse parêntes que abri sobre a raiva e a trieza, do qual irei contextualizar aqui:

  1. Negação: Primeiramente nós negamos o acontecimento. Ou seja, uma falha em nosso plano não vai ser reconhecida no primeiro segundo, e negaremos aquilo. Imagine quando cai a internet e você fica acessando uma página achando que ela magicamente vai abrir. E aí, como você está dentro do estágio da negação, provavelmente também irá tentar reiniciar o navegador, tentar outros navegadores e coisas simples que nada mais são do que tentativas de solucionar o problema inicial, uma vez que você o nega.
  2. Raiva: Quando nossas tentativas falham, vem a frustração. E por isso sentimos a raiva, como já expliquei aqui. A coisa deu errado, e o meio mais lógico e racional não funcionou, então se prepare para voltar dentro de um intelecto primitivo e perder a razão com coisas sem sentido. "Porque está acontecendo isso?" é o que você se pergunta e vai agir para resolver aquilo no modo mais automático possível. Matar, matar, matar...
  3. Negociação: Se por algum motivo sua raiva e a adrenalina e o lado primitivo não conseguir resolver o problema, então você cairá no estágio que eu considero o mais importante, que é quando seu lado racional volta e então é capaz de pensar em tudo de um modo amplo. É aqui que a ajuda de terceiros é bem vinda, e que outras opniões e sugestões de lidar com o problema vão ser ouvidas. Imagine um cidadão que acabou de ser assalado. Imediatamente após ele balançar a cabeça e dizer "isso não pode ter acontecido comigo", ele ficará com raiva pelos bens que perdeu e só então verá o que fazer em seguida. Onde registrar um boletim de ocorrência, quais documentos retirar segunda via, etc. E nesse estágio, você está "normal" e apto para lidar com o problema.
  4. Depressão: Se durante a fase da negociação o problema foi resolvido, então não chegaremos até aqui. Na maioria dos casos as coisas terminam por aqui mesmo, já que quando pensamos melhor a respeito a gente chega na melhor solução. Porém, se não houver uma solução e quando pensamos melhor descobrimos que não há nada a ser feito, então ficamos tristes. E a tristeza, como já disse, é apenas sua reação diante da frustração que não pode ser resolvida. Aqui você pode lidar com a esperança, recorrer ao lado espiritual ou alternativas que nunca pensou antes, mas certamente ficará cada vez mais triste conforme notar que nada da certo e que o futuro é irreversível.
  5. Aceitação: Finalmente, se o estágio anterior não o levou a morte - como era a aplicação do inicial modelo de Kübler Ross, então naturalmente haverá uma aceitação. Que é conviver com aquilo e aceitar o desfecho que não tem como ser mudado. E o interessante desse ponto, é que tudo parte de nossa perspectiva sobre como será a realidade, e quando a frustração ocorre diferente da realidade, então nosso estado muda, e aí vem raiva, tristeza e emoções que nos tiram de nosso estado emocional padrão.
É legal pra gente conhecer, mas não precisa tomar como verdade absoluta, e se quiser um contraponto, pode ver nesse vídeo aqui.

Conclusão 

Raiva e Tristeza são apenas frustrações. A tristeza é uma espécie de aceitação da sua frustração. Normalmente pessoas que são mais manipuladoras e enfáticas naquilo que fazem tendem a ser mais nervosas. Pessoas ansiosas também, pois a ansiedade é uma espécie de viver na linha do tempo.

E eu sei que esse texto ficou talvez meio aquém e meio óbvio, já que não há nada tão revelador assim para se dizer sobre esses dois sentimentos negativos. Mas tenha em mente que isso é só um esboço, pois a gama de sentimentos que um ser humano pode ter é absurdamente complexa para se encontrar em um texto de um blog como esse, principalmente se tratando de um blog que é um repositório de desilusões.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Copa do Murdo


Nada mais fácil do que perder a credibilidade com um erro de ortografia escancarado logo no título. Mas eu prometo que esse erro será justificado até o final do texto. E enquanto ele não se explica, eu te convido a conhecer um pouco de algumas conspirações legais para se falar dessa copa.


Resumo da Ópera


Eu nunca fui muito fã de futebol, e o que eu sei e acompanhei provavelmente se deve a herança de companhia ao meu pai. Mesmo reconhecendo que os jogos de futebol são muito antigos, e que certamente estão enraizados em nossa cultura, ainda assim eu não consigo ter aquela paixão por esse esporte. Não sei se é por esse motivo, ou por outros aos quais vou elucidar no decorrer desse texto, mas eu tenho uma leve impressão que falarei um monte de asneira em mais uma desilusão aleatória que visa mais confundir do que esclarecer.

Como bem dizem que um vídeo vale mais do que mil palavras, vou deixar o vídeo com um excelente compilado de polêmicas que eu acho que vale a pena, e de quebra, já me situam onde eu quero chegar no segundo ponto desse post.


Mas não se preocupe que o foco desse post está muito longe de falar sobre curiosidades da copa. Eu só estou garantindo aproveitar o espaço para falar sobre o assunto e encerrá-lo logo de início, mas depois eu prometo que paro. Mas enquanto o ritmo ainda é a parte de coisas interessantes e legais, tem um compilado legal da Folha que você pode ver clicando aqui. Ou então, se seu objetivo é a diversão, acho que vale a pena assistir cada um dos vídeos do Canal 4 Coisas, que fez um bom compilado dos piores momentos da Copa. Vai clicando aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

Futebol e Pessoas


Caso você tenha alguma curiosidade mórbida para saber sobre as origens do futebol, eu te aconselharia esse link aqui. Eu disse curiosidade mórbida porque se você ir seguindo as referências históricas, vai passear não só pela Grécia Antiga, mas também por China e povos indígenas da América do Sul. E todos eles terão em comum um alto teor de violência que me faz sentir uma certa vergonha de nossos antepassados. Certas tribos indígenas por exemplo, apostavam a vida da equipe derrotada, e a bola em jogo eram cabeças.

Mas eu não quero deixar o tom desse post tão pesado assim, afinal de contas isso é coisa de muitos anos atrás e hoje em dia vivemos numa era de paz e tranquilidade. Na realidade, a grande proposta da Copa do Mundo é simplesmente promover a paz entre os povos, não é verdade? Bom, e embora a parte teórica seja essa, o grande decorrer da história mostra que muito mais o futebol é formado por pessoas do que por um simples esporte. E pessoas você sabe como é, a essência de nossos antepassados parece que ainda está lá, angariada em algum lugar.

Hoje em dia, a função de uma copa do mundo é muito mais política do que qualquer outra coisa que possa parecer. E olha que essa não é a parte da conspiração ainda. A parte política da coisa existe porque há uma certa parte burocrática que eu desisti de tentar entender. Mas, de qualquer modo, se esse ponto de curiosidade sobre como funciona a escolha de um país para eleger a copa interessar, aconselho clicar aqui, e te pedir para que me avise se por um acaso mudar sua opinião sobre o quão esportivo imagina ser tudo isso.

Mas é lógico que se você for pensar daquela forma mais simplista, sobre as vantagens de um país sediar a copa (que não vou discutí-las por ser polêmico), então é lógico que um presidente deseja trazer a copa para seu país por uma intenção política. E é aí que começa a entrar a parte conspiratória dessa história toda.

#VaiTerCopa, Aqui no Brasil


Antes dessa Copa iniciar, muito estava se falando, e muito protesto estava sendo prometido, onde bandeiras de "Não Vai ter Copa" era defendidas por muitas pessoas. Muita gente injustiçada com o superfaturamento da copa, e toda a corrupção envolvida nisso. O vídeo do Otário Anonimous um dia antes da Copa dizendo "Vai Ter Copa" sim, foi uma boa reviravolta para explicar a parte das falcatruas envolvidas no processo, mas também dizer o porque não adianta chorar pelo leite derramado.



Não vou comentar das repercussões que esse vídeo teve, embora eu reconheça que o vídeo de apoio do Felipe Neto tenha sido bem interessante. É um tipo de vídeo que vale a pena caso você queira torcer pelo Brasil e se divertir com os jogos que virão pela frente. Agora, se você, assim como eu, quer mais alguns motivos para odiar a copa e não ver mais nenhum dos jogos, então fique confiante para as conspirações que falarei a seguir. Mas antes eu preciso fazer um tópico só para falar de algo que me incomodou muito logo nessa abertura da Copa.

Abertura da Copa do Mundo no Brasil


E com tanta polêmica em vista, é fácil começar encontrando quem fale bem e mau da copa. Cada um com seus motivos, e para ser sincero, é sempre bom tomar cuidado com qualquer que seja o lado que você esteja. Para quem discorda de tudo e quer apenas ver motivos para criticar e protestar, lembre-se que ativismo de sofá é tão ineficaz quanto sair xingando só porque não gostou. Beira a infantilidade e não resolve. Por outro lado, sair concordando com tudo tem grandes chances de realmente fazê-lo ser enganado mais facilmente, principalmente ao passo que assim como eu, você é um ser humano que está sujeito aos efeitos caóticos da chamada influência social informativa, que eu até o momento em que escrevia esse post achava que o nome correto era dissonância cognitiva, só por causa do excelente vídeo que vi usando esse termo.



Deixando esse blá-blá-blá que não leva a nada, eu acho que vou começar a apontar as principais críticas que essa Copa começou a receber, logo pela abertura. A abertura inteira foi muito criticada, principalmente porque não acrescentou quase nada de novo. Mas é necessário um pouco de cautela ao derramar toda a raiva da Copa logo na abertura, porque o processo de criação envolve vários trâmites com a Fifa, que inclui sua aprovação e burocracia, e depois um pouco mais de aprovação e burocracia. Finalmente, quando os ensaios são feitos, temos que extrair o que sobrou do dinheiro que não foi desviado e aí sim sim, no processo final de aprovação e burocracia da Fifa a abertura é feita. Então eu acho que é tudo muito complexo para se fazer uma crítica simplista e pouco elaborada.

Então, meu ponto de apoio é criticar pontos isolados dentro dessa abertura, como por exemplo aquele boicote da ciência, onde não mostraram mais do que 3 segundos daquele jovem paraplégico dando um chute inicial da copa. Teve bastante gente reclamando disso, em sites como o Tecnoblog e MeioBit e muitos outros por aí. Eu fiquei pensando que o principal motivo do boicote era só por causa da ignorância padrão que a TV sempre tenta passar às pessoas. Mas aí, no meio desse meio devaneio, achei mais uma conspiração para empacotar junto de outras conspirações à favor da desmoralização da Copa.

Na real, o dr. neurologista Miguel Nicolelis, que está fazendo seu projeto Andar de Novo, tem uma grande bancada de inimigos espalhados por aí. Gente que ficou sabendo que ele, assim como qualquer outro neurologista pesquisador, faz testes em animais para aprimorar seus projetos. Pronto, só com essa informação em mente e você já entende o porque o mar se abre entre aqueles que praguejam contra o cara. E olha que ele tem lá seus méritos. Tanto que ele tem até uma chance real de ganhar um prêmio Nobel que atualmente está mais raro do que achar político honesto.

Mas eu acho que já me estendi demais falando disso. Vou deixar um vídeo com muito mais revolta no ar do Cauê Moura falando de um compilado geral dos podres da copa que podem te ajudar a ver as coisas por um outro ponto de vista. Mas o mais legal que eu achei desse vídeo, nem foi em si dos pontos que ele comentou, e sim desse link, que é um manual de boas maneiras que todos os torcedores devem seguir dentro do estádio. E os torcedores parecem ser tratados como crianças, dizendo que eles não podem falar palavrão e nem fazer barulho. Praticamente isso, mas em outras palavras. E pra fechar a lista com as sacanagens da Fifa, dá uma olhadinha nesse outro link aqui e veja só os tipos de ingressos que eles andaram vendendo pro povo.

Conspiração


Se tratando de uma Copa do Mundo, que tipo de conspiração daria para esperar vir daqui?
Pra ser sincero, eu não gosto muito de conspirações, mas tem algumas em que eu realmente gostaria que fossem verdades, e outras que eu fico com raiva de quem pensa que é verdade. Ou seja, se você quer perder um amigo ou ganhar um amigo, falar de conspiração é a receita certa, porque certamente o seu interlocutor vai julgar toda sua inteligência com base na sua crença conspiratória, e caso esteja no mesmo time de crença dele, então você será amigo, caso contrário, fará parte de um mortal desprezível que deve caminhar sozinho para o além.


Se você gosta de teorias da conspiração, passa aqui nesse link e aumente seu repertório com umas 50 boazinhas (ou nem tanto). Mas não saia acreditando em tudo logo de cara, porque lembre-se também que o ser humano é facilmente corrompido a acreditar no mundo conspiratório. Se quiser saber o porque as pessoas acreditam tanto em teorias e mais teorias, por mais bizarras que sejam, acho que esse link pode te esclarecer. Ele fala de um experimento bem interessante feito com pombos de um cidadão aí chamado B.F Skinner.

E olha só, enrolei dois parágrafos e nem falei nada sobre quais as conspirações que estavam rolando pela copa. Eu poderia simplesmente deixar esse link aqui que faz um compilado de 10 histórias que circulam por aí. Ou então, eu poderia relembrar a última copa e dizer que as previsões assustadores daquele Polvo Paul e do maluquinho do Orkut só se confirmaram porque os resultados estavam previstos. E assim fica fácil conspirar, né?


Mas é justamente desse tipo de conspiração - a que lida com a previsão de que o Brasil já ganhou - é que eu queria expor aqui. E sabe o que é o mais legal disso tudo? É que essa conspiração pode ser levada à sério não só pelo lado político (que é o lado que o Cajuru expõe), mas também pelo lado científico, que eu vi explicado de modo excelente em um dos últimos Nerdologias que também dizem, mas pautado em previsão científica, que o Brasil vai ganhar essa copa. Vou deixar os dois vídeos na sequência, pois valem a pena.





E recentemente, o nerdcast lançou um episódio falando sobre a copa que ficou muito bom. Acho que vale a conferida lá também. E se quiser mais uma opinião avulsa sobre o assunto, eu acho que vale a pena mencionar mais um vídeo, que é de um comentarista esportivo chamado Marcos Caetano, pois assim ele pode dar um ponto de vista também favorável para a copa, depois de tantos outros ruins que já foram apresentados aqui.

E a conclusão que fica é que embora as pessoas gostem de acreditar em teorias de conspiração, elas não são tão fáceis de se mostrarem verdadeiras. Qualquer um que tenha estudado sociologia eu creio que pode dar uma explicação muito mais interessante e elaborada do que eu em um simples blog como esse. Mas mesmo assim é legal, fala a verdade? Principalmente porque os resultados é que fazem esse tipo de coisa se tornar ainda mais conspiratório do que parece. Vai que o Brasil ganha, aí sabe o que acontece?

Conspirando ainda mais...


Se o Brasil ganhar, pode esperar por alguns problemas a caminho. Na verdade, o que formenta a ideia inicial da conspiração de que a copa foi comprada é justamente o seguinte: imagine que o ex presidente Lula, quando quis trazer a Copa pro Brasil em 2014, ele já sabia exatamente que seria o ano para conseguir uma reeleição à presidente Dilma. Daí, ele acreditava que na política do pão e circo, bastava alegrar o povo com uma copa do mundo que isso motivaria o povo e faria com que a popularidade da presidência subisse ainda mais, e assim, tudo triunfaria conforme o previsto. E essa parte não é bem conspiração, já que não é fácil deduzir esse tipo de estratégia política até para quem não entende quase nada de política (como eu).

O imprevisto no meio da caminhada aconteceu porque ninguém iria imaginar a onda dos protestos do ano passado. E esse aeon de "O Gigante Acordou" parece que surtiu um efeito colateral muito grande, porque todo o processo da copa não foi bem visto pela maioria das pessoas. Todo mundo estava criticando o investimento absurdo feito em estádios enquanto a saúde ou a educação ficavam para escanteio. Pelé foi considerado o novo poeta calado com aquela sua declaração pífea dizendo que não se faz uma copa com hospitais. Enfim, deu uma boa reviravolta, que eu acredito que não estava nos planos estratégicos iniciais.

O que realmente faz todo o sentido do mundo é que para o poder atual do governo é importante que o Brasil ganhe a copa, pois isso causaria uma espécie de efeito de esquecimento nas pessoas, que estariam felizes com a vitória e reverberando uma conquista. Agora se o Brasil perde a copa, então esse efeito vem justamente do modo oposto, onde as pessoas pensam: "foi gasto tanto dinheiro nessa copa, e nem ganhamos". Ou seja, aí o calo aperta. Por isso que surgiu a conspiração, e novamente frisando, isso não significa que a conspiração seja verdadeira, apenas que ela tem motivos para ser criada, e que é por isso que tem gente repetindo ela por aí.

Mas e qual a sua opinião sobre tudo isso? Tem algum sentido alguma coisa do que eu falei? Apesar que pouco deve importar, pois nossa imagem fora do país não anda muito boa mesmo...




E eu já ia esquecendo de dizer o porque o título desse post está errado né? Pois é, na verdade era pra ser um trocadilho com a palavra "Murderer", mas eu vi que não fez o menor sentido e nessas horas era melhor ter ficado na ideia de que foi simplesmente um erro ortográfico. Mas eu não acho que a Copa é algo assassino, mas sim que o fato da FIFA querer comprar o direto de uso da palavra COPA DO MUNDO seja sim um assassino à nossa derradeira língua portuguesa.

Uma Revolução do Brasil → uma visão superficial dos protestos de 2013
Conspirando contra RFIds → Mais um post sobre conspirações
Carnaval → Uma opinião aleatória sobre o carnaval
Corrida dos Ratos → Uma ideia do porque a gente é pobre
Na sua opinião, quem será o campeão dessa copa?

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sobrevivência além da Morte [2]


Eu realmente não pretendia escrever uma parte 2 para esse post. Mas aí aconteceu um imprevisto que me deixou bastante chocado. Essa é a continuação de um post que saiu na sequência de um modo bem lamentável.

O que é a morte?

Houve uma certa motivação me levou a escrever a parte 1, onde eu falei sobre a dor e o sofrimento. Essa motivação era minha inconformidade com o fato de estarmos fadados ao sofrimento ao longo da vida. E sofremos pelos mais diversos motivos, e quanto a isso ninguém pode escapar. É por isso que certas culturas orientais, influenciadas pelo budismo, choram ao nascimento de uma vida e "festejam" em sua despedida. Choram por saber que uma nova vida sofrerá irremediavelmente até seus últimos dias em vida.

Eu só acho que nessa parte do texto, é bom que eu deixe claro exatamente de que tipo de dor e sofrimento eu estou falando, porque é fácil fazer uma confusão geral dos conceitos aqui. Quando me refiro a morte, acho que é ponto comum que se fala do fim. Mas aí, dependendo da sua crença, pode ser um começo. Ou já que mencionei o budismo, pode ser um recomeço. Ou seja, nem para falar de uma palavra só dá para ser bem direto. De qualquer forma, do ponto de vista filosófico, não tem como discutir sobre a morte falando por nós, devido a essa interpretação múltipla que cada um por ter, e por tanto, aplicamos um contexto mais global, onde a morte é quando você não verá mais uma pessoa. Mas aí os adeptos do espiritismo podem dizer que esse contexto também está errado, e aqui a definição sobre morte permanece indefinida. Não dá pra discutir e ponto, passemos adiante.

Confesso que eu estou confuso. Fiquei confuso e passei essa confusão através de alguns parágrafos mal elaborados. Mas quem não fica confuso ao pensar sobre a morte? Eu ainda quero algum dia fazer um post, um pouco mais elaborado, vendo o ponto de vista de várias culturas diferentes sobre esse assunto. Por exemplo, esses dias eu descobri que até a visão do céu e inferno no cristianismo é diferente para católicos e evangélicos, e isso me deixou chocado. É que há uma certa vertente do catolicismo que prega que sua alma pode ser destruída, o que seria um comparativo ao sofrimento eterno dentro do inferno em outras vertentes evangélicas. E aí entram outras religiões que pregam a reencarnação, e o ateísmo com um sonho irreversível eterno. São tantas versões e interpretações, que certamente vale um post para acender essa curiosidade. Pelo menos minha própria curiosidade.

E lá vai eu, divagando e divagando confusamente, sem dizer ainda qual foi o imprevisto que aconteceu que gerou toda essa masturbação mental. Então, finalmente, vamos realocar as ideias no lugar e contar os fatos.

Antes

Era mais um dia de trabalho, e como sempre, tudo parecia igual aos outros. E a graça da vida, é que ela é totalmente imprevisível. Daí que uma pessoa que trabalha comigo liga para o escritório em um tom de pânico, e automaticamente não importa o que se tente pensar a respeito, ninguém consegue adivinhar o que é. Chutam coisas como um assalto, um acidente de trânsito, e até mesmo um acesso de loucura de alguma pessoa conhecida. E na verdade, o que aconteceu foi uma parada cardíaca na filha dessa pessoa que trabalha conosco. Falando assim parece que as coisas não se agravariam, mas se agravaram. E muito.

Agravaram porque a filha dela era uma menina ainda, tinha uns cinco anos ou coisa do tipo. E daí que o coração simplesmente parou de bater num momento qualquer, assim, como num instante igual a esse em que você lê esse texto. A vida não deu nenhum tipo de aviso, simplesmente escolheu aleatoriamente uma vida sã, sem nenhum histórico de problema de saúde, e num belo dia colocou em ordem o plano de que o coração não deveria mais bater. Injusto assim. Cruel assim. É tão incompreensível que se não abala uma crença religiosa, ao menos coloca a fé em cheque num momento como esse. Mas depois eu entro melhor nesse assunto, porque infelizmente ainda tem mais uma parte para contar dessa história.

Levaram às pressas a criança para o hospital, mas já era tarde. O pouco mais de 20 minutos entre descobrir que alguém sofreu uma parada cardíaca e um atendimento médico são importantes demais. Mas, como em toda e qualquer esperança natural humana, os pedidos de intervenção divina para uma revirada na história partiam de todas as partes. E um milagre aconteceu. Ninguém sabe como, mas a menina reviveu.

Uma história que poderia ser bonita, mas se não fosse trágico. O tempo que ela ficou sem oxigenação no cérebro havia comprometido mais de 70% da massa cerebral, e isso significava que o estado da menina era muito grave. Mas a esperança de todos era gritante, salvo da equipe médica mais próxima, que sabia exatamente o que aconteceria depois: Se a menina realmente resistisse, iria ficar com sequelas para o resto da vida. Seu cérebro estaria morto, mas ainda manteria o sinal vital de alguns orgãos. Ou seja, a menina estaria morta, mas alimentada por máquinas para fins burocráticos da legislação dizer que ela estava viva.

Eu não consigo imaginar a dor e o sofrimento que isso seria, em um plano geral. Já abordei um pouco sobre a dor e o sofrimento na parte anterior desse post, e por isso não vou me estender nesse assunto. Ao contrário, acho que já está mais do que na hora de encerrar de vez o assunto e contar o final dessa história.

Ninguém era capaz de explicar como uma menina saudável, sem nenhum histórico de doença e totalmente enérgica e brincalhona tivesse uma parada cardíaca. Isso já seria algo raríssimo de se dar em uma criança, então imagina em uma criança que estava bem. Os próprios médicos desacreditaram, mas disseram que poderiam ser feitos os exames para investigar mais as causas daquilo. O problema, é que não poderia ser feitos os exames enquanto a máquina sustentasse a "semi-vida" da garota, pois ela poderia nem mesmo resistir. De qualquer modo, a maior suspeita ficou em cima da meningite, e até o momento onde eu escrevo, fiquei só com essa suspeita como resposta do improvável.

Horas mais tarde, e os sinais vitais pararam. A menina foi dada em óbito, e para ser sincero, acho que foi o melhor a ter acontecido naquela situação, pois, se fosse para sobreviver em sequelas para o resto da vida, o sofrimento e a dor em toda família seriam muito mais difíceis de serem superados. Lidar com a morte já é algo dificílimo, e imagine lidar com a esperança constante, no dia-pós-dia, de que alguém que não tem mais de 70% do cérebro pode voltar. Eu sei que o cérebro é naturalmente otimista, como várias pesquisas já mostraram, mas às vezes o otimismo natural que temos pode gerar mais problemas do que soluções.

Depois

Eu vi chocado, como algumas pessoas tem uma dificuldade imensa em superar certas dores. Na verdade, minto: algumas pessoas tem uma incapacidade em superar certas dores. Vou contar dois casos de pessoas que não conheço diretamente, apenas indiretamente, mas que provam onde quero chegar, e certamente você também conhece um exemplo parecido:

Um caso envolve um acidente de moto, que infelizmente tirou a vida de uma pessoa e com isso, toda a família sofreu aquela perda. Até esse ponto, uma perda por acidente já é algo extremamente terrível e doloroso, e algumas pessoas levam mais tempo para superar e outras menos tempo. No geral, nesse caso em específico, a dor para a mãe foi tão grande que ela se isolou de um modo inacreditável: trancou-se em casa, as portas e janelas sempre estão fechadas, e aquilo que parecia um simbolismo em sinal de luto pela morte já dura mais de cinco anos.

O outro caso também envolve morte, mas não foi por acidente e sim por uma doença. E era algo parecido, pois envolvida uma ligação muito forte entre os envolvidos, mas ao invés de mãe e filho, era entre esposa e marido. Para resumir a história, o marido tinha uma vida feliz e tudo ia bem, e no auge da carreira e da vida, ele é acometido por um câncer, e morre. Sua esposa, ao contrário do primeiro caso, não entra em um estado de depressão e luto, mas sim numa paranóia por compreender o porquê Deus o levou. Ela sempre foi muito religiosa, e não conseguia entender o porquê Deus havia levado seu marido embora, e sua obsessão por respostas a tornou de certo modo doente; ela abandonou emprego, abandonou amigos, família, isolou-se de todos como no primeiro caso, mas para fazer uma reflexão profunda em si mesma, e as pessoas não mais conseguiam conversar com ela, pois agora, tudo o que ela falava parecia se distorcer em palavras insanas que envolviam remorso, culpa, dor e explicações inalcançadas do porquê tudo aconteceu com ela.

Esses dois casos que contei, me chocam porque são reais. E eu sei que mesmo que fossem obra da mais pura fantasia, ainda assim são uma fagulha muito pequena do teor de tanto sofrimento existente por aí. É incalculável o sofrimento, e nesse ponto eu me pergunto até que ponto vale o sofrimento além da morte?


Acredito que vale um link de um podcast falando sobre o suicídio. O pessoal é do Telhacast, eles falam do tema com psicólogos na equipe e o tema é muito bem abordado. Acho que o suicídio resume um contraponto exato entre o sofrimento e a morte. Clique aqui para cair lá no post deles e escutar. E para fechar com grande clave esse post, vale o link do Marcelo Del Debbio sobre as 4 Nobres Verdades, que fala uma visão do Budismo sobre o Sofrimento que é muito elevadora.

Sobrevivência [1] → Post anterior sobre a dor e o sofrimento
O Cético Crente [2] → uma visão sobre o porquê cremos em algo
Crenças Imutáveis → Uma reflexão sobre suas crenças
O que é a felicidade? → Uma resposta nenhum pouco simples
Requiescat in pace

segunda-feira, 3 de março de 2014

Escola Vivencial


Lá estava eu com minhas reflexões e filosofias de derrotado, quando de repente, me vem uma obviedade na cabeça que explode meus conceitos de um modo inacreditável. Eu, mesmo com mais de 10 anos fora da escola, ainda estou na escola. E aí, eu repito em alto tom e voz uma frase clichê que parece soar como uma aberração da melosidade utópica:

"_A vida é uma escola"

Com um pouco de vergonha por ouvir da minha própria boca uma coisa que parecia tão abatida e digna de discurso ensaio para aparecer no Faustão, eu respirei fundo e meditei com um grau secundário aquelas palavras. E aí, antes de eu ser atacado pela possível obviedade dessa interpretação, eu peço a você, que caso tenha lido até aqui, que leia só mais um pouco para que eu possa me explicar como isso foi capaz de me surpreender num dia qualquer aleatório no ano.


Conceitos Acadêmicos


A gente bem sabe que a escola é onde as crianças entram para supostamente se formarem e aprenderem muitas coisas. Daí que desde aqueles conceitos platônicos, a escola esteve ligada ao aprendizado, e não é atoa que Platão e sua turma de pensadores se reuniam dentro de uma academia para pensar. Comecei a abrir um pouquinho o leque do conceito sobre "escola" para que fique totalmente claro onde eu quero chegar. Quero que você me entenda que eu realmente quero falar de uma escola cuja finalidade é aprender. E não estou falando se a educação no Brasil funciona, nem nada disso. Pegue apenas o conceito de que escola é um lugar onde se aprende. Tudo certo até aqui, né?

Agora pense em quantas escolas você pode estar nesse momento em que nem faz ideia... Vou tentar te dar um exemplo, já que a princípio essa frase parece muito subjetiva. No final do post eu vou repetir ela e espero que consiga fazer você me compreender. E vou começar primeiro falando da escola pela qual a gente já vai ter a mente formulando as cenas enquanto lê o texto. A imagem de uma bancada de crianças ou adolescentes (ou adultos, caso tenha pensado numa faculdade), dentro de uma sala de aula ouvindo o professor dar sua matéria. Querendo ou não, a forma de aprendizado mais comum que se conhece é essa, onde temos um orador e os ouvintes. E na posição de alunos, alguns aprenderão mais do que outros. Agora, vamos tentar nos imaginar como os alunos, para eu propor uma ideia aqui.

Um Aluno Eternal


E nesse contexto óbvio, apenas o fato de você frequentar a sala de aula todos os dias, farão com que sua vida se molde aquilo. Quando eu disse que a escola forma uma pessoa (eu disse isso?) eu quis dizer que a gente toma uma série de comportamentos e visões de mundo graças a tudo o que está ligado a escola. E vamos supor que duas vezes por semana você tem feito umas aulinhas de língua estrangeira. Apenas o fato de fazê-lo se mover aquelas aulas, te darão um aprendizado extra sobre outras pessoas que prefiram ficar em casa. Então, você seria aluno de uma escola rudimentar e de um curso extra-curricular. Muito bom para você, que vamos supor que seja muito aplicado nos dois lugares.

O fato de sua mente ter um desdobramento em afazeres diferentes, o obriga a ter a atenção e o aprendizado moldado em lugares diferentes. E aí, dentro do meu contexto inicial, poderíamos dizer que seriam duas escolas diferentes. Mas agora, eu queria aumentar a linha de exemplo, colocando aqui uma nova escola que muitas vezes não encaramos desse modo: um relacionamento amoroso. Imagine agora, que você conseguiu seu par romântico, mas que pelas vias sádicas do destino, só seja possível encontrar com essa pessoa aos sábados. Nos dias de hoje, diante de tanta tecnologia, eu acho que telefone, email e SMS dariam muito mais unificação a qualquer casal, mas vamos remontar a uma ideia um pouco mais antiga e supor que os encontros românticos só sejam possíveis uma vez por semana.

Uma vez por semana e você dedica seu tempo a conhecer melhor outra pessoa. Ou mesmo depois quando julgue já conhecer totalmente quem ama, ainda assim estará dedicando seu tempo a ela. E se todo tempo é uma soma de experiências, então querendo ou não, seu aprendizado continua. A princípio pode parecer que não, mas apenas reforçar algo que já se tem (como um sentimento) é potencializar um aprendizado. E como em qualquer escola, você não estuda várias vezes uma mesma matéria para se tornar melhor nela? Vamos supor que seja um namoro, então uma dedicação semanal, mesmo que curta, seria o suficiente para manter a periodicidade projetando aquele tipo específico de escola: uma escola chamada relacionamento.

E sem me prender muito a esse exemplo, imagine aquelas pessoas que uma vez por semana vão para a igreja no domingo rezar. Elas podem passam uma semana inteira sem se quer lembrarem que Deus existe, mas, o período de algumas horas dentro de uma igreja podem ajudá-las a manter seu lado da espiritualidade ativo. Ou seja, aquele mesmo conceito que comecei a explanar no início sobre as escolas em nossas vidas, podem ser muito bem aplicadas a praticamente tudo. E aqui, nesse último exemplo, apenas uma vez por semana te manteria um lado espiritual vivo, e quanto mais tempo dedicasse, maior seria o crescimento desse lado espiritual.

Como em qualquer escola, nossa dedicação é o fator que vai determinar o quanto estaremos abstraindo de aprendizado que aquilo proporciona. Seja abstrair o amor ou o prazer em um relacionamento, uma carga espiritual, um conhecimento técnico provindo de algum curso de língua estrangeira, e por aí a lista se estende. Até mesmo quando estamos em casa, às vezes no contato com nossa família, ou dedicando um tempo para lermos um livro. Tudo aquilo que fazemos em detrimento de abstração, pode gerar aprendizado. Mesmo em coisas que acreditamos já termos todo o aprendizado, ainda assim reforçamos o que sabemos. Por isso, muita coisa - ou quem sabe tudo - pode estar bem aplicado dentro do contexto sobre escola. Uma escola vivencial, onde somos eternos alunos.

Um Problema Escolar


Se eu consegui me expressar bem, então você entendeu que eu quis propor que tudo aquilo que fazemos com certo período em nossa vida pode ser considerado como uma escola. Mas, agora eu queria caminhar com um pé no chão, para expor um ponto muito negativo que recaí nessa história toda. O fato que se você dedica seu tempo para uma coisa, então você abstrai algo dessa coisa, e esse algo pode ser bom como pode ser ruim. O que quero dizer é que nem todo aprendizado é bom. E vamos para um fato bem real disso: A escola do trabalho.

Algumas pessoas tem sorte de estarem satisfeitas com o trabalho, e outras não. Não é nada incomum ver pessoas e pessoas rogando praga no trabalho ao condenar as segundas-feiras, ao propor o quão agradável é sair na sexta-feira a noite para poder curtir os finais de semana. Tudo isso parece esteriotipar o quanto trabalhar é uma coisa ruim no quesito do prazer. Até o sábio Seu Madruga já dizia isso: "Não há trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar".

Com isso em mente, temos que convir que se toda a nossa dedicação de tempo em pró de alguma coisa é estar em uma escola, então há certo sentido se a gente pensar que - pelo menos para muitos - o trabalho seria uma escola ruim. Quando a gente estuda na escola rudimentar lá do colegial, muitos a consideram ruim. Quando a gente está na escola de um relacionamento, alguns consideram boa - e alguns também consideram ruim. As vezes o mesmo acontece na escola da família, ou num curso profissionalizante e a lista, naturalmente é longa. Mas para não me perder em outro devaneio, quero voltar com meu exemplo do trabalho.

Imagine que você está infeliz com seu trabalho. Já pensou que, assim como todas as outras escolas de sua vida, você se dedica quase que em tempo integral para algo que pode ser uma má escola? Se todos nós abstraímos um aprendizado de cada escola da vida, já pensou que talvez, um trabalho ruim - ou um relacionamento ruim - possam estar fazendo com que você esteja abstraindo coisas totalmente ruins para si? Não é um simples acaso que muitas - e realmente muitas - causas de afastamento do trabalho sejam provenientes de depressão. Talvez, com uma reflexão assim, tirada num dia assim, possa fazer com que você pense melhor se realmente está "aprendendo" aquilo que quer para a vida.

Um Aluno Eternal num Problema Escolar


Mas, acho que poderia caber uma pergunta aqui: Como a gente poderia saber se nossas escolas estão realmente nos fazendo bem ou não? Às vezes, no decorrer do tempo, e na correria alucinada do dia-a-dia, nem paramos para nos perguntar se estamos abstraindo coisas boas agora que colheremos no futuro. Já estamos, com certeza, colhendo os frutos de coisas plantadas no passado, mas será que colheremos boas vinhas de frutos no futuro? Não quero fugir muito do contexto real para ir ao lado metafórico, mas queria realmente que esse texto valesse uma reflexãozinha. Queria que pensasse, aí por um instante, nessa coisa toda de ser um eterno aluno na escola da vida, por mais piegas que essa frase possa soar.

E acho que posso ajudar a deixar mais uma coisinha aqui no meio de tantas palavras: uma sugestão de como identificar uma escola ruim e como não pedir a matrícula dela. Para identificar eu acho que não deve ser assim tão difícil: certamente a gente pode dedicar um tempinho reservado à nós mesmos para sabermos se estamos felizes na nossa vida ou não. E quando não, fazer uma análise minuciosa de todas as escolas que temos, e quais os problemas que cada uma possua. Vamos supor que você chegue a conclusão, que, uma das piores escolas em que você está envolvido seja o trabalho. Imagine que você está vivendo infeliz porque seu trabalho é desmotivador e desgastante, e tudo o que ainda o faz manter lá é a taxa alta de desemprego e o salário que paga suas contas.

Numa situação como essa, pode parecer difícil sair dessa. Muitos livros de auto-ajuda por aí tentando propor mudanças radicais, do tipo largar tudo e recomeçar. Mas a gente sabe que não é uma coisa simples, que no dia seguinte após refletir sobre isso a gente põe em prática. O tempo trabalha com um algorítimo de mudança que faz com que todos os conselhos e dádivas de auto-ajuda percam um pouquinho do sentido. Então, eu queria propor uma coisa um pouco diferente, mas que para funcionar, o conceito de uma escola vivencial precisa estar bem definido até aqui. Por que eu vou dar um exemplo dentro dessa metáfora para ser usado na sua realidade: seja um aluno bagunceiro.

Em qualquer escola, haverão os alunos aplicados, que geralmente irão prestar mais atenção em todas as aulas e tirar as melhores notas. Toda nossa sociedade é baseada numa espécie de meritocracia, que faz com que ser um aluno aplicado signifique a coisa certa a ser feita. E sim, os professores agradecem essa postura. Mas quando a gente está abstraindo coisas ruins, ser um aluno aplicado apenas o fará abstrair as coisas ruins com mais eficiência - e por tanto piorando ainda mais - a situação atual. Daí que um aluno bagunceiro, justamente por não ter sua atenção tão voltada para as aulas, acaba abstraindo menos informação, e por tanto, se contaminando menos.

Além de tudo isso, é claro que também há um outro contra-ponto bem interessante. Toda sua vida pode ser segmentada em várias escolas vivenciais das quais participa. Você deve ser capaz de conseguir separar quantas horas por dia dedica ao trabalho, aos amigos, família, relacionamentos, espiritualidade, conhecimentos técnicos, cultura, etc.  Dentre todas essas escolas, ser o aluno bagunceiro e desinteressado naquelas que nada acrescentam é algo bom. Mas tem algo que pode ser ainda melhor: matricule-se em novas escolas. É isso aí, vou deixar sua mente trilhar o resto, com o insight que já tive nessas reflexões perdidas por aqui.

Conclusão


Se você já tentou mudar alguma coisa em sua vida e viu que não funcionou, ou apenas ouviu aquele papinho utópico de que basta seguir uma receita de bolo para a vida melhorar, então repense um pouquinho em tudo o que leu. Será que as más escolas em que você está matriculado merecerem realmente de toda sua atenção? E se, você puder se matricular em algum cursinho novo por aí? Talvez uma leitura de um livro sobre determinado assunto todos os dias; talvez um tempo maior para dedicar a reconstrução de um relacionamento; talvez um tempo ouvindo as músicas que gosta ou aprendendo coisas novas num podcast. São muitas possibilidades e muitas reflexões. E tudo isso apenas para que eu pudesse propor um contexto de nossa realidade, dentro de algo mais simples para visualizar.


Essa vai ser a finalização mais breve, pois gostaria de apenas repetir uma frase desse post: Pense em quantas escolas você pode estar nesse momento em que nem faz ideia... Pensou, diz aí nos comentários se concorda com esse devaneio. Qualquer dia eu tentarei fazer outros posts dedicados a outras duas filosofias de vida parecidas com essa, que é a do suporte às mesas e a do terreno baldio. Enquanto isso, se você também quiser compartilhar uma sintetização particular da sua da vida, pode postar também.

Realidade Alternativa: Fome → Você vive bem com o que tem?
Como Copas e Raízes → Um conto metafórico qualquer
Você tem certeza? → Reflexão sobre as dúvidas que temos na vida
Desilusões do Tempo → Minha parcela de falar sobre o efeito do tempo
"O início do pensamento está no desacordo. Não só com os outros, mas consigo mesmo" (não lembro de onde ouvi ou li essa citação! alguém me ajuda para por os devidos créditos?)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Fim de Ano 2013


E cá estamos novamente. Todo ano a mesma postagem parece surgir aqui, e pelo título do post e pela recorrência e variedade do texto, eu poderia simplesmente copiar o que já tinha escrito no ano passado. Mas aí eu parei para analisar que já fazem quase 3 meses que não posto mais nada, e não queria com isso assumir o abandono desse pobre e velho blog na web. Então, Feliz Natal. Isso é tudo o que tentarei enrolar no texto gigante à seguir, e por tanto, para poupar seu precioso tempo de leitura, pode parar aqui.


Tempo e Castigo


Uma coisa bizarra sobre o texto que você está lendo, é que isso tudo foi escrito num paradoxo de tempo maluco. Eu já tinha escrito ele bem antes do término do ano, como que fazendo uma previsão furada de como as coisas iriam acontecer. E para 2014 a mesma coisa se repete - ainda mais por ter acontecimentos já marcados na agenda e que não podem se quer serem desmarcados. Mas depois eu falo disso tudo. Por enquanto vou só explicar o porque esse post é o mais confuso de todos aqui nesse blog.

Primeiramente, como já comecei a dizer, teve uma parte dele escrita bem antes. E aí, no corre-corre dos dias, eu revisei tudo e pude constatar que acertei várias coisas e errei outras. Mas tudo bem, na minha eloquência mental, eu não iria simplesmente reescrever tudo, e sim mudar trechos avisando qual parte foi uma previsão acertada e qual foi uma previsão furada. Só que o final do ano chegou, e esse post nunca foi lançado quando deveria. Daí minha mensagem de feliz natal que havia embutido em várias metáforas sumiu, e o post já não fazia o menor sentido. Então eu engoli a frustração de ter perdido a aposta que fiz entre eu e o tempo, e abandonei o blog.

Mas eu abandonei daquele jeito maroto. Eu escrevia a todo tempo que conseguia deixar minha cabeça fluir, mas por não conseguir revisar o texto logo na sequência, então não o publicava. E essa brincadeira rendeu muito rascunho e texto inacabado, cujas ideias, valores e eu mesmo mudei tanto, que já nem mais via uma forma para publicar tudo aquilo. São 47 textos, que, agora em que escrevo, estou totalmente motivado a publicar cada um deles, quer o conteúdo seja interessante ou nem tanto.

Esse post que você lê nunca foi publicado em qualquer data aleatória de 2013, como assim está arquivado.E o mais interessante, é que agora, provavelmente junto desde texto também é provável que eu tenha postado outro tantos na mesma sequência, e ninguém - nem eu mesmo - nunca saberemos as datas que qualquer um deles correspondem.

sábado, 2 de novembro de 2013

Sobrevivência além da Morte


Somos reféns da sobrevivência. Na verdade, arrisco dizer que não há nada mais importante do que isso; E muitos poderão discordar de mim, dizendo que o mais importante é simplesmente viver. Assim queria apresentar um vídeo, que mostra uma palestra e que logo nos primeiros minutos já resume tudo o que eu quis dizer, mas não consegui. Depois disso, eu começo o post.




Cérebro Otimista ou Pessimista?


A proposta inicial é que nós temos uma necessidade de prestar mais atenção as coisas ruins do que as boas. As desgraças são potencialmente mais importantes pois ela podem ditar uma forma de nos guiar a sobrevivência. Até me lembrei do que meu professor na faculdade vivia repetindo em suas aulas: "Há duas maneiras de você aprender: Uma é quebrando a cara, e a outra é vendo os outros quebrarem a cara".

Só que pelo que eu já andei googleando, há controvérsias. Há uma boa série de artigos científicos que defendem a ideia de que nosso cérebro é naturalmente otimista. Ou seja, totalmente contraditório com a proposta daquele vídeo que diz que somos naturalmente atentos ao pessimismo. Um exemplo seria o fato de assistirmos uma história de superação e acreditarmos que aquela história pode ser aplicada para gente, mesmo que a história retrate uma exceção e não uma regra. Pelo outro lado da mesma moeda, notícias que falam sobre câncer, guerras, acidentes, miséria e etc parecem sempre apenas abater os outros e não nós. Um manto de proteção do otimismo nos deixa naturalmente intactos.

Causa Mortilis


E apesar de tudo, acho que dá para chegar numa conclusão saudável. Nós somos sim naturalmente otimistas, regados por uma esperança que faz o mover do dia-a-dia. Até porque, se não houver essa esperança e esse otimismo natural, então estamos diante de uma doença que precisa de tratamento e remédios. Eu já fiz um post superficial falando sobre a depressão e a angústia, que talvez até vale a pena um clique por lá.

Esses dias eu andei lendo sobre o quanto o número de casos de transtornos mentais vem aumentando, e o quanto a depressão vem se tornado uma doença padrão nos dias de hoje. Tem aqui um infográfico nesse link aqui do Terra, mostrando as doenças que mais matam no Brasil e no mundo. Eu tinha ficado surpreso por ver que nenhuma doença de cunho psíquico estava na lista, mas foi fácil entender o porquê: Um transtorno mental pode levar uma pessoa ao suicídio, mas a causa da morte será o suicídio e não o transtorno. Por isso fica mais difícil de se obter dados nesse sentido. Mas vamos supor que essa notícia aqui do G1 esteja certa, e que portanto está pareando ali com o câncer de pulmão, tuberculose e diabetes.

Causa Sofrelis


Mas até aí eu só falei da morte. O estado final e irreversível de uma doença. O problema é que quase não se fala da parte sobre o sofrimento causado. O sofrimento é incontestavelmente pior. Para alguns casos, dependendo de sua crença, a morte pode até ser um alívio. E então, falar sobre o sofrimento me esbarra dentro de dois tipos de sofrimento, que é o físico e o psicológico. O físico vem de uma dor, que como por exemplo, bater o dedinho do pé na quina da mesa. Isso dói muito, mas essa dor não tem potencial algum para gerar sofrimento. Uma dor de cabeça é algo tão terrível quanto cair da escada. Mas ali a gente fala da dor, e apenas isso.

Se a dor não passa, então aquilo deixa de ser dor e se transforma em sofrimento. Eu sei que estou sendo o sr. Óbvio nesses últimos parágrafos, mas é que eu quero construir uma linha de raciocínio simples para explicar um outro ponto mais complicado. Quando a gente lida com dores psicológicas, como traição, fim de um relacionamento, morte de algum familiar e outras coisas do tipo, eu também vejo que tudo isso gera dor. Essa dor você pode chamar de tristeza se quiser, só para diferenciar mais das dores físicas. Mas o processo é o mesmo; Quando um relacionamento termina, você está triste, e parece que está sofrendo simplesmente porque a tristeza continua dia após dias.

E o ponto onde quero diferenciar nessa história toda, é que o sofrimento ele só existe quando você não sabe quando a dor vai terminar. No caso de ter cálculo renal, e ficar lá com aquela dor insuportável de seu rim sendo dilacerado, aquilo não chega a ser necessariamente um caso de sofrimento se você souber que vai passar com o tratamento adequado. Claro que você sofre enquanto o tratamento não for feito, mas o simples fato da situação estar sobre controle faz com que tudo fique mais fácil de ser superado. E o caos todo só vem quando não há nenhum tipo de perspectiva de memória. Nesse caso, a única coisa que posso dizer para te animar vem da frase de um filme que nem lembro mais qual era, que dizia: "O tempo é a cura para tudo". E em fato, se sua vida era diferente à 15 anos atrás, daqui a 15 anos no futuro, tudo pode estar completamente diferente. Tudo isso pelo simples agir do passar do tempo.

Conclusão


Acho que esse post ficou tão prolixo quanto os demais. Tentei fazer uma diferenciação da dor, do sofrimento, e nem consegui. Mas como eu não sou muito eficiente nessa elaboração de ideias, vou colar aqui um pedaço de um artigo do dr. Drauzio Varella, que vala especificamente do sofrimento. No caso, ele aplica isso ao sofrimento físico, mas não é assim tão difícil para reler isso com uma abrangência maior:

"(...) Parece que enterraram uma faca na carne da gente. Depois de algumas horas com ela, a vida se transforma num vale de lágrimas. Às vezes, é pior do que a morte. (...)"


Nesse texto, o ponto principal diz que a morfina é a solução da medicina para a dor física. Para a dor mental já é mais complicado, pois existem vários tipos de anti-depressivos, mas assim como a morfina, o acesso não é tão fácil. Só que tem um agravante. Quando você vai no médico e está com dor, a morfina é uma solução de ouro para resolver o problema. Mas quando se está com um sofrimento, o diagnóstico não sai com uma conversa de 15 minutos.

Vou encerrar esse texto, que já ficou longo até demais com a sugestão de um link meio perdido aqui, do Izzy Nobre, que ele dá uma boa sugestão para conquistar a felicidade. Depois de ler esse texto fiquei até com vergonha de meus posts antigos em que eu falava sobre a busca pela felicidade, como por exemplo aqui e aqui. Definitivamente é uma busca infinita. E aí, nesse compêndio, vou deixar o link de um outro vídeo, falando um pouco sobre a Morte, particularmente coloca alguns dilemas e debates prontos para discussão.




O ideal era terminar um texto triste com algum tipo de palavra de consolo, ou de esperança. Mas eu não sei fazer isso. Não dá para dizer que a vida é um mar de rosas, quando muitas vezes, tudo o que sempre sobra são os espinhos. Então, em um blog que tem como propósito as desilusões, nada mais justo do que ser assim. Aproveite e deixe uma desilusão aleatória nos comentários :)

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